Revista PIB

Faça da Revista PIB a sua home page Segunda, 20 de Novembro de 2017

 

Próximo destino, União Europeia?

A Europa só fica atrás da América Latina como receptora de investimentos “greenfield” das multinacionais brasileiras

Frederica Mazzi
Natura em Paris: hora dos cosméticos brasileiros

Países de todo o mundo buscam atrair novos investimentos diretos estrangeiros (também chamados de “greenfield”). Trata-se de uma importante fonte de empregos e riqueza, o que leva governos nacionais e regionais a criar organizações específicas — as agências de atração de investimentos externos — com a missão de anunciar oportunidades de negócios  e promover a criação de empresas de capital estrangeiro em seus territórios. O Brasil tem despertado o interesse ativo dessas organizações. No momento em que as economias emergentes desempenham um papel crescente na recuperação da crise global, surge a questão: qual a importância do Brasil como fonte de novos investimentos externos em economias desenvolvidas, como as da União Europeia?  


O sítio on-line fDiMarkets.com, que monitora investimentos transnacionais, registrou 455 projetos brasileiros “greenfield” no exterior, entre 2003 e 2010. Esse tipo de investimento quase dobrou entre 2007 e 2008. A União Europeia foi a segunda macrorregião de destino para eles, com 69 projetos, em seguida aos vizinhos latino-americanos, que receberam 198 projetos (investimento “greenfield” é aquele que cria negócios ou plantas de produção novos; o conceito não abrange a aquisição de empresas preexistentes).


Já nos anos 1970, empresas brasileiras começaram a estabelecer presença em mercados externos, em particular na Europa (um exemplo é o Banco do Brasil). Numa pesquisa que realizei em 2009/2010, no quadro de um mestrado na Universidade de Bolonha, na Itália, pude rastrear, nos países da UE, 124 subsidiárias criadas por meio de investimentos “greenfield” de 74 empresas de capital brasileiro. É muito difícil seguir esse tipo de investimento direto, uma vez que não existem estatísticas abertas ao público que discriminem os projetos por empresa. Por isso, é possível que o número seja ainda maior.


A seguir, apresento algumas das constatações de minha pesquisa:


 


Que tipo de empresa brasileira se estabelece na União Europeia?


Em sua maioria, são grandes empresas de estados do Sul e Sudeste (SP, RJ, SC, RS e PR), embora o número de médias e pequenas empresas esteja crescendo. A maioria também está presente em outras macrorregiões — 38% delas na América Latina, 24% na América do Norte, 16% na Ásia, 8% no Oriente Médio e 6% na África. Os setores predominantes são os serviços financeiros, tecnologias de informação e comunicação e serviços comerciais, seguidos pelo automotor, químico, elétrico e de alimentos & bebidas. Nesta fase da internacionalização brasileira, despontam com potencial para dar o salto além das fronteiras os negócios ligados à moda, cosméticos, medicina e os serviços de comunicação.      


 


Onde se estabelecem?


Os países da UE que hospedam o maior número de subsidiárias de empresas brasileiras são também os maiores parceiros comerciais europeus do Brasil: Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, Holanda e Bélgica. Os países da Europa Oriental que se juntaram mais recentemente à UE também têm atraído cada vez mais empresas brasileiras para estabelecer plantas de manufatura.


 


Por que as empresas brasileiras saíram para o mundo?


A abertura gradual da economia do Brasil, a partir dos anos 1990, e o boom de exportações iniciado em 2002 estimularam o crescimento de firmas brasileiras e lhes proporcionaram recursos para investir no exterior. Ao mesmo tempo, o desafio das multinacionais que entraram no mercado interno empurrou as empresas brasileiras para o exterior, na tentativa de se manterem competitivas em casa. Entre os motivos-chave da expansão internacional das companhias brasileiras, podemos listar, segundo a Fundação Dom Cabral (2009), a necessidade de acesso a mercados, o potencial de aumento das vendas nos mercados externos e a saturação do mercado doméstico. A essas motivações, o relatório BCG New Global Challengers Report, 2008, do Boston Consulting Group, acrescenta o desejo de adquirir expertise em pesquisa & desenvolvimento, de criar marcas globais e de desenvolver novos modelos de negócios.


 


Por que escolheram a União Europeia?


De acordo com minha pesquisa, os investidores brasileiros apontam como fatores-chave os laços históricos com os países da região e a proximidade cultural com os consumidores do grande mercado comum formado pela UE.


 


E, finalmente, o que falta para ampliar essa presença?


Enquanto a competição por investimentos na arena global é cada vez mais forte, a expansão para o exterior das empresas brasileiras é um fenômeno recente que precisa ser incentivado. De uma perspectiva brasileira, as pequenas e médias empresas inovadoras, em particular, precisam de acesso mais fácil aos meios de financiar sua expansão global. Mas, olhando pelo outro lado, a União Europeia também precisa aprofundar suas relações bilaterais com o Brasil e o Mercosul, de forma a coordenar melhor a promoção de oportunidades de negócios na região.


 


* Federica Miazzi é italiana e trabalha na Think London, a agência de atração de investimentos externos de Londres, onde ajuda empresas brasileiras a se estabelecerem na capital britânica.


 



28/06/2016 -   FIESP destaca a importância da logística para a retomada do crescimento
02/05/2016 -   Movimat divulga detalhes da feira de setembro
03/10/2015 -   Voando sobre o mundo
03/10/2015 -   O mundo é Azul
03/10/2015 -   O caminho da diferença
03/10/2015 -   Restaurantes, galerias, praias e parques de Miami
03/10/2015 -   A Ásia são muitas
03/10/2015 -   De olho no mundo
01/10/2015 -   Um Calatrava no Rio
29/09/2015 -   Hungry and with a big appetite
29/09/2015 -   A bigger share, please?
29/09/2015 -   Passage to India
Totum Editora Revista PIB - 2009 © Todos os Direitos Reservados