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Inovação na floresta

Ao unir novos processos e internacionalização, a Suzano quer chegar aos 100 anos como uma gigante mundial de biotecnologia, não só de papel e celulose

ALESSANDRO GRECO
Maciel: competitividade começa no laboratório

A jornada do Grupo Suzano, o segundo maior produtor de celulose do mundo, tem sido marcada pela inovação desde sua criação pelo imigrante ucraniano Leon Feffer, em 1924. A empresa foi a pioneira no mundo a produzir celulose de eucalipto em larga escala, na década de 1950, e a fazer papel para imprimir e escrever com 100% de celulose de eucaliptos. Passado meio século, a inovação se fixou no DNA da empresa e serve agora de alavanca para ampliar e expandir o raio de ação da Suzano, desta vez no exterior.


No fim de julho, a Suzano anunciou que deve se tornar a maior produtora do mundo de pellets de madeira em 2013, com a produção anual e exportação de 3 milhões de toneladas desses pequenos pedaços de madeira moída, processada e desidratada – a maior empresa de pellets do mundo na área, a estatal finlandesa Vapo, produz 1 milhão toneladas/ano. Fazer pellets, utilizados para substituir o carvão na geração de energia, não tem nenhuma novidade. É o caminho escolhido pela Suzano para chegar até o produto final que é inovador. Ela criou as chamadas “florestas energéticas”, nas quais os eucaliptos foram desenvolvidos a dedo para produzir pellets com alto poder de queima e ciclo de plantio curtíssimo, de dois a três anos em áreas reduzidas. “Ninguém está fazendo isso no mundo. Baixamos violentamente o custo da produção”, afirmou à PIB Antônio Maciel Neto, diretor-presidente da empresa. “A competitividade, aqui, começa no laboratório.”


Os planos para os pellets são ambiciosos e levaram à criação da Suzano Energia Renovável. Em 2015, a nova empresa deve responder por um quinto dos negócios do Grupo Suzano. A produção será toda escoada para a União Europeia, que estabeleceu metas para reduzir a emissão de gás carbônico em 20% até 2020 e ampliar a participação de fontes de energia renovável em sua matriz energética. Com um investimento total de aproximadamente US$ 800 milhões, a nova empresa investirá em três unidades no Nordeste brasileiro para produzir os pellets, cada uma com capacidade de produzir 1 milhão de toneladas até 2014.


A ampliação do foco de atuação da empresa, entrando na área de energia de biomassa, não veio de um dia para o outro. Com um faturamento líquido anual de R$ 4,1 bilhões em 2009, cinco fábricas no Brasil, escritórios comerciais na Argentina, Estados Unidos, Inglaterra, Suíça e China e cerca de 4 mil funcionários, a Suzano passou o último ano e meio trabalhando com diversos parceiros, entre eles a consultoria McKinsey, para responder a uma pergunta: o que quer ser em 2024, quando completa 100 anos. Chegou a uma resposta: uma empresa mundial de papel, celulose, energia de biomassa e biotecnologia.


A entrada no setor de biotecnologia ocorreu praticamente ao mesmo tempo. Para ser exato, duas semanas antes, com a aquisição da inglesa FuturaGene, a segunda maior empresa de biotecnologia do mundo dedicada a plantas (eucalipto, acácias, pinus, algodão, alfafa), por US$ 82 milhões. A compra complementa a estratégia para 2024. A FuturaGene, que tem laboratórios em Israel, na China e nos EUA, gerou, nos últimos oito anos, um banco de dados com milhares de genes de diversas árvores. Juntamente com os mais de 1 100 clones diferentes de eucaliptos desenvolvidos pela Suzano, eles criam a possibilidade de ir diretamente ao DNA das árvores e modificá-las geneticamente. Trata-se de uma estratégia ímpar na busca de eucaliptos que produzam ainda mais por hectare consumindo menos recursos naturais. Isso sem considerar o impacto que a biotecnologia terá na abertura de novas fronteiras para o negócio e que ainda é difícil de ser calculado em números. Segundo Maciel, a empresa continua avaliando possibilidades na área. “Estamos vendo opções relacionadas ao maior ativo da empresa, a base florestal, como o etanol de celulose”, diz ele.


A pesquisa e o desenvolvimento em biotecnologia estão arraigados no futuro deste setor, segundo o professor da FGV Rio Álvaro Cyrino. “Em breve, ela deve gerar um diferencial competitivo”, diz ele. Com 350 mil hectares de eucaliptos plantados, a empresa pretende ter o dobro disso em 2015, apostando em uma produtividade muito maior. “Um ganho de 10% significa 70 mil hectares a menos de terra. Hoje já falamos em conseguir ganhos de 50%. Você imagina o que isso representa em custo?”, aponta Maciel. “Produzir muito mais em áreas menores significa menos uso de água e adubo, por exemplo.”


Ao unir inovação e internacionalização, a Suzano se coloca em uma posição interessante. “As empresas brasileiras que mais investem em inovação são, também, as mais internacionalizadas”, afirmou à PIB Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação e professor da Fundação Dom Cabral. A internacionalização provoca maior demanda em um mercado mais competitivo, o que faz com que haja necessidade de inovação. “Eu diria que é um círculo virtuoso”, diz Arruda.


Biotecnologia e energia de biomassa não seriam, no entanto, uma oportunidade de negócio não fosse pelo fato de no cerne dela estar o conhecimento acumulado pela Suzano em mais 45 anos de pesquisa em eucalipto. Essa tecnologia aliada a clima e terra propícios colocou o Brasil na ponta deste setor. A Suzano conseguiu ganhos de 50% em sua produtividade nos últimos 15 anos – e o setor detém a histórica marca de crescer um eucalipto em sete anos – enquanto no resto do mundo o tempo é de 21.


Nesse cenário, a união de inovação e internacionalização irá tornar ainda mais relevantes as exportações da empresa. Atualmente, 55% do faturamento do Grupo Suzano vem de fora. Até o fim deste ano, o índice será de 60%, ainda sem levar em conta os movimentos feitos com a entrada no setor de biomassa. Ou seja: em 2024, a parcela do faturamento vinda de fora promete ser bem maior. Mas parte continuará vindo de papel e celulose. No caso do papel, a estratégia é focar no Brasil e na América Latina e buscar novas aplicações e produtos. No caso da celulose, o foco é abraçar a oportunidade de crescimento do consumo na China e na Índia. Para suprir esta demanda, a Suzano está construindo duas novas fábricas, uma no Maranhão e outra no Piauí, que devem entrar em funcionamento no segundo semestre de 2013 e 2014, respectivamente, com um investimento de R$ 8 bilhões.


A direção parece acertada. No terceiro trimestre de 2010, o preço da celulose estava 50% maior do que no mesmo período do ano passado, alcançando o valor médio de R$ 1,3 mil a tonelada. “A China está consumindo muita celulose. O cenário é conservadoramente otimista”, afirma Raphael Bidermann, analista do setor de papel e celulose do Bradesco. E completa: “a Suzano deve se beneficiar deste panorama. Hoje, 40% de seu faturamento vem da celulose, e este valor pode chegar a 60%”.


A julgar pelo histórico de sucesso dos processos de inovação da empresa, que começou há décadas transformando eucalipto em papel, os 100 anos devem chegar com uma boa notícia. Sempre inovando.



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