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O protetor das florestas

Depois de comandar uma revolução que transformou a Costa Rica num santuário ecológico, o ambientalista Alvaro Ugalde quer exportar seu modelo verde para o mundo

Andressa Rovani
Mudas para a mata nativa: educação, empréstimos e juros “ecológicos”

Com 4 milhões de habitantes, a Costa Rica, naAmérica Central, é pouco conhecida no Brasil. Pior para nós. Nas últimas décadas, a Costa Rica tem avançado em ritmo surpreendente. O país, que no fim da década de 1940 se notabilizou por eliminar o Exército, conta com 95% da população alfabetizada, abriga um importante centro produtor de chips de computador e é hoje um dos principais destinos mundiais para o ecoturismo.


Ao contrário do que prevalece nos países em desenvolvimento, onde o ambiente paga a conta pelo crescimento acelerado, na Costa Rica as florestas tornaramse grandes aliadas da economia. Atualmente, um quarto de todo o território está sob proteção ambiental. Com o aumento paulatino da área verde, o turismo ecológico ganhou força – o país se considera hoje o “berço do ecoturismo” – e atraiu 2 milhões de visitantes em 2010. Nas contas públicas, o reflexo é claro. O incremento das divisas com turismo representa 7,1% do PIB do país (de US$ 3,4 bilhões) e cresce a um ritmo de 12% ao ano.


Essa transformação, iniciada há 40 anos, tem nome: Alvaro Ugalde. Se hoje a economia costa-riquenha tem motor verde, o mérito é desse biólogo de 64 anos, que ao longo de quatro décadas comandou uma revolução em seu país. Ele trabalhou por 17 anos como funcionário do sistema


nacional de parques, onde pressionou o governo para que protegesse suas florestas e cristalizou na mentalidade dos costa-riquenhos, entre os quais os campesinos, a ideia de que as árvores valem mais em pé do que derrubadas. A Costa Rica tem hoje 32 parques nacionais e, estimase, representa 5% da biodiversidade mundial. Graças a esses resultados, ele recebeu, em 1999, o título de Líder Ambiental do Século, da revista americana Time, entre outros.


Desde 1999, o biólogo se esforça para proteger os mananciais. Ele fundou o Instituto Nectandra, que empresta dinheiro sem juro para qualificar comunidades rurais que administram seus próprios sistema de água. “Era necessário acelerar os programas para salvar o que resta e restaurar, tanto quanto possível, as florestas tropicais”, diz Ugalde em entrevista à PIB.


Sem fins lucrativos, o Nectandra atua em atividades de interesse ecológico. O trabalho começou no rio da Balsa, norte do país. “Quando fizemos a primeira ação, não tínhamos ideia de que o restante das comunidades iria se interessar”, diz o biólogo. “Após seis empréstimos, não temos dúvidas do interesse e da utilidade.”


Em vez de juro financeiro, o instituto cobra das comunidades um juro “verde”. Cada grupo reembolsa o empréstimo e paga “juros ecológicos”, mediante ações como reflorestamento da mata nativa nas propriedades ou dando continuidade à educação ambiental. “Acreditamos que o modelo possa ser exportado para outras bacias hidrográficas da Costa Rica e até mesmo para outros países”, afirma Ugalde. O Brasil deveria ser o primeiro a lhe dar as boas-vindas.



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