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Sob as leis do Corão

Respeitar os costumes alheios é essencial para dirigir uma empresa na Arábia Saudita, onde a religião rege a vida

Paulo Striker
Paulo e amigas, em frente a mesquita de Jedá

A pós dois anos na Arábia Saudita liderando a operação da Sadia (hoje BRF Brasil Foods), percebi como nós, brasileiros, damos relativamente pouca atenção a refeição e aos alimentos. No Brasil, sempre verde, as pessoas, em geral, nem se dão conta da abundância e da variedade de produtos que saem do campo para abastecer as cidades. Aqui, em um país quase todo tomado pelo deserto, os alimentos e as refeições tem uma importância radicalmente oposta. O alimento é um bem em si, um produto com grande valor. Para os sauditas, o ato de comer, trivial para nós, constitui um momento de grande importância, tanto no aspecto familiar como no social.


Como se sabe, predomina na Arábia Saudita um ramo fortemente conservador da religião islâmica, que vê com muitas restrições as formas ocidentais de entretenimento, como o cinema e o teatro. A alimentação toma o lugar delas. As famílias são muito grandes, incorporando primos, sobrinhos, tios e avós. As mulheres, em geral, não trabalham fora e passam muitas horas na cozinha. As sextas-feiras, dia de descanso para os muçulmanos, quando a temperatura está agradável – como agora, em que o inverno ameniza um pouco o calor –, qualquer lugar com um pouco de área verde, como as praças e os canteiros centrais de avenidas, fica lotado de famílias fazendo piquenique.


\O país é um grande consumidor de frango – o prato típico é mesmo o arroz com frango. Eles o comem, habitualmente, com a mão, retirando a comida de um prato gigante. Nesses dois anos, fui comer poucas vezes em casa de sauditas, mas deu para perceber que a fartura é impressionante. Convites, em geral, só para eventos de negócios com outros homens. Dificilmente você vai sair para encontrar um saudita, em algum lugar, com as esposas. Isso não tem.


Como o frango é a proteína preferida, a Sadia é uma marca muito forte por aqui. Tanto que a palavra “Sadia” foi incorporada ao vocabulário do país e se tornou sinônimo de frango. O interessante é que a palavra se confunde com Saudi, nome do país, criando uma química entre a empresa e a Arábia Saudita. Mas não é só a comida que torna a vida aqui especial. O fato de o país ser uma monarquia religiosa faz dele um local muito diferente daquilo a que nós, ocidentais, estamos acostumados. Tudo gravita em torno da religião. A lógica dos negócios e dos relacionamentos está calcada nela também. Por exemplo, quando se vai fazer qualquer tipo de negociação, como uma contratação de serviços, a legislação é toda baseada no Corão.


É preciso flexibilidade. Ao me mudar para a Arábia Saudita, tive de ceder a muitos costumes diferentes. E não só eu. Vivemos em um condomínio para expatriados. Dentro dele, há as liberdades que conhecemos no mundo ocidental. Mas, ao sair de casa, minha mulher precisa vestir a abaya – não é uma burca, é uma cobertura preta. Ela não pode dirigir. Não há bebida alcoólica. Estar exposto a uma cultura completamente diferente nos faz rever alguns conceitos e dá uma visão do mundo mais abrangente, além do crescimento profissional almejado. Eu me sinto realizado por poder liderar um processo tão complicado. Quanto a morar em um país tão distinto, tem vantagens e desvantagens. Eu chamo de diferenças.



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