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Herança olímpica

Na reta final para o maior espetáculo esportivo do mundo e seus milhares de visitantes, Londres mostra que tem muito a ensinar ao Brasil

Nara Vidal
Vista aérea do velódromo: instalações prontas





Um monumento inaugurado no início de março em Trafalgar Square, um dos cartões-postais de Londres, pôs o deadline para funcionar: falta pouco mais de um ano para que a cidade receba os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2012. “O relógio nos lembra que ainda temos muito trabalho pela frente”, disse o prefeito de Londres, Boris Johnson, talvez num excesso de cautela, uma vez que parte importante das obras está bastante adiantada.


Se a capital britânica aperta o passo, o Brasil, como o próximo anfitrião do maior evento esportivo do mundo, em 2016, deveria ficar atento. Não apenas ao cronograma seguido com folga pelos pontuais britânicos. É conveniente prestar atenção na revolução que o evento mundial está provocando em uma das maiores cidades da Europa.


Londres, que investiu 2,8 bilhões de libras nas obras, destaca-se entre as outras cidades que já sediaram o evento por ter uma preocupação clara com o legado que será deixado aos moradores depois de encerrados os Jogos. Da escolha dos materiais à área selecionada para receber a Vila Olímpica, tudo parece pensado para o futuro. Parte dos prédios em construção em Londres poderá ser desmontada, e a outra parte está sendo projetada para abrigar apenas a população local, que fará uso do espaço, como os ginásios de natação.


Um dos principais objetivos de Londres é fazer dos Jogos um trampolim para acelerar o desenvolvimento da região leste da capital, criando uma nova âncora econômica para a expansão contínua da cidade, afirma Heather Hancock, sócia da consultoria Deloitte do Reino Unido, que trabalha na organização dos Jogos. Um estudo sob sua coordenação concluiu que sediar um evento global está se tornando uma peça fundamental na agenda de governos ao redor do mundo. Isso porque permite às cidades tomar decisões e executar projetos que normalmente estariam atolados em longos debates e exigências burocráticas.


Essa herança estrutural é o que deve estar na mira das cidades em desenvolvimento que desejam sediar os Jogos, afirma Heather em entrevista à PIB. “O mais importante é oferecer uma infraestrutura de transporte que seja eficiente, confiável e acessível”, aconselha. Na capital britânica, um dos principais benefícios do evento será o investimento feito para a melhoria da infraestrutura urbana, sobretudo da rede de trens e metrôs. “A maioria dos gastos − 75% − não é nas Olimpíadas, mas no legado”, afirma Dan Epstein, chefe de sustentabilidade da Autoridade Olímpica de Londres, numa entrevista a BBC Brasil. Isso indica que apenas um quarto do total investido será canalizado para os Jogos em si. “Não se trata apenas das Olimpíadas, que são apenas um evento de três semanas, mas de desenvolver uma nova parte da cidade pelos próximos cem anos”, afirma Epstein.


Para Heather, os Jogos no Rio serão uma grande oportunidade para o Brasil mostrar uma gama mais ampla de seus cenários, aliando a riqueza cultural à sua excelente herança desportiva. “Será a oportunidade de pôr por terra qualquer percepção de que o Brasil não é um destino turístico totalmente moderno”, acrescenta. 


Finalmente, Heather faz uma recomendação que os políticos, em geral, não costumam seguir à risca. Para que as Olimpíadas transcorram sem problemas, é necessário coordenar e integrar todas as divisões políticas do país − partidos políticos e administrações em todas as esferas, federal, estadual e municipal. “Em Londres, tudo isso foi posto de lado em benefício dos desafios e do planejamento dos Jogos” diz Heather. “Com a governança certa e organizações políticas comprometidas, o ‘Rio 2016’ será realizado no melhor lugar possível.”



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