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Picanha à Chinesa

Exportadores brasileiros de carnes querem incrementar vendas para o mercado mais cobiçado do mundo

Janaína Silveira
Churrascaria em Pequim: Falta carne brasileira

O nome da churrascaria é Casa Brasil, o gerente é brasileiro e ela fica em frente à embaixada brasileira em Pequim. Mas a carne servida nos espetos é australiana. “Há poucos cortes brasileiros no mercado chinês”, explica o gerente Helton Lima, um cearense que divide o trabalho na Casa Brasil com sua atuação na trading HC Import & Export. O mesmo acontece em outros restaurantes com raízes verde-amarelas, como o Brazilian Churrascos, no hotel Crowne Plaza, próximo do estádio olímpico Ninho de Pássaro, e a Latin Grillhouse, também gerenciados por brasileiros. Nos supermercados de Pequim tampouco é fácil encontrar o selo Made in Brazil.


Os exportadores brasileiros de carne acreditam que é possível mudar esse panorama. Em maio passado, 12 frigoríficos — entre eles Marfrig e Aurora — vieram a Xangai, do outro lado do mundo, como parte de um grupo organizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para participar da Sial China 2011, a mais importante feira chinesa de produtos de alimentação. Consultados, alguns dos frigoríficos preferem não falar de resultados. Mas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), este foi um dos primeiros passos para tornar a carne bovina brasileira mais conhecida no mercado chinês. Serviu, ainda, para checar gostos e preferências e observar o comportamento dos consumidores.


O Brasil vendeu cerca de 1.400 toneladas de carne bovina à China em 2010, de acordo com a Abiec. É muito pouco. A vizinha Hong Kong — cidade-estado tratada como um mercado à parte — compra quase dez vezes mais, em valor. A Austrália produz metade da carne bovina importada pelos chineses, com o Uruguai e a Nova Zelândia fornecendo a maior parte da outra metade. O produto brasileiro chega à China com preço alto, até por causa do custo do frete de longa distância. Para o adido agrícola da embaixada brasileira em Pequim, Esequiel Liuson, os exportadores brasileiros deveriam mirar o consumidor chinês classe A, com maior poder de compra. “Seria interessante termos aqui carnes embaladas a vácuo, mostrando o frigorífico de origem e, assim, criando a cultura da qualidade do produto brasileiro”, diz Liuson. “No varejo chinês, todos os cortes parecem iguais; há espaço para trabalhar uma apresentação diferente.”


Para a Abiec, trata-se de um grande mercado potencial: 1,3 bilhão de consumidores hoje carentes de proteínas, mas com a renda em alta. Estudos indicam que o rebanho bovino local, de 105 milhões de cabeças, é pulverizado em pequenas propriedades (o rebanho brasileiro tem quase o dobro disso). O beneficiamento industrial é restrito e enfrenta a falta de água e de produtos agrícolas para a alimentação dos animais, além da degradação dos pastos. Para explorar essa oportunidade, é preciso, antes de mais nada, aumentar o número de produtores habilitados pelas autoridades chinesas a vender para eles. Hoje, apenas oito frigoríficos brasileiros têm essa habilitação, e nove estão cumprindo as etapas burocráticas para consegui-la, segundo a associação.


 


A chegada dos suínos


Os exportadores de carne de boi enfrentam uma tarefa mais difícil do que a dos produtores de carne suína, muito mais popular em terras chinesas. De acordo com a Scot Consultoria, o consumo anual de carne bovina na China é de 4,1 quilos por habitante, bem menos que os 37 quilos per capita da carne de porco. Os exportadores brasileiros apenas começam a chegar a esse imenso mercado, a partir da concessão da licença para exportação a três frigoríficos anunciada pelo governo chinês em abril último, durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Pequim. No início de junho, foi acertado o padrão para alcançar o certificado sanitário e faltam poucos passos até o embarque dos primeiros lotes. “O importante é começar”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto. “Não temos ainda uma estimativa de vendas confiável.” Segundo Neto, uma nova missão veterinária de dirigentes do Mapa deve viajar a Pequim para tentar habilitar mais fábricas e garantir a autorização de exportação de miúdos suínos, que ficaram de fora da medida anunciada em abril.


Miúdos e partes de frango são também o principal produto de exportação brasileiro para a China, entre as carnes de aves (o que inclui pés de galinha, uma especiaria gastronômica no Oriente). Desde 2010, o país se tornou o principal fornecedor desse produto para o mercado chinês. Juntando as três frentes, portanto — a avícola, a suína e a bovina —, pode-se esperar que as carnes brasileiras ganhem maior presença nas tigelas fumegantes dos chineses. E também que as churrascarias venham a oferecer um produto inteiramente autêntico a seus clientes locais.


O churrasco é a principal referência gastronômica brasileira para os chineses: a feijoada, o pão de queijo, o café e a caipirinha nem chegam perto. Mas nenhum gaúcho reconhecerá o que costuma ser servido à guisa de churrasco na rede pequinense Carnaval — um empreendimento que se veste com as cores da bandeira e explora referências brasileiras, como o nome, mas serve um arremedo de espeto corrido com lascas de carne finas como fatias de presunto.



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