Revista PIB

Faça da Revista PIB a sua home page Terça, 16 de Janeiro de 2018

 

Na exceção africana

Entender as diferentes culturas locais foi essencial para que o executivo obtivesse sucesso em seu trabalho, na sul-africana Johannesburgo

FABIO JANOWSKI*
Fabio com a esposa Sandra e os filhos, Letícia e Bruno: Lições do Johannesburgo.

EM 2006, QUANDO MINHA ESPOSA E eu comunicamos aos familiares e amigos que iríamos nos mudar com nossos dois filhos de Curitiba para Johannesburgo, na África do Sul, quase todos ficaram chocados com a decisão. Diziam que era um lugar de muita pobreza e miséria. De certa forma, essa afirmação está correta quando nos referimos a muitos países africanos. Eles carecem de coisas básicas, como alimentação, saúde, saneamento, estradas, transporte... A África do Sul, no entanto, é uma exceção no continente. Atualmente, sua economia é a mais forte da região, graças ao parque industrial automotivo, a empresas de mineração de ouro e diamante e também às vinícolas da região da Cidade do Cabo, reconhecidas mundialmente pela excelente qualidade dos seus vinhos.


De maneira geral, o país oferece uma boa infraestrutura e boa qualidade de vida. Mas, infelizmente, ainda registra índices de violência bem elevados. Quando recebi a oferta para ser CEO da subsidiária sul-africana da multinacional brasileira Marcopolo, fabricante gaúcha de carrocerias de ônibus, não pensei duas vezes. Era uma grande oportunidade tanto para minha carreira profissional quanto para minha família. Sandra, minha esposa, teria mais tempo para dedicar à educação de nossos filhos, além do fato de que seriam alfabetizados em, pelo menos, duas línguas ao mesmo tempo: português e inglês. Isso, de fato, aconteceu e, hoje, além desses idiomas, Letícia e Bruno aprendem o afrikaans e o zulu na escola. O meu primeiro desafio como CEO da companhia foi a comunicação com os colaboradores do chão de fábrica. Na África do Sul existem nada menos que 11 idiomas oficiais. Ainda bem que a grande maioria dos funcionários falava inglês, mas houve situações em que tive de solicitar ajuda de tradutores para as línguas locais.


Outro desafio foi com a falta de mão de obra especializada. Como na matriz brasileira, montamos um centro de treinamento para formação e reciclagem das pessoas, que foi um valioso investimento para o aumento da produtividade e qualidade. Outro choque cultural, para mim, foi ainda encontrar resquícios da época do apartheid. Apesar de ter terminado há 16 anos, dizer que não existe mais racismo entre brancos e negros seria uma mentira. Infelizmente, eu ainda me deparo com situações constrangedoras, que me fazem refl etir como ser humano. Acredito fielmente que a igualdade e o respeito devem existir entre as pessoas, independentemente de raça, cor, religião, sexo, etc. Entender as diferentes culturas locais foi essencial para que eu tivesse sucesso no meu trabalho. Foi um processo que levou tempo e exigiu muita paciência, desejo de aprender e cabeça aberta. No fi m do ano de 2009, acabei me desligando da empresa para iniciar meu próprio negócio na África do Sul. Juntamente com meu sócio, Miguel Arrata, ex-executivo da Volvo no Brasil, criei a BRAF Automotive. Fornecemos autopeças a montadoras e ao mercado de reposição de veículos comerciais, tanto na África do Sul quanto em outros países africanos.


Devo admitir que não foi nada fácil no início, mas, com o tempo, você acaba se adaptando ao novo ambiente, cultura e pessoas. O aprendizado profissional e a experiência de vida pessoal e familiar têm sido muito gratificantes até aqui. A saudade dos familiares no Brasil e em Portugal é grande, mas procuramos superar esses momentos difíceis interagindo mais em família e com os amigos. Se hoje me perguntarem se eu faria essa mudança de vida novamente, minha resposta seria: Sim! Com certeza!


 


* Fabio Janowski, 37 anos, é sócio-diretor da BRAF Automotive, empresa sul-africana que fornece autopeças a montadoras automobilísticas e ao mercado de reposição.



28/06/2016 -   FIESP destaca a importância da logística para a retomada do crescimento
02/05/2016 -   Movimat divulga detalhes da feira de setembro
03/10/2015 -   O caminho da diferença
03/10/2015 -   Restaurantes, galerias, praias e parques de Miami
03/10/2015 -   A Ásia são muitas
03/10/2015 -   De olho no mundo
03/10/2015 -   Voando sobre o mundo
03/10/2015 -   O mundo é Azul
01/10/2015 -   Um Calatrava no Rio
29/09/2015 -   Hungry and with a big appetite
29/09/2015 -   A bigger share, please?
29/09/2015 -   Passage to India
Totum Editora Revista PIB - 2009 © Todos os Direitos Reservados