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Em nome de Deus

Os preceitos religiosos para a obtenção do selo Halal, que permite exportar alimentos para os países islâmicos

PAOLA REFINETTI
Linha Halal da Perdigão: pioneira

Em nome de Deus, o clemente, o misericordioso. Com essa frase proferida em árabe e a cabeça do animal voltada para Meca, a cidade mais sagrada do islamismo, um degolador muçulmano dá início ao abate Halal. Embora seja, provavelmente, o mais emblemático, este é um do muitos preceitos singulares da chamada “dieta Halal”. Ela é fruto de uma série de normas, explicitadas no Alcorão e nas tradições do profeta Maomé, que são rigorosamente obedecidas por mais de 1,5 bilhão de muçulmanos em todo o mundo. Trata-se de um mercado em crescimento, disputadíssimo, e no qual algumas empresas brasileiras do setor de alimentação já acumulam uma admirável experiência.


Os integrantes das comunidades islâmicas de todos os países, islâmicos ou não, são bastante rígidos no cumprimento das exigências da dieta Halal. Comem frango ou carne de boi desde que o animal tenha sido morto com um único corte, a fim de mitigar seu sofrimento. Além de seu fundamento religioso, esse ritual também melhora a qualidade da carne. No abate tradicional, o boi tem a cabeça perfurada. Nesse caso, além do sofrimento imposto ao animal, devido ao stress intenso, seu organismo libera hormônios como a adrenalina, que comprometem a maciez e o sabor de sua carne.


Essa discussão soaria irrelevante, não fosse o Brasil o maior exportador mundial de proteínas animais, uma liderança que se confirma (e até mesmo se acentua) nos países do Oriente Médio − que, à exceção de Israel, são todos islâmicos. Embora o consumo de carne de porco seja terminantemente proibido pela religião, outras carnes, em especial a de frango, são muito apreciadas pelos muçulmanos. Desde que, obviamente, tragam em sua embalagem a palavra Halal.


Mas o que as exigências dessa dieta significam, em termos práticos, para um efetivo ou potencial exportador de carne para países muçulmanos? A própria expressão Halal, que em árabe quer dizer “permitido”, já dá a primeira pista. “Os alimentos devem estar de acordo com os preceitos da Sharia, a lei sagrada islâmica expressa no Alcorão e consolidada nas tradições do profeta Maomé”, diz o sheik Jihad Hassan Hammadeh, presidente da Associação Mundial da Juventude Islâmica e um dos líderes mais destacados da comunidade muçulmana brasileira.


O passo inicial para qualquer interessado em se estabelecer nos mercados muçulmanos é obter o chamado “selo Halal”, uma certificação de que seus produtos seguem expressamente os preceitos corânicos. No Brasil, ele é concedido pela Central Islâmica Brasileira de Alimentos Halal (Cibal), que integra a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). O selo atesta que a empresa certificada abate seus animais do modo correto: com um único corte na traqueia, esôfago, jugular ou carótida. Mas não só isso. Todo o sangue precisa ser retirado de sua carne. Há uma série de outras exigências em campos muito diversos, como a alimentação dos animais, seu transporte e confinamento.


Eis, no entanto, um território em que as empresas brasileiras acumulam respeitável experiência. O Brasil foi um dos pioneiros na exportação de alimentos para os países muçulmanos. “O abate Halal é a confirmação de uma responsabilidade religiosa perante Allah e o agradecimento pela confiança depositada na Perdigão por milhões de mulçumanos do mundo inteiro”, declarou, por e-mail, a equipe de marketing externo da Brasil Foods, empresa criada com a fusão entre Perdigão e Sadia.


Gigante em seu segmento, a empresa exporta para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Egito, Iêmen, Líbano e Síria, entre outros países muçulmanos. Esses importam carne de frango in natura ou em pedaços, como coxa, peito, asa e miúdos. Importam, também, congelados, como nuggets, hambúrgueres, salsichas de frango e também, em menor escala, carne de boi e laticínios. Quanto à carne de porco, seu consumo é vetado terminantemente pelas autoridades religiosas islâmicas e pelos próprios governos desses países, mesmo os mais secularizados. A própria população a repele. Qualquer produto que traga algum ingrediente de origem suína, mesmo que não se trate de um alimento, é proibido.


Nas últimas duas décadas, à medida que as exportações de carne in natura para o mundo islâmico avançavam rapidamente, houve um aprimoramento dos produtos exportados. Alguns foram desenvolvidos especialmente para os mercados árabes. A Perdigão e a Sadia também desenvolveram embalagens específicas, em inglês e árabe. Nelas, invariavelmente, sobressai o selo Halal. A gaúcha Frango Sul, empresa controlada pelo grupo francês Doux, líder mundial na exportação de aves e embutidos avícolas, é outro player de extrema importância.


Dados do Ministério da Agricultura indicam que as exportações para países árabes somaram US$ 610 milhões apenas em maio, e já respondem por 8,5% da pauta de exportações brasileiras. Esse total de maio, por exemplo, supera em 7,8% o resultado do mesmo mês em 2009. Um indicador estimulante para os gigantescos frigoríficos brasileiros às voltas com a queda de suas exportações para os Estados Unidos e, principalmente, para a Europa.




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