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Observatório de Washington

Notícias dos Estados Unidos com um olhar brasileiro

FLÁVIA CARBONARI
Capitólio: mudanças são boas para o Brasil?

Prós e contras do novo Congresso dos EUA para o Brasil


Enquanto liberais americanos e esquerdistas mundo afora lamentavam a derrota dos Democratas na recente eleição legislativa dos EUA, os brasileiros se perguntavam: e para o Brasil, faz diferença? Na opinião de analistas e defensores dos interesses privados brasileiros em Washington, faz sim. Mas não necessariamente para melhor. Em princípio, uma Câmara de Representantes de maioria republicana, como a que foi eleita, poderia ser vantajosa para o Brasil em razão do alinhamento ideológico do partido ao livre comércio. No entanto, em tempos de crise – a mesma que tirou votos de Obama − e de dólar fraco, que estimula uma saída exportadora para a economia americana, o apelo do protecionismo pode falar mais alto. Em pesquisa do Wall Street Journal/NBC News, 52% dos eleitores afirmaram que a abertura comercial prejudica os EUA, parcela que sobe para 61% entre os que se identificam com o Tea Party − o movimento ultraconservador que atropelou os partidos majoritários e se tornou a nova força política no país. Não é à toa que nem os candidatos do Partido Republicano defenderam o livre comércio na campanha eleitoral.


 


Tempo é dinheiro


O novo desenho do Congresso pode ter um impacto imediato sobre os principais temas que interessam ao Brasil: a tarifa de US$ 0,54 sobre as importações de etanol, o crédito fiscal de US$ 0,45 por galão para quem misturar etanol com gasolina e a renovação do Sistema Geral de Preferências (SGP), que beneficia cerca de 10% das exportações para os EUA (leia ao lado). Os três incentivos comerciais expiram no fim de dezembro. O período de transição entre as eleições e a nova legislatura é conhecido como “lame duck” (“pato manco”) – quando não há tempo nem autoridade política para decisões importantes. Se não tiver debate, os incentivos caem. Fontes em Washington apostam na queda, mas dizem que o lobby do etanol prepara contra-ataque: uma proposta, já em discussão, que transforma crédito fi scal em subsídio direto ao produtor.


 


Durma-se com um barulho desses


Se o Congresso não se mexer, o Sistema Geral de Preferências (SGP) perderá a validade. Em 2009, o Brasil foi o quarto mais beneficiado pelo programa, que aplica tarifas alfandegárias mais baixas a produtos de países em desenvolvimento. Dos 230 países dos quais os EUA importam, 131 são beneficiados pelo SGP. Por isso, não só o Brasil está interessado em sua renovação. A grande ameaça agora vem de Haleyville, uma cidadezinha do Alabama que abriga uma indústria de sacos de dormir. A empresa se diz prejudicada por um competidor de Bangladesh, que exporta para os EUA. Representantes do estado no Congresso compraram a briga e ameaçam barrar a renovação do programa.


 


Adversário mais fraco


Apesar da derrota na Câmara, os Democratas mantiveram a maioria no Senado, o que ajudou a enfraquecer um dos maiores adversários do Brasil no Congresso americano, o republicano Chuck Grassley. Senador pelo estado de Iowa, o maior produtor de milho dos Estados Unidos (a matéria-prima do etanol produzido no país), Grassley encabeça o forte lobby que batalha pela manutenção dos subsídios aos produtores americanos e pela saída do Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP). Com a renovação de um terço do Senado, o senador deixará o cargo de líder oposicionista na Comissão de Finanças da Casa, que tem grande influência sobre tarifas, cotas de importação e tratados comerciais.


 


Presente!


No último ano acadêmico dos Estados Unidos, que terminou em maio de 2010, 8.786 brasileiros tiveram aulas em universidades e instituições de ensino no país, o que representou um crescimento de 0,2% com relação ao ano anterior. Na conta dos latino-americanos, os brasileiros ficaram atrás apenas dos mexicanos. Mas, no ano acadêmico anterior, de 2008/2009, com o dólar já mais baixo e a economia brasileira resistente à crise, teve o maior aumento percentual de um ano para outro − 15,7% a mais − de toda a série computada pelo Instituto de Educação Internacional (Institute of International Education). Já a conta de americanos embarcando para as salas de aula no Brasil não para de crescer desde 1995, quando o Instituto começou a fazer um relatório anual. Eram 386 americanos estudando no Brasil em 1995. Hoje, já somam 2.777.



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