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A porta flamenga

Empresas brasileiras escolhem Flandres, no norte da Bélgica, como entrada para seus produtos no mercado europeu

ANDRESSA ROVANI
Porto de Antuérpia: o segundo maior da Europa

Há quase dois anos, a Biorigin, empresa de biotecnologia especializada no desenvolvimento de ingredientes para alimentação humana e nutrição animal, decidiu abrir uma subsidiária na cidade de Antuérpia - um dos mais importantes portos europeus, encravado na região de Flandres, na Bélgica. Com sede em Lençóis Paulista (SP), a empresa brasileira é especializada na elaboração de produtos com base no extrato de levedura, que simulam o sabor salgado e permitem reduzir a adição de sal aos alimentos. “Como o mercado europeu sempre foi muito importante para nós, decidimos abrir um escritório com área de armazenagem lá para diminuir o tempo de entrega dos produtos”, diz o diretor da Biorigin, Mário Steinmetz.


Com um pé lá, a Biorigin pretende anular uma vantagem dos concorrentes europeus, que conseguiam entregar mais rapidamente seus produtos para os vizinhos de continente, e ganhar clientes antes inacessíveis. “Para o grande comprador, não importa de onde vem o produto, mas se há estoque local para atendê-lo”, diz Steinmetz. O resultado já compensa: desde que abriu o escritório em Flandres, as vendas da Biorigin para o mercado europeu cresceram 30%. A empresa agora planeja começar a enviar também os itens produzidos por sua unidade em Louisville, nos Estados Unidos, diretamente para a Europa.


Assim como a Biorigin, outras empresas exportadoras brasileiras buscam manter centros de distribuição em portos estrategicamente situados. Grupos como JBS, Zilor, Votorantim, CBL e Fisher fazem uso da rede intermodal de transportes que parte de Antuérpia para distribuir seus produtos no mercado europeu. A escolha não é aleatória. A região de Flandres - que corresponde ao pedaço de língua flamenga da Bélgica (uma variante do holandês) - é o centro de uma cadeia logística que atinge, num raio de 600 quilômetros, 60% do poder de compra de toda a Europa, e quer atrair mais empresas brasileiras, competindo com outros grandes portos, como Hamburgo, na Alemanha, e Roterdã, na Holanda. Para atingir essa meta, vem reforçando a presença no Brasil da Flanders Investment & Trade (FIT), sua agência de investimentos, que trabalha em duas mãos: tanto pode auxiliar empresários flamengos na busca e consolidação de negócios no Brasil, como empresas brasileiras interessadas em marcar presença na Europa.


A localização e a facilidade de acesso aos compradores pesaram na decisão da Biorigin por Flandres, afirma Steinmetz. Mas foi a infraestrutura para receber que definiu o jogo. Por infraestrutura, compreenda-se os quatro portos da região, a começar por Antuérpia, o segundo maior da Europa (atrás de Roterdã). Outro porto da região, Ghent, é especializado em minérios e suco de laranja e tem no Brasil seu principal parceiro comercial, com 12% de toda a movimentação (há, ainda, Ostende e Zeebrugge). A importância da cadeia logística se reflete no peso da região no comércio exterior da Bélgica. Hoje, mais de 80% das exportações e importações registradas pelo país passam por lá. Há centenas de anos, esse entreposto já tinha papel fundamental no desenvolvimento do comércio europeu. Banhada pelo Mar do Norte, Flandres foi a origem de uma rota comercial que se estendia até o norte da Itália, passando pela França e formando um dos principais eixos econômicos europeus. A troca de mercadorias e a venda de tecidos de lã, beneficiados da matéria-prima vinda da Inglaterra, enriqueceram Flandres e fizeram dela uma das regiões mais urbanizadas da Europa, cravando o espírito mercantil em seu perfil econômico desde então.


Hoje, os produtos que os portos flamengos mais recebem são minérios, veículos e farmacêuticos. Numa confirmação da vocação de entreposto da região, um em cada três dos produtos que passam por ela tem como destino a Alemanha ou a França. No sentido do Brasil para Flandres, 25% do que é exportado são minérios (como carvão, minério de ferro e caulim, utilizado na confecção de papéis de alta qualidade de impressão), e 20% produtos alimentícios, segundo dados de 2008. Entre os alimentos, o suco de laranja predomina. A Citrovita, do Grupo Votorantim - terceira maior exportadora brasileira do produto, com sede em Catanduva (SP) - possui, desde 1993, um terminal de distribuição de suco de laranja concentrado no porto de Antuérpia com capacidade para armazenar 33,2 mil toneladas do produto. Hoje, cerca de 70% de todo o volume de exportação da empresa passa pelo porto belga. Para a Citrovita, a qualidade dos portos flamengos foi decisiva na escolha do local para o terminal europeu da empresa. “Além de equipamentos modernos, o calado (profundidade) e as condições das vias de acesso atendem às necessidades logísticas da companhia”, diz Fábio Madeira da Silva, gerente de logística da empresa. “A opção por Antuérpia também levou em consideração a localização geográfica do porto, próximo dos principais centros consumidores”, conclui ele.


 



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