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É sentar e aprender

As mesas educacionais E-Blocks, do grupo paranaense Positivo, conquistam mercados no exterior como ferramenta de e-learning

MIRIAM KARAN, DE CURITIBA
No ‘teclado’ gigante, cubos removíveis fazem as vezes das teclas

Crianças de quase 40 países mundo afora estão aprendendo matemática com tecnologia desenvolvida e fabricada no Brasil. A Positivo Informática, divisão do grupo Positivo, de Curitiba, está ganhando o mundo com um produto chamado mesa educacional E-Blocks, equipamento totalmente inovador, usado também para alfabetizar em português e ensinar inglês e espanhol como segunda língua. A alfabetização em português possui dois sotaques: o brasileiro e o de Portugal.


As exportações começaram em 2004 e, desde então, vêm crescendo. Muito. De 2007 para 2008, as vendas internacionais aumentaram em 62%. De 2008 para o ano passado, o volume cresceu 252,6%. “Exportamos as mesas educacionais para 38 países, alguns deles berço de inovações tecnológicas, como Estados Unidos, China e Índia”, diz André Caldeira, vice-presidente da Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática. Segundo Caldeira, isso significa o reconhecimento da “qualidade e eficiência dessas soluções”.


O momento do grupo parece mesmo luminoso. “Estamos em plena expansão”, comenta animado o gerente de exportação dessa divisão, Juliano Fontes Fornasaro. “Temos nas mãos um produto novo, com patente internacional e uma série de prêmios.” Um desses prêmios foi concedido pela ONU, em 2005, que considerou as mesas a melhor solução de e-learning.


Outro, em 2008, foi o The World didac Award, uma das mais importantes premiações da área em todo o mundo, concedida pela The Global Trade Association for the Education Industry. “Esses prêmios nos animam a continuar buscando alternativas criativas, colaborativas e globalizadas”, diz Caldeira.


As mesas são compostas de hardware e software, e exigem que a escola já possua o computador. Trata-se de um módulo eletrônico que une o concreto e o abstrato. Visualmente, a mesa educacional é composta de um monitor com placa magnética, simulando um teclado bastante grande, e cubos com letras, números e imagens para serem colocados em “buracos” do console. O mesmo equipamento se presta ao ensino de línguas e de matemática. Apenas os kits de blocos são substituídos. No Brasil, a mesa pode ser usada, ainda, para o ensino de geografia. E permite configurar atividades livremente.


Esse detalhe parece ter sido o que mais agradou aos professores da rede municipal da cidade de São Paulo que participaram do projeto piloto realizado durante dois meses em 2008. Parceria entre a Positivo Informática e a prefeitura paulistana permitiu que dez escolas de educação infantil testassem as mesas. Cerca de 2,6 mil crianças, de 5 e 6 anos, e 70 professores usaram o equipamento e, de acordo com o relatório da Secretaria Municipal de Educação paulistana, a Mesa Alfabeto produziu resultados significativos. Enquanto duas turmas de alunos que não usaram a mesa não apresentaram nenhum progresso no mesmo período, os que a utilizaram obtiveram altos índices de desenvolvimento. O sucesso se repetiu na Colômbia, no México e nos Estados Unidos, países que estão entre os maiores compradores e que registraram “impacto substancial” na aprendizagem, segundo Fornasaro.


No exterior, o Grupo Positivo negocia com governos e escolas privadas por meio de um distribuidor local, oferece treinamento e assistência técnica. O comum, antes do fechamento de um contrato, é a realização de um estudo no próprio país, para avaliar se o método funciona localmente ou se serão necessárias adaptações. Afinal, as mesas educacionais são exportadas para países tão diferentes como a China e alguns de língua árabe. A mesa que ensina matemática é trilíngue – português, espanhol e inglês –, e todas podem ser customizadas de acordo com a demanda do mercado. Elas se destinam a crianças de 3 a 10 anos que frequentam a pré-escola e o ensino fundamental.


As mesas foram desenhadas para o uso de vários alunos ao mesmo tempo. Num laboratório escolar, a média de uso fica entre 4 e 6 crianças. A ideia dos criadores do equipamento foi favorecer a socialização e a colaboração entre os usuários. “É muito diferente de estar sozinho em frente a um computador; cada aluno tem papel em volta da mesa”, afirma Fornasaro, que conta, também, que a estratégia é misturar as crianças, mesclando os mais adiantados com os mais atrasados, ou os rápidos com os lentos, a fim de estimular o equilíbrio entre eles.


As mesas foram objeto de vários estudos elaborados por universidades brasileiras e estrangeiras. Entre eles, figura um realizado por professores da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e outro da Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Ambos atestam que as mesas geram motivação significativa, são de fácil utilização e facilitam a integração abstratos. De acordo com relatório divulgado pelo Positivo, as mesas “propiciam a aprendizagem com propostas lúdicas, desafiadoras e colaborativas, ampliam a socialização, fomentam a pesquisa e a criatividade nas decisões e atendem não somente o trabalho em grupo, mas também os desafios individuais”. O gerente Fornasaro diz que uma série de pesquisas revelou que o equipamento se presta mais ao desenvolvimento da linguagem e à compreensão da matemática. Mas novos módulos, que tratam de outras disciplinas, estão prestes a chegar ao mercado. A cada ano, é apresentada uma novidade. “As mesas são nosso principal produto, e estamos aumentando o portfólio”, avisa.


A previsão de crescimento nas vendas para o exterior, em 2010, será, provavelmente, semelhante ao do ano passado, afirma Fornasaro, sem especificar números. Para isso, a divisão de informática do grupo participa de todas as feiras de educação e tecnologia realizadas no mundo. Nesses eventos, segundo ele, o equipamento “sempre desperta muita curiosidade”.


No balanço divulgado em março, a Positivo Informática informa que fechou 2009 com 16,1% do mercado brasileiro de computadores (em 2004 eram 2,2%), o que significa crescimento de 2,5 pontos percentuais em market share. A companhia se mantém na liderança do mercado brasileiro de computadores há cinco anos consecutivos. A empresa bateu recorde de vendas no ano passado, com 1,778 milhão de unidades, o que representa crescimento de 10,9% em relação a 2008, apesar da retração de 6,4% do mercado brasileiro. A expansão se repetiu nos R$ 2,513 bilhões de faturamento, 12,7% superior ao ano anterior. O lucro líquido total chegou a R$ 127,7 milhões, com margem líquida de 5,9%. Se os computadores são o carro-chefe das vendas no mercado interno, as mesas educacionais são o grande cartão de visitas do grupo no exterior.




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