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Prestes a ser inaugurado, o Dubai World Central é uma cidade aeroportuária vque promete revolucionar as cadeias logísticas globais de ciclos mais rápidos

Michael Canon
Planta da aerocidade de Dubai: centro mundial de logística

As recentes dificuldades financeiras de Dubai produziram notícias que alardeavam sua extinção como centro de negócios e comércio. Sem dúvida, existem problemas gerados pela crise financeira mundial e pela exuberância irracional de uma parte do desenvolvimento em Dubai. Esse emirado árabe, porém, não está sozinho diante de tal dilema. Historicamente, muitas cidades em desenvolvimento acelerado construíram em excesso, depois regrediram em suas taxas de crescimento, mas acabaram absorvendo o excesso de espaço comercial, residencial e industrial à medida que suas economias retomaram seu ritmo histórico de expansão. Isso ocorrerá também em Dubai.


Durante a crise de 2008-2009, a economia de Dubai não parou. O governo manteve o investimento em infraestrutura, e muitas outras áreas, especialmente as relacionadas ao comércio internacional e transportes, continuaram a prosperar. O tráfego de passageiros no Aeroporto Internacional de Dubai cresceu 14% em relação ao primeiro trimestre de 2009. O fluxo de cargas aéreas, 17%. A Emirates Airline, que liga São Paulo a Dubai com um serviço diário sem escalas, assumiu recentemente a primeira posição em receitas por passageiro-quilômetro entre todas as companhias aéreas do mundo.


O Dubai World Central é parte vital dessa infraestrutura, e as obras desse megaprojeto seguiram sem diminuir seu ritmo. Trata-se de uma cidade aeroportuária que vem sendo erguida numa área de 140 quilômetros quadrados em torno do novo Aeroporto Internacional Maktoum. Ela funcionará como um polo multimodal para cadeias de suprimento que exigem ciclos logísticos mais rápidos.


Transportes multimodais e ciclos logísticos rápidos podem parecer termos distantes da realidade dos exportadores brasileiros de pequeno e médio portes, embora, por conta da expansão do comércio exterior, eles estejam bem mais interdependentes do que se poderia esperar. Hoje, 44% das exportações brasileiras são de produtos manufaturados. Muitas das companhias do país navegam de vento em popa no comércio exterior de produtos de valor agregado, ampliando seus negócios internacionais para além da usual pauta de agricultura e mineração. Esses produtos de alto valor, ao contrário das commodities, têm diferentes exigências em termos de cadeia de suprimento, que podem ser sintetizadas em três aspectos: velocidade, conectividade e previsibilidade.


Uma cadeia de suprimento rápida e previsível se traduz em vantagens, como níveis de estoques reduzidos, ciclos mais curtos de vida dos produtos e maior capacidade para atender a flutuações de mercado. Esses são os atributos básicos da logística de ciclo rápido. Além disso, a conectividade proporciona facilidades de acesso a uma variedade de mercados, e o uso, de forma perfeitamente integrada, de todos os modos de transporte necessários − aéreo, marítimo, terrestre e ferroviário. Isso é transporte multimodal.


Se um exportador de equipamentos odontológicos de Ribeirão Preto, por exemplo, desejasse atender o Oriente Médio, o norte da África, os países da Comunidade de Países Independentes (ex-URSS) e o sul da Ásia a partir de uma única localização geográfica, os destinatários, decerto, demandariam um bom desempenho de seus provedores de serviços logísticos. Eles seriam, provavelmente, empresas de logística terceirizadas (3-PLs) ou agenciadores de cargas. Tais companhias precisam ter segurança de que o ambiente regulatório não prejudicará suas garantias de velocidade, conectividade e previsibilidade de transportes e logística necessária para oferecer os padrões de desempenho requeridos. O objetivo do Dubai World Central é criar esse ambiente regulatório.


A história nos mostra que polos de comércio (portos, rios, autoestradas e ferrovias) impulsionam o desenvolvimento econômico. Hoje, os aeroportos são sementes de cidades. Dubai levou isso em séria consideração, e o Dubai World Central é mais um exemplo espantoso de sua visão de longo prazo quanto a esses aspectos. Basta olhar outras regiões do mundo para nos darmos conta do potencial incorporado nesse modelo. Cingapura, Hong Kong, Xangai, Seul, Amsterdã, Frankfurt, Dallas, Memphis e outras cidades globais estão empenhadas na construção desses polos. A brasileiríssima Belo Horizonte está desenvolvendo sua própria cidade aeroportuária.


A maioria das cidades citadas acima sofre com algum tipo de restrição. Dubai não tem tais limitações. A Aerotrópolis de Dubai é um green field project, ou seja, um projeto não sujeito a limitações ambientais, populações encravadas, escassez de terrenos etc. Os planejadores de Dubai perceberam essa oportunidade em 2005, elaboraram seus planos e agora o complexo está pronto para sua inauguração. Dubai sempre foi um polo comercial e logístico e, à medida que a economia mundial começa a se recuperar, que o comércio se acelera e que os estoques se renovam com maior rapidez, deverá se fortalecer ainda mais.


No comércio contemporâneo, as companhias competem com base em suas cadeias de suprimentos. Sem exceção, todas as empresas as têm. Por isso, uma cadeia de suprimentos eficiente contribui imen-samente para um ciclo virtuoso de produção e distribuição. Isso também proporciona força às marcas. As marcas têm medidas de vitalidade que dependem do desempenho de suas cadeias de suprimento. Se o produto não estiver na prateleira no momento em que o cliente o deseja, a marca se desgasta.


Agenciadores de cargas, 3-PLs, companhias aéreas, armadores e outros importantes atores envolvidos acreditam que a economia de Dubai prosperará devido à relevância de seu impacto no desempenho das cadeias de suprimento. Comerciantes de todo o mundo veem a Aerotrópolis de Dubai como a plataforma de logística multimodal de que necessitam para atender seus clientes. O Brasil e os demais países da América do Sul estão, é verdade, a uma longa distância de Dubai. Mas, se mensurarmos a velocidade atual do comércio, concluiremos que toda a região não está assim tão longe.


 



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