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África à vista

Quase três décadas depois da chegada das multinacionais brasileiras à África, Banco do Brasil e Bradesco unem-se ao português Banco Espírito Santo para identificar oportunidades no continente

ANDRESSA ROVANI
Odebrecht, investindo na África

A internacionalização dos bancos brasileiros, que tem se acelera­do neste ano, ganhou um capítulo inédito há poucos meses: a África. Apesar de empresas brasileiras já estarem na região há quase três décadas – a Odebrecht foi a primeira a chegar a Angola, em 1984 – só agora o sistema bancário brasileiro enxergou oportu­nidades na região. Motivos não faltam: de 2003 a 2009, as exportações brasi­leiras para os países africanos cresceram 20,3%, segun­do dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desen­volvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex). Os negócios de empresas como a Odebrecht, Vale, Camargo Corrêa e CSN, as maiores entre as cerca de 1.390 companhias brasileiras que já se instalaram no continente, são da ordem de US$ 15 bilhões. É nesse mercado que dois bancos brasileiros devem entrar em breve. Bradesco e Banco do Brasil estão em fase de due diligence – pro­cesso de análise de documentos de uma empresa em que são mensu­rados riscos efetivos e potenciais – para adquirir participação no BES África, braço do português Banco Espírito Santo na­quele continente. A holding é resultado de um arranjo socie­tário que reuniu par­ticipações que a ins­tituição portuguesa detinha em diversos bancos espalhados pelo continente – de Cabo Verde, passan­do pela Líbia, Marrocos, Moçam­bique, até Angola e Argélia. “O que nós esperamos é que tanto o BB como o Bradesco comprem uma participação dessa holding, ficando, assim, acionistas dos bancos abaixo dessa holding”, declarou à PIB, em São Paulo, Ricardo Espírito Santo, principal executivo do BES Inves­timento do Brasil. Hoje, o Banco Espírito Santo atua firme no varejo em Angola, com 36 agências. Em Moçambique, está em processo de compra de 26% de uma instituição local, o Moza Banco, e estuda ainda oportunidades na África do Sul. BB e Bradesco, além de mirar o volume crescente de indústrias brasileiras e portuguesas que se instalam no continente, também estão de olho no potencial de mercado que o va­rejo local promete. “A África vai crescer muito”, indica Ricardo. E a BES África pode ser a porta de entrada do sistema financeiro bra­sileiro num mercado ainda a ser desbravado. “Angola, por exem­plo, tem não mais de 600 agências bancárias no país todo, e um terço delas está centralizado em Luanda”, explica. O baixo índice de “banca­rização” da população sinaliza, de fato, investimentos promissores. Segundo Ricardo, apenas três em cada dez angolanos têm hoje conta em banco, herança dos tempos de guerra civil das últimas décadas do século 20, que travaram o desenvol­vimento econômico e a criação de mercados de consumo. “Há 30 anos, a atividade bancária era supérflua nesses países, mas, agora, a parte de serviços começa a crescer”, diz o executivo.


Para Lázaro Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco, a decisão de explorar o mercado africano não deve ser vis­ta como sinal de possível guinada estratégica do segundo maior banco de varejo do Brasil, que prioriza suas operações domésticas. Sim­plesmente, diz ele, surgiu uma boa oportunidade de atuar fora das fronteiras brasileiras, e ela não foi desperdiçada. “Ir para o exterior é uma ação muito cautelosa”, decla­rou Brandão à PIB. “Com a proxi­midade com o Espírito Santo, acha­mos que era uma chance, porque a questão de estrutura fica mais ou menos contornada com o apoio de um banco que está presente lá há longa data. Ainda não é (um sinal de propulsão ao exterior), mas podem surgir oportunidades.”


Se efetivado, o negócio vai inau­gurar uma nova fase das finanças brasileiras na África. Hoje, das 93 dependências de bancos tupiniquins no exterior (agência, escritório de representação ou subsidiária), o continente africano conta com ape­nas uma, segundo estudo feito pela professora da Unicamp (Universi­dade Estadual de Campinas) Maria Cristina Penido de Freitas. “A nova realidade da economia brasileira permite nos colocar hoje em uma posição em que possamos ter tam­bém uma atuação mais destacada no exterior”, diz o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.



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