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Sentindo os fios

Professor do Senac SP conta como três alunas do curso de moda, armadas de agulhas de tricô, mediram forças com a elite mundial

LAZARO ELI*
Roupa em tricô da aluna Flavia Protta...

Boas oportunidades nem sempre batem à porta. Mas, no primeiro semestre do ano, um representante do Instituto Italiano para o Comércio Exterior veio até o Centro Universitário Senac, em São Paulo, nos convidar a participar de um concurso internacional de roupas em tricô, aquela técnica de confecção que usa fios e agulhas — além de habilidade, disciplina e paciência. No concurso Feel the Yarn, seis instituições de ensino, entre as melhores no mundo da moda, indicariam, cada uma, três alunos talentosos para criar e confeccionar três looks — nome dado a um conjunto de roupas, calçados e acessórios.


Nem tínhamos ideia de que estávamos sendo avaliados pelos organizadores. Contaram pontos para o Senac São Paulo, entre outras qualidades, a parceria com a escola europeia Esmod e a direção artística de Alexandre Herchcovitch, um dos maiores estilistas brasileiros. As outras convidadas foram: Royal College of Art (Inglaterra), Bunka Fashion College (Japão), Parsons the New School for Design (EUA), BIFT Beijing Institute of Fashion Technology (China) e Polimoda (Itália). Ou seja: o primeiro time do mundo rico e da emergente China.


Três de nossas alunas com melhor desempenho — Fernanda Akina, Fernanda Visconti e Flavia Protta — iniciaram a jornada com uma visita a Prato, na Toscana, onde conheceram as indústrias que produzem fios para as mais importantes confecções italianas. Os estudantes voltaram a seus países trazendo rolos de fios para a segunda etapa: a feitura dos looks. Discutimos técnicas, conceitos, forma e modelagem. Foi um período tumultuado e conflitante para as alunas, na tentativa de traduzir seus talentos em algo concreto. Finalmente, Herchcovitch e os professores envolvidos aprovaram nove roupas desenhadas e “tricotadas” individualmente com as duas longas agulhas.


 As meninas voltaram à Itália para a feira aberta ao público, em Florença. Fui lá ver como as alunas do Centro Universitário Senac tinham enfrentado um desafio quase impossível. E não é que as meninas agradaram? Outras escolas usaram e abusaram da tecnologia, turbinando o tricô com efeitos produzidos por máquinas que fazem da fiação vestimentas quase faraônicas. Já as “brasilianas” mostraram criações surgidas de um processo artesanal que chamou a atenção dos jurados e do público. Eles olharam, tocaram e estamparam nos rostos aquela  expressão que todos conhecemos, quando os vemos impactados diante de nossas criações artísticas e espetáculos carnavalescos.


Vencemos o concurso? Não. O prêmio ficou com uma chinesinha que estuda na Parsons School. Ela mesclou o tricô com uma trama de fio metálico que deu à roupa uma textura e um volume impossíveis de ser alcançados por meios apenas artesanais. Esta experiência nos leva a questionar a distância que o Brasil ainda guarda em frente aos investimentos tecnológicos e às experimentações da indústria. Não é somente com recursos criativos que se faz um bom produto. Nosso talento e riqueza cultural são indiscutíveis. No entanto, há de se observar o que fazem os outros. A atenção às inovações e a disposição de aceitar movimentos tecnológicos podem trazer novas conquistas, se aliadas ao que o jeitinho brasileiro tem de melhor: a capacidade de improvisar, criar o novo e surpreender o mundo.





 



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