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Nas redes do conhecimento

Assim como as empresas, a ciência brasileira também se torna cada vez mais global

Antonio Carlos Santomauro
Chineses no Inpe: cinco satélites na parceria

No fim dos anos 1980, quando os atuais emergentes do século 21 ocupavam posição ainda periférica no mundo, Brasil e China começaram a conversar sobre o desenvolvimento conjunto de satélites de observação terrestre. Passadas pouco mais de duas décadas, a discreta parceria já lançou três satélites, e até 2015 colocará outros dois no espaço. Nesse período, os dois países também ampliaram significativamente sua importância na economia global. O crescimento é acompanhado por outra mudança relevante: também aumentam seus investimentos na geração de conhecimento científico e nas atividades de pesquisa e desenvolvimento  tecnológico.


Mais do que isso, a parceria sino- brasileira é um exemplo de que, assim como a economia está cada vez mais globalizada, também o conhecimento salta fronteiras e passa a ser criado por meio de empreendimentos em escala mundial. A nova importância da ciência feita pelos países emergentes evidenciou-se em estudo divulgado no fim do ano passado pela Unesco, a organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura. O trabalho mapeou a evolução da ciência no mundo e constatou que um país como a China vem aumentando espetacularmente não apenas seu investimento bruto, mas também sua participação relativa na produção global de ciência e pesquisa, enquanto a parcela de responsabilidade dos países ricos declina. No período entre 2002 e 2007, a China aumentou de 5% para 8,9% sua fatia no investimento global em pesquisa e desenvolvimento, medida pelo percentual de seu gasto interno bruto em P&D em relação ao total mundial.


Para a Unesco, os países emergentes “estão criando um ambiente global mais competitivo, desenvolvendo suas potencialidades nas esferas da indústria, da ciência e da tecnologia”. A medida usada no trabalho da Unesco (conhecida pela sigla inglesa Gerd) considera todos  os gastos estatais e privados em P&D feitos num país.  O Brasil teve um avanço bem mais modesto nesse conceito — a fatia do Gerd brasileiro cresceu de 1,6% para 1,8% do total global no mesmo período —, mas o gasto bruto aumentou quase 50% entre 2004 e 2008 (veja tabela ao lado). E parcerias como aquela implementada com a China no setor espacial permitem dizer que ele se tornou menos provinciano, dando ao Brasil a chance de não apenas reforçar a presença entre os países que fazem ciência e criam tecnologia, mas, ao mesmo tempo, aprofundar a inserção nas redes internacionais de pesquisa e desenvolvimento. Entre outras iniciativas recentes, brasileiros começam a trabalhar em parceria com os principais centros europeus de pesquisa física e astronômica, do infinitamente grande ao infinitamente pequeno.


O Brasil tornou-se, no fim de 2010, a primeira nação não europeia a pedir a adesão à Organização Europeia de Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO), atualmente formada por 14 países europeus, que mantêm um conjunto de sofisticados telescópios nos Andes chilenos, nos quais são feitas observações astronômicas de ponta (o ar poluído e as luzes fortes das cidades atrapalham o desempenho dos telescópios ópticos, daí a localização remota do observatório europeu). O país também candidatou-se a uma vaga no Cern (Organização Europeia de Pesquisa Nuclear), sediado em Genebra, na Suíça − hoje o principal centro mundial da física de partículas atômicas. Já trabalham no Cern dezenas de cientistas e engenheiros brasileiros, a título individual ou em projetos conjuntos de universidades e centros de pequisas nacionais.


Ainda à espera de ratificação pelo Congresso, a adesão à ESO re- 1 2 quer investimentos de R$ 700 milhões em dez anos; para participar do Cern, o país despenderá R$ 25 milhões anuais (veja quadro abaixo). A cooperação de pesquisadores brasileiros com seus colegas europeus nas duas organizações contribuirá para elevar os índices do país no ranking de colaboração científica internacional. Hoje, menos de um terço – mais exatamente, 30% − dos artigos publicados por brasileiros tem a colaboração de pesquisadores de outros países. No Reino Unido, esse índice chega a 41%, compara Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenador do capítulo brasileiro do estudo da Unesco citado acima.


O momento, no entanto, é bom para subir degraus: “A ciência no Brasil já atingiu um patamar que facilita as parcerias internacionais, e há muita gente de outros países interessada em parcerias em áreas como bioenergia e agricultura, entre outras”, diz Brito Cruz. Não por coincidência, essas são duas das áreas em que a pesquisa brasileira tem se destacado mundialmente, a partir do momento em que foi capaz de alavancar as vantagens naturais que o país sempre teve − terra, sol, água e biodiversidade abundantes − com um esforço educacional e intelectual sustentado e bem dirigido.


Exemplo do aumento do interesse internacional pelo Brasil como parceiro de pesquisas é a criação, no início do ano passado, de um escritório local do Centre National de La Recherche Scientifique (CNRS) da França, principal instituição estatal francesa de fomento à pesquisa, com orçamento anual de 3,4 bilhões de euros. É um esforço de mão dupla, avalia Jean Pierre Briot, diretor do escritório sediado no Rio de Janeiro. Além de identificar oportunidades de conjugação de esforços, ele também exibirá mais claramente a realidade brasileira para os franceses: “Mostrará que aqui também há pesquisadores, instituições e estruturas de pesquisa de primeira linha”, diz o cientista francês. Entre os projetos desenvolvidos conjuntamente pelo Brasil e pela França com participação do CNRS, Briot cita laboratórios conjuntos para o estudo de magnetismo, imunologia e matemática. Os dois países também estruturam o Centro Franco-Brasileiro de Estudos da Biodiversidade Amazônica (o território da Guiana Francesa, na fronteira norte do Brasil, abriga um pedaço da floresta amazônica). Se a parceria com a França se encaixa no modelo habitual das associações geralmente capitaneadas por nações mais desenvolvidas, o consórcio espacial com a China é um exemplo, infelizmente ainda pouco comum, de parceria entre duas nações emergentes. O que levou o Brasil e a China a buscarem essa parceria lá atrás? Para Thelma Krug, chefe da assessoria de relações internacionais do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (Inpe), de São José dos Campos (SP), instituição coordenadora da participação brasileira no programa, a parceria decorreu de uma confluência de fatores. A China tem necessidades similares às brasileiras − ambos são países com territórios enormes, nos quais os satélites podem ser relevantes ferramentas de observação. Além disso, já mantinha um programa espacial bem estruturado e dispôs-se a transferir tecnologia e a compartilhar custos.


Denominado CBERS − sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres −, o programa conjunto construiu satélites responsáveis pela captação de informações relevantes para o país, como dados relativos ao desmatamento na Amazônia. E do lado da absorção de tecnologia, parece já conferir ao Brasil capacidade para desenvolver um satélite próprio: denominado Amazônia 1, ele deve ser lançado em 2013 ou 2014. Permitiu, também, aos brasileiros estabelecer uma parceria com a Argentina para a construção conjunta de um satélite de monitoramento de oceanos, previsto para ser lançado em 2016. “Além disso, a indústria aeroespacial privada desenvolveu-se muito no Brasil a partir do acordo com a China, e suas empresas já são procuradas para projetos em outros países”, afirma Thelma, do Inpe.


Exemplo de capacitação é a Orbital, também de São José dos Campos (SP), empresa de engenharia aeroespacial que produz os painéissolares para a geração de energia do terceiro satélite sino-brasileiro (CBERS 3), e hoje também presta serviços no Canadá. Tantas ramificações lembram que, na economia do conhecimento, uma semente bem regada costuma multiplicar seus frutos. Se existiam empresas como a Orbital em São José dos Campos, isso se deve ao fato de ter nascido e crescido lá, no interior paulista, um polo tecnológico e industrial nucleado por instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o próprio Inpe. No ITA, estudaram os engenheiros que vieram depois a criar boa parte das empresas que formam a cadeia da indústria aerospacial brasileira, na qual se destaca a Embraer, hoje uma das maiores fabricantes de aviões comerciais do mundo.


Uma das razões para a expansão da atividade científica no país – destacada em edições recentes de revistas internacionais, como a inglesa The Economist e a norte-americana Science − é o aumento dos investimentos em pesquisa. Nos últimos dez anos, o orçamento do Ministério da Ciência e da Tecnologia subiu seis vezes: passou de R$ 1,1 bilhão, no ano 2000, para R$ 6,6 bilhões no ano passado (esse valor não inclui as despesas com pessoal). O Brasil é hoje referência internacional em áreas como energias renováveis, medicina tropical, biotecnologia e agropecuária. Nesta última, a estatal Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é reconhecida no mundo todo pela excelência de sua pesquisa na agropecuária tropical.


A Embrapa, já há algum tempo, mantém parcerias internacionais de pesquisa, mas fincou pé mais decididamente nas redes internacionais de conhecimento por meio de “laboratórios virtuais”, assim chamados por permitirem que cientistas brasileiros trabalhem nas instalações de instituições semelhantes em países estrangeiros. Nos Laboratórios Virtuais da Embrapa no Exterior − os Labex, como são chamados − os pesquisadores da empresa compartilham hoje experiência e recursos com colegas dos Estados Unidos, da Europa e da Coreia do Sul . “E já há demanda para a criação de Labex no Japão e na China”, revela Luciano Nass, coordenador de intercâmbio de conhecimento da Embrapa. No Labex EUA, por exemplo, o portfólio de pesquisas recentes inclui estudos que deram um atestado de sanidade ao rebanho suíno brasileiro, ao descartar que ele pudesse ser fonte de transmissão do vírus H1N1, o agente da gripe suína. Também estão sendo feitos estudos de apoio às ações de agricultura de baixo carbono, utilizadas no manejo sustentável dos solos agrícolas.


Ao escolher onde instalar um laboratório virtual, a Embrapa prioriza os países que dominam conhecimentos de importância estratégica, segundo Nass: isso inclui temas como a biologia avançada, as mudanças climáticas, a sanidade animal e a segurança alimentar, entre outros. Mas, mesmo numa especialidade na qual o país mantém posição hegemônica, como a dos biocombustíveis, os pesquisadores brasileiros sentem a necessidade de estabelecer parcerias internacionais. Tal preocupação se explica: enquanto os estudos de ponta em diversos países privilegiam hoje o desenvolvimento do etanol de segunda geração − ou celulósico −, capaz de aproveitar também o bagaço e a palha da cana-de-açúcar (ou de outras plantas) para produzir o biocombutível, o Brasil ainda trabalha basicamente com o etanol de primeira geração, obtido apenas do beneficiamento do caldo da cana.


O CTBE − Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, em funcionamento há menos de um ano na cidade de Campinas, em São Paulo − pesquisa o etanol celulósico em parceria com centros similares dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Chile e da Suécia. Marco Aurélio Pinheiro Lima, diretor do CTBE, lembra que o Brasil tem condições de assegurar posição privilegiada em termos de eficiência energética também nessa nova geração de biocombustíveis: a cana brasileira gera cerca de 10 toneladas de palha para cada hectare plantado, enquanto no caso do milho, origem do etanol norte-americano, esse índice cai para 4 toneladas. “Temos aqui um professor-visitante dos Estados Unidos”, conta Lima. “Queremos ser, nessa área, centro de referência para pesquisadores do mundo todo.” A equipe do CTBE, mantido pelo governo federal, reúne hoje cerca de 50 pesquisadores e técnicos, e deve chegar a 90 até ofim deste ano.


Inovar é preciso


Mas não basta se tornar mais internacional: para render os efeitos econômicos e sociais esperados das economias do conhecimento, a pesquisa e a ciência brasileiras precisam enfrentar ainda o desafio de integrar-se mais decididamente à atividade econômica privada, criando raízes nas empresas de forma a gerar inovação em produtos e serviços oferecidos no mercado. Nessa área, parece haver ainda longo caminho a ser percorrido. Afinal, lembra Brito Cruz, da Fapesp, em 2009 foram concedidas, nos Estados Unidos, exatas 103 patentes a inventores brasileiros − apenas cinco a mais do que em 2000 (inventores indianos, por comparação, registraram 679 patentes em 2009, ante 131 em 2000).


De acordo com o estudo da Unesco, em 2008 o setor público ainda respondia por 55% do investimento bruto em pesquisa no Brasil, cabendo às empresas os 45% restantes – na União Europeia, o índice Correspondente ao setor privado atinge 65% do total. Na opinião de Brito Cruz, o menor desenvolvimento da pesquisa empresarial não decorre de falta de recursos ou estímulos, pois há aqui ações de fomento competitivas com as de outros países: ele se deve, principalmente, a questões macroeconômicas, como a carga tributária e o custo do capital muito elevados. “Também é preciso mais estímulo à exportação, pois o mercado internacional exige competitividade, o que demanda mais pesquisa”, ele acrescenta.


Sérgio Rezende, ministro da Ciência e da Tecnologia, de 2005 a 2010 — e nome sempre colocado entre os principais responsáveis pelo impulso recente à ciência no Brasil − lembra outro fator: a pesquisa desenvolvida de maneira estruturada é atividade ainda nova no Brasil. “E a inovação é ainda muito mais nova”, ressalta. Rezende – ele mesmo um físico com produção acadêmica constante, mesmo durante seus anos de ministro – acredita que a inovação empresarial deve se desenvolver no Brasil, pois as empresas do país estão atentas a essa necessidade e ela é hoje estimulada por mecanismos institucionais. “Em todos os países, os governos ajudam a promover inovação”, ele enfatiza.


Diversas multinacionais brasileiras já se deram conta de que inovar e criar tecnologia é fundamental e apostam na cooperação internacional. “Atualmente, precisamos buscar competências onde quer que elas estejam”, resume Edmundo Aires, vice-presidente de inovação e tecnologia da petroquímica Braskem. Dona de dois centros de P&D no Brasil e outro nos Estados Unidos, a Braskem também trabalha em parceria com universidades de países como Holanda, Alemanha e Canadá − além das brasileiras, é claro. Seu rol de parceiros na geração de conhecimento inclui, ainda, a produtora norueguesa de enzimas Novozymes − com a qual estuda plásticos ecologicamente sustentáveis − e a anglo- americana Ineos, também do ramo petroquímico, parceira focada nas tecnologias de produção de polietileno. Mas a própria Braskem também é fonte de conhecimento para o mundo. A empresa brasileira é hoje referência internacional em temas como o plástico verde (produzido com base no etanol), diz Aires. “Temos a maior planta de produção desse plástico do mundo, e estamos sendo procurados para construir plantas similares em outros locais”, ele conta.


Outra “internacionalista” experiente é a fabricante de compressores Embraco, de Santa Catarina, que mantém parcerias de pesquisa com universidades da Alemanha, da China, da Suíça e da Romênia (além, obviamente, do Brasil). É também integrante de consórcios internacionais de pesquisas coordenados por universidades dos Estados Unidos e da Escócia, dos quais participam multinacionais como Carrier, Honeywell, PepsiCo e General Electric. Com fábricas em países europeus, asiáticos e americanos, a Embraco estuda, nessas parcerias, não só aplicações para os compressores que fabrica, mas também problemas de acústica − como fazê-los mais silenciosos. “Temos hoje mais de 200 pesquisadores de universidades − 15% deles em outros países − envolvidos em projetos da Embraco”, conta Fabio Klein, gestor de desenvolvimento tecnológico da empresa.


Em meados do ano passado, outra firma brasileira detentora de tecnologia de ponta em sua especialidade − a produtora de papel e celulose Suzano − concluiu a aquisição de uma empresa inglesa de pesquisas, a FuturaGene, especializada em biotecnologia de biocombustíveis e culturas florestais. Avaliada em US$ 82 milhões, essa transação tornou a companhia brasileira – que já detinha 8% da inglesa – proprietária de um vasto banco de dados de informações genéticas vegetais e de um aparato de pesquisa composto de laboratórios nos EUA, em Israel e na China. Tal ativo permite à Suzano tanto aprofundar as pesquisas para a melhoria genética dos cultivos de matérias-primas para a fabricação de papel e celulose, quanto colocarse também como provedora de soluções de biotecnologia para terceiros. Abre-lhe ainda a possibilidade de trabalhar no desenvolvimento de novos produtos, como o etanol celulósico.


Todos esses são exemplos de como a inserção em redes internacionais de pesquisa vai se tornando rotina para as empresas brasileiras dispostas a competir em escala global. Em números, entretanto, é difícil bater a Petrobras no quesito de parcerias internacionais para pesquisas. Apenas em 2009 − último ano para o qual já tem dados consolidados −, a petroleira estatal brasileira estabeleceu 102 dessas ligações: 60 com empresas e 42 com instituições de pesquisas. “Conhecimento é hoje o maior ativo da humanidade, e está disperso pelo mundo”, afirma Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Cenpes (o centro de pesquisas da Petrobras). “Quem tem acesso a ele, onde ele estiver, tem vantagens competitivas.”


Nos últimos cinco anos, a Petrobras dedicou a P&D, em média, algo entre US$ 800 e 900 milhões anuais. No fim do ano passado, inaugurou a ampliação – na qual alocou R$ 900 milhões −, do Cenpes, o maior centro de P&D do hemisfério sul. O Cenpes é o eixo de um conglomerado de laboratórios de diversas multinacionais do mercado de petróleo e energia (veja quadro na página 54). “Prevê- se o Brasil, no futuro, como o maior polo de desenvolvimento de tecnologia nas áreas de petróleo e energia deste século”, diz Fraga. As parcerias internacionais, lembra Thelma, do Inpe, além de novos conhecimentos, geram também efeitos favoráveis na confiança de outros interessados. “Afinal, havendo um parceiro internacional, o setor privado sente mais segurança para colocar recursos, uma vez que fica mais difícil para um governo adiar programas”, pondera.


 



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