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Tiro certeiro da Taurus

A fabricante gaúcha de armas Taurus possui 15% do mercado de pistolas e revólveres nos EUA

ARLETE LORINI, DE PORTO ALEGRE
Sede da Taurus International, em Miami

No início de julho, o engenheiro Jorge Py Velloso, 62 anos, vice-presidente da fabricante de armas Forjas Taurus, de Porto Alegre, estava de malas prontas para Miami, nos Estados Unidos. As viagens de Velloso aos Estados Unidos foram frequentes no último ano, desde que a empresa gaúcha decidiu incrementar a produção de armas em sua subsidiária norte-americana, a Taurus International Manufacturing, Inc (Timi). Com investimentos de US$ 10 milhões, a empresa pretende, até o fim de 2010, produzir cerca de 15 mil armas por mês em território norte-americano – passando a fabricar localmente mais de 10% das armas que comercializa nesse país. Isso significará um aumento de 650% na produção local, já que hoje esse volume se situa ao redor de 2 mil unidades. É um novo passo no processo de internacionalização da companhia, que chegou a Miami em 1981.


A unidade norte-americana funcionava basicamente como importadora das armas fabricadas pela matriz brasileira. Fazia algumas adaptações dos produtos ao mercado local e produzia pouco – cerca de 2 mil pistolas de baixo calibre ao mês. As coisas avançaram bastante. Em 2009, foi de Miami que vieram as melhores notícias para o grupo Taurus. Enquanto as vendas da empresa no mercado brasileiro caíram 13%, a filial de Miami apresentava um crescimento ao redor de 50% no último ano. “Para crescer no segmento de armas, a Taurus percebeu que tem de estar cada vez mais presente no mercado norte-americano”, diz Velloso. As receitas totais do grupo Taurus, em 2009, alcançaram R$ 679,4 milhões.


Considerado o maior mercado de armas do mundo – a estimativa é de que um quarto da população americana adulta possua uma arma −, os EUA foram os grandes responsáveis pelo crescimento recente da Taurus. “Historicamente, as vendas para os Estados Unidos representavam 50% da nossa produção de armas, mas no último ano chegaram a quase 70%”, diz Velloso. “A arma faz parte da cultura norte-americana. Lá, andar armado não choca ninguém.” Entre os fatores que contribuíram para esse crescimento nos últimos anos estão o afrouxamento da legislação para o uso de armas pelo governo George Bush e o temor de que o presidente Barack Obama pudesse retomar algumas das restrições impostas por Bill Clinton. Além disso, episódios como os ataques terroristas de 11 de setembro e os saques pós-furacão Katrina fizeram com a população se sentisse mais insegura e comprasse dos usuários de armas. “O esforço da Taurus em lançar novos produtos a diferenciou dos concorrentes e fez com que ganhasse mercado nos Estados Unidos”, diz Salaverry. Como os americanos veem as armas de fogo como um bem de consumo, estão sempre receptivos às novidades. “Em algumas regiões norteamericanas, o consumidor de armas cobiça sempre o modelo novo ou de um material diferente”, diz Salaverry.


A imagem da arma lá é um tanto parecida com a do celular aqui no Brasil. Nos dois casos, a novidade faz com que o consumidor troque de produto constantemente. Entre as próximas inovações a serem lançadas, a Taurus destaca um revólver feito de polímero, que tem na leveza seu grande atrativo. Reforçando sua estratégia para ampliar sua penetração nos EUA, a Taurus desenvolveu um produto especialmente para o mercado norte-americano e o fabrica em Miami. Trata-se da Taurus Compact Pistol, uma pistola calibre 380. “Detectamos um mercado comprador para esse produto nos Estados Unidos, mas, pela legislação local, não poderíamos importá-lo do Brasil”, diz Velloso. “É uma arma pequena, para defesa pessoal, mas que pode servir também como backup para o mercado policial.” Segundo Salaverry, a expansão da produção em Miami se deve também à redução da competitividade no Brasil, devido à valorização do real, ao aumento do custo da mão de obra e até mesmo do aço, que pode ser encontrado por preços melhores nos Estados Unidos. “Acabou sendo viável fabricar lá fora produtos de nicho, com margens semelhantes às brasileiras”, diz Salaverry. Além de fortalecer sua presença no maior mercado de armas de fogo do mundo, onde detém um share de 15% no segmento de pistolas e revólveres, a Taurus pode também estar abrindo caminho para ingressar no cobiçado fornecimento para a polícia norte-americana. “A Taurus vê o mercado de polícia dos Estados Unidos como uma grande oportunidade, dos usuários de armas. “O esforço da Taurus em lançar novos produtos a diferenciou dos concorrentes e fez com que ganhasse mercado nos Estados Unidos”, diz Salaverry. Como os americanos veem as armas de fogo como um bem de consumo, estão sempre receptivos às novidades. “Em algumas regiões norteamericanas, o consumidor de armas cobiça sempre o modelo novo ou de um material diferente”, diz Salaverry. A imagem da arma lá é um tanto parecida com a do celular aqui no Brasil. Nos dois casos, a novidade faz com que o consumidor troque de produto constantemente. Entre as próximas inovações a serem lançadas, a Taurus destaca um revólver feito de polímero, que tem na leveza seu grande atrativo. Reforçando sua estratégia para ampliar sua penetração nos EUA, a Taurus desenvolveu um produto especialmente para o mercado norte-americano e o fabrica em Miami. Trata-se da Taurus Compact Pistol, uma pistola calibre 380. “Detectamos um mercado comprador para esse produto nos Estados Unidos, mas, pela legislação local, não poderíamos importá-lo do Brasil”, diz Velloso. “É uma arma pequena, para defesa pessoal, mas que pode servir também como backup para o mercado policial.” Segundo Salaverry, a expansão da produção em Miami se deve também à redução da competitividade no Brasil, devido à valorização do real, ao aumento do custo da mão de obra e até mesmo do aço, que pode ser encontrado por preços melhores nos Estados Unidos. “Acabou sendo viável fabricar lá fora produtos de nicho, com margens semelhantes às brasileiras”, diz Salaverry. Além de fortalecer sua presença no maior mercado de armas de fogo do mundo, onde detém um share de 15% no segmento de pistolas e revólveres, a Taurus pode também estar abrindo caminho para ingressar no cobiçado fornecimento para a polícia norte-americana. “A Taurus vê o mercado de polícia dos Estados Unidos como uma grande oportunidade, mas bem difícil”, diz Salaverry, do Banco Geração Futuro. “Ter uma produção local pode ajudar a Taurus nesse processo.”


Hoje, a Taurus comercializa cerca de 250 modelos de armas nos Estados Unidos, a maioria para uso civil. Além do mercado policial, a empresa vê também um grande potencial na venda de armas para caça, no qual ingressou na última década com a aquisição da Rossi, outra mar-ca brasileira. “Estamos adaptando os produtos Rossi para aumentar nossas vendas nesse segmento de mercado”, diz Velloso. A estratégia, segundo ele, é manter os produtos com a marca Rossi, que também desfruta de certa tradição no mercado norte-americano.


Por conta da expansão da produção em Miami, a Taurus vem adicionando cerca de 100 novos funcionários aos seus quadros – e deve fechar 2010 com 270 funcionários em território americano. Mais de 90% dessa força de trabalho é descendente de cubanos. Segundo Velloso, a semelhança da língua espanhola com a portuguesa acaba facilitando a comunicação na fábrica. Há apenas três funcionários brasileiros, e o presidente e vice são americanos. Muitos funcionários da unidade da Flórida foram treinados na sede brasileira da empresa, em Porto Alegre.


Fundada na capital gaúcha, em 1939, a Taurus começou a produzir armas a partir de 1942. No início dos anos 70, foi adquirida pelo grupo norte-americano Bangor Punta, que na época controlava também a fabricante de armas Smith & Wesson, que já foi uma das maiores concorrentes da Taurus no mercado internacional. Foram os norte-americanos que trouxeram tecnologia para a fabricação de armas e implantaram a cultura exportadora na empresa gaúcha. Em 1977, a Taurus foi adquirida por seus próprios executivos na época, entre eles o atual presidente Luis Fernando Costa Estima. Mesmo “renacionalizada”, a empresa jamais retrocedeu em seu espaço aberto no mercado externo. “A internacionalização foi o caminho que encontramos para a empresa crescer”, diz Velloso.


Em 2009, as receitas obtidas no exterior responderam por mais de 60% dos negócios do grupo Taurus. Ele é composto, atualmente, de cinco empresas que, além de armas, também produzem capacetes para motociclistas, máquinas operatrizes, contêineres e papeleiras, ferramentais, peças forjadas e usinadas. Apesar do esforço recente da empresa em diversificar sua produção, as armas continuam sendo o carro-chefe do grupo, respondendo por 80% das exportações totais em 2009, destinadas a cerca de 70 países. Depois dos Estados Unidos, destino de quase 70% das exportações da Taurus, os principais mercados da empresa no exterior são os países da América do Sul, Cingapura, Indonésia, Tailândia e Malásia. Para esses últimos, a Taurus vende basicamente armas para a polícia. Eis algo que espera fazer em breve no mercado norte-americano.


 




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