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Para onde foi o sonho americano?

Os Estados Unidos sempre se viram como a terra das oportunidades, destinada à grandeza. Esses mitos foram abalados nos últimos anos. Barack Obama foi eleito, em 2008, com a promessa de mudanças que poderiam restaurá-los. Mas os balanços de seu governo, nesta temporada de debates pré-eleições de 2012, apontam para um país dividido, com o Congresso partido ao meio: republicanos no ataque e muitos democratas à beira da desilusão.

Flávia Carbonari
Obama: reeleição em 2012 é dúvida

O ano de 2011 foi aquele em que o governo quase parou duas vezes por conta da falta de acordo sobre o déficit; em que parlamentares brigaram pela extensão de cortes de impostos e benefícios a desempregados; em que a nota de risco do país foi rebaixada; em que milhares de americanos tomaram conta das praças para protestar contra a falta de empregos e a crescente desigualdade.


Em sua última edição de 2011, a renomada revista Foreign Affairs polemizou logo na capa: “A América acabou?” (Is America Over?). Em referência ao título, a revista traz ensaios que mostram como a desigualdade, por um lado, e a indisciplina orçamentária e a cara política externa, por outro, teriam contribuído para a perda de poder dos EUA. No primeiro artigo (“O Contrato Quebrado – Desigualdade e o Declínio Americano” – The Broken Contract – Inequality and American Decline), George Packer aponta como vilãs as políticas públicas (impostos, regras de financiamento de campanha, leis de trabalho, etc.) das últimas três décadas, que teriam favorecido sempre os mais ricos. Entre 1979 e 2006, a renda da classe média cresceu 21%; a dos pobres, 11%; e a do 1% mais rico da população, 276%. O mito da terra das oportunidades está em xeque.


Fareed Zakaria, um dos jornalistas mais influentes do país, publicou, em 2011, uma versão atualizada de seu livro O Mundo Pós-Americano para dar conta dos efeitos da crise financeira e da eleição de Obama. Zakaria enfatiza a “ascensão do resto” (“the rise of the rest”) para explicar o declínio do poder dos EUA, com destaque para países emergentes, como China, Brasil e Índia. O mito do Destino Manifesto, do país destinado à grandeza e à hegemonia, também estaria abalado.


Um governo que chegou ao poder baseado na esperança de reconstruir a justiça social e devolver o prestígio dos EUA mundo afora, entra em seu último ano com resultados ainda escassos. Como consequência, fica, até o momento, a grande desilusão de milhões de americanos, que poderá decidir o futuro de Barack Obama nas eleições de 2012.


 


Dilma, a ‘voz poderosa do novo Sul Global’


Em sua segunda edição dos 100 Top Pensadores Globais do ano, a influente revista Foreign Policy colocou a presidenta Dilma Rousseff entre os grandes nomes de 2011 por representar a “voz poderosa do novo Sul Global”. A presidenta brasileira ficou na quadragésima segunda posição. Relembrando seu passado de guerrilheira que lutou contra a ditadura militar, a revista contrastou o estilo “low-profile” de Dilma diante do cenário econômico favorável ao Brasil ao de outros líderes que se voltam cada vez mais ao populismo. A revista ainda ressaltou as ambições de Dilma de continuar elevando o país no cenário global e elogiou suas prioridades de redução de pobreza e desigualdade. Também entraram na lista o argentino Luis Moreno Ocampo, promotor do Tribunal Penal Internacional (44 no ranking); a blogueira cubana Yoani Sánchez (88); e o venezuelano Teodoro Petkoff (99), o principal nome da oposição ao governo chavista. No topo, ficaram 14 líderes da Primavera Árabe.


 


Isenção de visto na agenda de 2012


Deve ser confirmada para o primeiro semestre de 2012 a visita de Dilma Rousseff aos Estados Unidos. Além de energia e etanol, o setor privado dos dois países já pôs na pauta a inclusão do Brasil no Programa de Isenção de Vistos norte-americano (Visa Waiver Program). O programa dispensa de visto prévio, para viagens de até 90 dias, os cidadãos de países com baixos níveis de imigração ilegal para os EUA. É forte o lobby em favor da isenção na Flórida, destino favorito do 1,2 milhão de brasileiros que visitaram o país em 2010, injetando 5,9 bilhões de dólares na economia norte-americana.


 


Democracia, quer comprar?


A América Latina vive hoje o período democrático mais longo de sua história. O autoritarismo do passado parece uma ameaça distante. Mas outros fantasmas podem abalar a sustentação das democracias, o que levou a Organização dos Estados Americanos (OEA) a publicar o estudo Política, Dinheiro e Poder: Um Dilema para as Democracias da América Latina. Lançado em dezembro, no México, o relatório aponta essa relação como um dos principais desafios dos regimes democráticos do século XXI. O estudo analisa os impactos do dinheiro sobre os processos eleitorais e o exercício do poder. Recomenda, sobretudo, reformas legislativas que incrementem a regulação do financiamento da atividade política e reduzam a influência dos grandes grupos econômicos e do partido no governo. O Brasil vai bem no item do financiamento específico para candidatas mulheres — 5% dos recursos públicos e 10% do tempo de propaganda eleitoral gratuita de cada partido devem ir para elas. Aparece, também, como o único país da AL onde há “alta” divulgação dos números de doações a políticos, além de proibir o uso de espaços comerciais para a publicidade eleitoral (oferecendo horários gratuitos no rádio e na TV) – o que não ocorre nos EUA, por exemplo.


 



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