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O sentido de ser primeira-dama

Como a economista Pilar Nores de García levou suas ações de combate à pobreza no altiplano peruano a ser adotadas por um programa mundial das Nações Unidas

Nely Caixete
Em ação: inspecionando novo fogão instalado

Imagine uma mulher loura e linda, nascida na Argentina, casada com um presidente popular da América do Sul, que dedica seu trabalho a ajudar a parcela mais pobre da população. Se você pensou em Evita Perón, errou. Economista especializada em desenvolvimento social, Pilar Nores García, de 61 anos, é hoje uma das principais líderes no combate à pobreza na América Latina. Enquanto no Brasil o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou reconhecimento internacional por seus feitos sociais, não distante daqui, no Peru – país onde um terço da população está abaixo da linha da pobreza –, Pilar começa a exportar para o mundo inteiro seu modelo de combate à miséria.


Desenvolvida há quatro anos, a ideia deu origem ao programa Sembrando, presidido por Pilar e mantido por meio de doações do governo peruano e de instituições internacionais, como a Fundação Bill & Melinda Gates. Para melhorar a condição de vida das famílias do altiplano peruano, partiu-se de uma ação singela: trocar os fogões precários utilizados nas áreas de extrema pobreza do país por estruturas mais eficientes, que permitam que a fumaça oriunda da queima do combustível deixe de ser inalada pelos moradores da casa. O sistema é simples, mas os resultados são surpreendentes.


A redução da mortalidade infantil no altiplano peruano jogou luz sobre o Sembrando, que passou a ser visto como uma ferramenta importante para a obtenção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio estabelecidos pela Organização das Nações Unidas. Com isso, a iniciativa foi escolhida pela ONU para ser replicada em todo o mundo por meio da Aliança Mundial por Fogões Limpos, um grande projeto público-privado que pretende substituir o equipamento em 100 milhões de lares no mundo até 2020.


Por ser abastecidos de combustíveis sólidos e não ter saídas para descarte da fumaça, esses fogões arcaicos − o principal meio de cozinhar para cerca de 6 milhões de peruanos e outras centenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento − provocam 1,9 milhão de mortes prematuras por ano no mundo. São crianças que morrem em razão de doenças crônicas, como bronquite, pneumonia, câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e baixo peso ao nascer. A Organização Mundial de Saúde estima que a fumaça nociva que sai desses fogões e lareiras rudimentares seja o quarto pior fator de risco para a saúde dos habitantes desses países. “Esta é uma campanha que nos enche de orgulho porque conseguimos, finalmente, chamar a atenção de grandes instituições internacionais que trabalham com problemas de saúde”, disse Pilar em entrevista a uma rádio peruana durante o lança­mento da aliança em parceria com a ONU, em setembro.


Formada pela Universidade de Córdoba e com mestrado em de­senvolvimento econômico e social, Pilar é mãe de quatro filhos, frutos do casamento de 34 anos com o atu­al presidente peruano, Alan García. Naturalizada peruana, é filha de uma tradicional família argentina – o pai foi governador de Córdoba. Em agosto deste ano, ela e o marido, que se conheceram em Madri nos anos 1970, fizeram as manchetes dos jornais com o anúncio da sepa­ração – o que não impediu a impren­sa peruana de continuar tratando-a como primeira-dama. Nos últimos meses, ela tem viajado por diversos países para expor o sucesso de sua empreitada e convencer instituições internacionais a adotar o modelo e financiá-lo. Em outubro, foi eleita Líder Humanitário do Ano na fes­ta de premiação do Bravo Business Awards, concedido pela revista La­tin Trade, de Miami, a personalida­des de destaque da região.


Afora a chancela recebida pela ONU, muitas nações já mostraram interesse em aplicar o sistema em seus territórios. “Pediram minha co­laboração porque somos os únicos a ter ‘o pé na terra’, com experiência suficiente”, disse Pilar numa entre­vista recente.


Desde sua implantação, o Sem­brando obteve uma redução de 50% das doenças broncopulmonares e diminuiu significativamente a des­nutrição infantil crônica em 70 mil domicílios do Peru (leia mais no quadro ao lado). Em contrapartida, cada fogão instalado custa cerca de 200 sóis (em torno de R$ 120). O sucesso internacional de sua pri­meira-dama é mais um componente no otimismo que vem contaminan­do o Peru, que após longo período de estagnação vem crescendo a um ritmo quase chinês. Após uma bre­ve interrupção por conta da crise fi­nanceira internacional, o país deve fechar este ano com um crescimen­to superior a 8%. Com esse ritmo e a execução cirúrgica de projetos de combate à pobreza, o Peru está a caminho de ser um dos destaques de desenvolvimento econômico e social na América Latina nos pró­ximos anos.



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