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Punta del Este e Montevidéu

O advogado gaúcho Danilo Andrade Maia é frequentador, há 20 anos, de Punta del Este, no Uruguai, a charmosa cidade de veraneio a uma hora e meia de carro da capital Montevidéu.

Danilo Andrade Maia  
Punta: iates, cafés, lojas elegantes e bons negócios

Em Punta, como a chamam os íntimos, as águas do Atlântico encontram-se com as do Rio da Prata, que banha tanto o Uruguai como a vizinha Argentina (Buenos Aires fica a 40 minutos de voo, o que explica a invasão de argentinos em janeiro e fevereiro). Fundada há menos de 200 anos, quando porteños das duas margens do rio importavam modas e costumes da Europa, ela, ainda hoje — diz Danilo —, é a Punta dos cafés ao ar livre, das confeitarias, dos “cortados” (café expresso com leite), dos trapiches de madeira sobre o mar, da ausência de grades, dos jardins magníficos, das praias e ruas limpas, dos dias quentes e noites frias, das lojas sofisticadas, da arquitetura despojada e de bom gosto, dos restaurantes e do tradicional hotel e cassino Conrad. Mas não só para o lazer serve tudo isso — é também lá que executivos e empresários sul-americanos gostam de levar convidados do mundo todo para discutir e fechar os negócios surgidos da integração crescente do continente à economia global.  


 


Se tiver algumas horas...


Punta é preguiçosa, vespertina e noturna. Desperta tarde. Se o visitante fizer mais questão da movida do que de fitness, é recomendado que aproveite suas horas entre a tarde e a noite. De manhã, a cidade e as praias são domínio de esportistas (poucos), casais com crianças e saudáveis vovôs. A afluência ao mar começa em torno das 3 da tarde, e no verão não é incomum ver a praia movimentada às 8, pois que o sol se põe a partir das 9 e os drinques e aperitivos se prenunciam perto das 11 da noite.  


A Península — a punta de terra mar adentro, rumo cardeal Leste, que dá o justíssimo nome à cidade — é o pivô de tudo. Demarcada pelas praias Brava (do Atlântico) e Mansa (do Rio da Prata), é povoada de belas residências, lojas elegantes e verdes espaços públicos. O restaurante-bar El Virazón é seu ponto de encontro, com linda vista para a baía, a Ilha Gorriti e o charmoso cais repleto de barcos. Os horários esticados fazem dele um porto seguro. Quando tudo estiver fechado, o Virazón estará aberto para acolher os desgarrados com milanesas, mexilhões, pescados, petiscos e tragos.  


Quase ao lado, o Guappa, com a mesma vista, tem culinária mais apurada, na qual sobressai um polvo à galega demoradamente cozido no azeite. E Leonardo Etxea, na Parada 2 da Mansa, é uma agradável taberna basca, acessível a todos os bolsos e forte nos frutos do mar.


 


Se tiver o dia inteiro...


...vale a pena seguir ao longo da praia Brava até a Parada 35. Mais adiante, há a Barra, uma espécie de Village à beira-mar pelo jeitão descontraído, arquitetura limpa e pé no chão, galerias de arte, baladas e restaurantes de estilo mais leve. Aí a noite esquenta, o trânsito para, e a impressão é de que todas as mulheres lindas do planeta marcaram encontro no mesmo lugar.


No verão, não só argentinos e brasileiros comparecem a Punta. Circulam, também, paraguaios, chilenos, mexicanos, americanos, alemães, franceses e italianos, juntos, transformando a pacata cidade litorânea de 20 mil uruguaios na cosmopolita e poliglota Punta del Este de 200 mil almas festeiras. Para comer bem, eles costumam procurar dois lugares, entre os muitos que a cidade oferece.  


O primeiro é El Palenque — se você quer carne, vá direto. Fundado na década de 1950 pelo espanhol don Emilio Portela, é um ambiente amplo, parrilla à vista manejada pelo exímio Pocho. A carne e os cortes, assados na lenha de coronija, especial e aromática, são melhores que os brasileiros. O clássico de El Palenque é o cochinillo — um porquinho-mamão feito na parrila e servido em fatias, primo-irmão daquele que se serve em Madri, assado em forno de barro no Botín, o restaurante mais antigo do mundo. O segundo lugar é Lo de Tere, em frente ao porto. Os proprietários, Lalo e Elza, fazem cozinha de autor e asseguram o primeiro nível da comida.


Para quem prefere menos agitação e mesa mais leve, a 20 quilômetros da cidade fica Las Vertientes Casa de Té (casa de chá), num bosque ao pé da Sierra de la Ballena. Da serra verte puríssima água para conformar os sete lagos que compõem esse lugar encantador. Da soma da água e da variedade de chás resultam aromas e sabores dignos dos acompanhamentos da confeitaria de autor. No caso, autora — a chef pâtissière e sommelier Lucrecia Cuter.


 



Se tiver o fim de semana inteiro..


Com mais tempo, vale agregar ao roteiro um lugar como a Finca Narbona, que pede olhar mais calmo e disposição um tanto contemplativa, digamos. Quase desconhecido do público, esse excepcional restaurante fica em El Quijote, 7 quilômetros após a Barra, a cerca de 20 minutos da cidade — no meio do caminho que leva também ao recém-inaugurado Hotel Fasano Las Piedras, um belo projeto do arquiteto paulistano Isay Weinfeld, cujo restaurante bem vale uma excursão (a agenda e o bolso permitindo).


A Finca (estância) Narbona fica antes. Chega-se a ela por um caminho de terra de 2 quilômetros, em meio a uma paisagem deslumbrante que lembra a Borgonha. O conjunto de prédios em estilo espanhol está demarcado por parreirais, que dão os excelentes vinhos produzidos pelos proprietários. A família é oriunda de Colonia del Sacramento e está no ramo da vinicultura desde 1732, quando o aragonês Juan de Narbona chegou àquelas terras e criou a Bodega e Granja Narbona.


A Finca tem o misto de refinamento e despojamento muito ao gosto de Punta: restaurante, bar, adega, parrilla ao ar livre, a magnífica cozinha de don Miguel e o atendimento impecável de doña Isabel e Tino.


 


E para esticar a Montevidéu...  


...são 126 quilômetros por uma excelente autoestrada. A melhor chegada à capital uruguaia, no entanto, é pelo Aeroporto de Carrasco, ousado projeto do arquiteto Rafael Vinõly. Logo após está o bairro de Carrasco. Mas o visitante pode tomar uma rodovia e, 15 minutos depois, chegar à vinícola Bouza, que tem um sofisticado restaurante cercado por um parque lindíssimo, pegado a um pavilhão onde se encontra uma coleção de carros antigos. Tudo aberto à visitação. Ali se pode comprar vinhos daquela que é uma das mais distinguidas bodegas uruguaias.  


Em Montevidéu, dois programas se impõem. Um deles é perder-se por Carrasco, a partir do miolo, identificado pelo Hotel Cassino Carrasco, de 1921, hoje em reforma. Sem prédios — só casas, comércio e gastronomia, com uma linda capela e alguns hotéis charmosos, o bairro em nada lembra a fazenda que lhe deu origem.


Outro ponto de passagem obrigatória é el casco viejo, como se denomina o centro antigo junto ao porto. O velho mercado não funciona mais como tal, e sim como um complexo de bares e restaurantes abrigados numa estrutura de 1868, com portadas e detalhes de ferro. É parte da tranquila vida urbana de Montevidéu.



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