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O poder de El Sistema

Como o desejo de transformar a vida de crianças carentes da Venezuela deu origem a um programa de ensino de música que se espalhou pelo mundo

Andressa Rovani
Dudamel rege o Neojiba em Salvador: frutos da mesma ideia

Há 36 anos, em um estacionamento em Caracas, o maestro José Antonio Abreu reuniu 11 jovens para tocar música. E disse: com esses instrumentos vocês vão mudar o mundo. Assim nascia El Sistema, um programa de ensino musical que revolucionou as bases sociais da Venezuela e hoje se espalha pelo mundo. No país vizinho, o programa atende cerca de 300 mil crianças e jovens a cada ano. Cerca de 70% dos beneficiados vivem na pobreza. Cada criança participa do programa por vários anos, até que seja inserida em uma orquestra. Enquanto isso, desenvolve espírito solidário e autoestima, além de cultivar valores éticos e estéticos.


Do programa surgiram 157 orquestras jovens e infantis e 270 centros para educação musical espalhados pelo país. Dele surgiu, também, seu maior expoente: o maestro Gustavo Dudamel, de 30 anos, hoje diretor musical da Filarmônica de Los Angeles e da Orquestra Jovem Simon Bolívar. “O mais miserável e trágico aspecto da pobreza não é não ter pão e leite; é sentir-se ninguém”, diz Abreu. “E é por isso que o desenvolvimento das crianças nas orquestras e em coros projeta nelas uma identidade nobre e as converte em um modelo para sua família e comunidade.”


O programa e seu fundador já receberam diversos reconhecimentos. El Sistema inspirou a Organização dos Estados Americanos a promover a criação da Orquestra Jovem das Américas. Em 1995, a Unesco designou Abreu delegado especial para o desenvolvimento de um sistema mundial de orquestras e coros, como forma de internacionalizar para o mundo o modelo que criou.


Desde então, o modelo tem se espalhado. A metodologia do programa já foi adotada em mais de 25 países, criando franquias de El Sistema. Entre os países que o adotaram estão Austrália, Coreia do Sul, Cuba, Estados Unidos, Portugal e Brasil. Por aqui, o modelo foi o responsável por criar as bases dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba).


O maestro baiano Ricardo Castro conheceu o programa na Venezuela, em 2005. “Imediatamente, senti a força do que estava se passando por lá. É um projeto sólido e de grande qualidade”, diz Castro, que levou a ideia para a Secretaria da Cultura da Bahia, dando origem, em 2007, ao Neojiba. “Gosto de ressaltar que não inventei nada: só montei na Bahia um projeto que deu certo na Venezuela.” O encontro entre criador e criaturas se deu em junho, quando a Orquestra Simon Bolívar iniciou, em Salvador, sua turnê latino-americana. Na ocasião, Dudamel regeu os 150 integrantes do Neojiba sob os olhares dos venezuelanos e do grande professor, José Antonio Abreu.



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