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Os olhos do Rio

Novo Centro de Operações da prefeitura carioca é passo na preparação da cidade para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos

ARMANDO MENDES
Centro de Operações: controlando eventos

Cingapura, Nova York, Tóquio e Madri eram, até 2010, as cidades mais “inteligentes” do planeta para os técnicos e cientistas da IBM, a multinacional de computadores e serviços de tecnologia da informação. Do começo do ano para cá, o Rio de Janeiro ganhou um lugar nessa lista, a partir da entrada em serviço de um centro de gerenciamento de operações públicas, desenvolvido pela IBM e pela Prefeitura do Rio, que junta e integra informações de órgãos do município e outras fontes (uma cidade inteligente, nesse sentido, usa as tecnologias da informação para melhorar o desempenho de seus serviços públicos).  


“O Centro de Operações do Rio de Janeiro é considerado pela IBM o mais moderno do mundo”, afirma Pedro Almeida, diretor de Cidades Inteligentes da IBM Brasil. “O ‘showroom’ da IBM hoje é o Centro do Rio.” A ponto de a empresa ter escolhido a cidade para encerrar lá, em novembro, os festejos de seu centenário, comemorado neste ano — sem menosprezar os encantos conhecidos mundo afora. Cada metrópole tem seus próprios problemas, e o Centro de Operações do Rio foi desenhado com a ambição de permitir ao governo municipal responder a vulnerabilidades históricas da cidade — por exemplo, inundações e desabamentos de encostas provocados pelas chuvas de verão, que destroem casas e matam pessoas nos morros cariocas.  


A ideia é reunir em um só lugar os administradores de crises e situações de emergência da cidade — tais como bombeiros, policiais, Defesa Civil e serviços de trânsito, saúde, águas e energia — e dar a eles informação destrinchada e analisada para que possam tomar decisões rápidas e adequadas no caso de desastres naturais ou incidentes, como grandes congestionamentos no trânsito. Melhor ainda: que eles possam prever acidentes naturais com alguma antecedência, de forma a prevenir a população e preparar a resposta do poder público, bem como planejar os grandes eventos que fazem a marca mundial do Rio — o réveillon de Copacabana, o Carnaval, megashows, como o Rock in Rio, e, no futuro próximo, as partidas da Copa do Mundo 2014 disputadas na cidade e os Jogos Olímpicos de 2016. 


O lugar onde tudo isso começa a acontecer é um salão forrado de mapas eletrônicos e telas gigantes nas paredes, num prédio da Cidade Nova, na região central do Rio. Lá, técnicos e agentes dos 30 órgãos municipais encarregados de fazer a cidade funcionar acompanham, em tempo real, as informações coletadas pelos diversos sistemas municipais e tratadas por programas analíticos que rodam em computadores. O Centro integra tanto informações de sistemas preexistentes — por exemplo, as câmeras que vigiam o trânsito em pontos cruciais da cidade — quanto de outros criados ou adaptados para as condições do Rio. A estrela destes últimos é o PMAR (Previsão de Meteorologia de Alta Resolução), um sistema meteorológico que está em fase final de calibragem e permite, entre outras coisas, prever alagamentos com 36 horas de avanço.  


O PMAR não coleta diretamente as informações do tempo. “É o que chamamos de um sistema preditivo, um sistema analítico que faz previsões”, explica Pedro Almeida. Isso quer dizer que o PMAR reúne e analisa, usando modelos matemáticos, dados de todas as fontes disponíveis para a previsão do tempo. Aí entram dados do CPTEC (ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia) e do Ministério da Agricultura; do radar meteorológico da Prefeitura; de satélites da Nasa e de outras organizações; além do histórico de chuvas, o mapeamento geológico e topográfico da cidade, a tábua das marés e o regime de ventos. Tudo mastigado e analisado, as previsões do PMAR, segundo a IBM, terão estimativa de acerto de 70% a 80%, considerada boa nessa área. “Nosso sistema integra todas as informações, tanto que tem muito mais chance de acertar”, diz Almeida. 


Se as previsões indicarem risco de alagamentos e desmoronamentos, serão acionados, por celular, agentes comunitários treinados para alertar a população afetada e tomar as providências necessárias — em casos extremos, moradores de uma área de risco podem até ser retirados de suas casas. Almeida reconhece que o aparato tecnológico do Centro é apenas parte da solução. É preciso preparar servidores e a própria população, por meio de treinamentos e simulações, para responder aos alertas. “Você gasta, no mínimo, mais seis meses a um ano nesse aculturamento”, estima ele. “É isso o que fizemos e continuamos fazendo.”


Sistemas desse tipo podem ser replicados e adaptados para controlar o trânsito, por exemplo; ou melhorar a segurança, como em Nova York, onde dados dos arquivos da Polícia são continuamente atualizados e analisados para oferecer aos policiais informação em tempo real (o sistema nova-iorquino chama-se Real Time Crime Center). “O que estamos fazendo com clientes como o Centro de Operações do Rio de Janeiro pode certamente ser escalado para outros mercados”, diz Erich Clementi, o vice-presidente sênior global de serviços da IBM, que esteve recentemente em São Paulo (leia entrevista nesta página). Almeida acrescenta que as cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 são candidatas naturais a receber projetos semelhantes. 



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