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O Iraque volta ao mercado

Fazer negócios com o antigo parceiro ainda tem seus truques, mas a exportação de produtos made in Brazil está crescendo

Antonio Carlos Santomauro
Chaya, da Câmara Brasil-Iraque: jeito para contornar dificuldades

Iraque é aquele país invadido e ocupado em 2003 pelo ex-presidente americano George W. Bush, palco de uma guerra sangrenta e ainda hoje sujeito a atentados de grande violência. Até aí, nada de novo – o surpreendente é o Iraque estar voltando a ser, com tudo isso, um destino atraente para os produtos  brasileiros, que já foram muito presentes no país do Oriente Médio nas décadas finais do século 20.


O Brasil vende hoje ao Iraque principalmente alimentos – com  destaque para carnes e açúcar –, mas também medicamentos e cosméticos. Mas como é fazer negócios por lá? Algumas preocupações se apresentam de saída aos eventuais candidatos: a segurança, a logística de transportes e as condições financeiras e institucionais para o funcionamento de um mercado de comércio exterior.


Em todos esses aspectos, o Iraque ainda não é, definitivamente, um parceiro convencional. Na questão da segurança, por exemplo: quais os riscos de uma viagem a Bagdá, a capital, e ao resto do país? Ao menos no norte do país na green zone – região do centro de Bagdá onde estão localizados o governo e boa parte dos representantes de outros países – a situação já é mais tranquila, con-ta Michel Alaby, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB). “Mas fora dessas áreas, será interessante contar com os ser-viços de uma empresa de segurança pessoal”, ele ressalva.


Também nas feiras de negócios e nas viagens de comitivas compostas de representantes de várias empresas, o ambiente é plenamente seguro, acrescenta Jalal Chaya,presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil–Iraque (CCIBI).Na green zone, diz ele, os visitantes hoje encontram hotéis com nível internacional e 43 bancos capazes de fazer transferência eletrônica de fundos; destes, cinco trabalham com cartões MasterCard e Visa. “O uso de cartões de crédito é ainda restrito, mas a infra-estrutura financeira está se estabelecendo novamente”, diz Chaya.


Enquanto a situação não volta ao normal, algumas peculiaridades ajudam a vida do exportador. Tome-se como exemplo os negócios em triangulação com países vizinhos, uma fórmula encontrada na dureza dos anos de guerra. Cerca de US$ 470 milhões em produtos brasileiros entraram no Iraque, no ano passado, por meio de operações triangulares com distribuidores da Jordânia, Síria e Kuwait, na estimativa da CCIBI.


É quase o dobro dos cerca de US$ 250 milhões em exportações diretas no mesmo ano, segundo os números oficiais brasileiros (135% a mais do que em 2008). Esse desvio tem origem em condições históricas peculiares, explica Chaya. “Durante os anos de conflito e embargo comercial impostos ao Iraque, muitos empresários iraquianos estabeleceram as bases de seus negócios no exterior”, diz ele. Por isso, exportações formalmente destinadas a distribuidores de outros países podem ter como desti-no final, na verdade, o Iraque.


É o caso da fabricante de equipamentos cirúrgicos e odontológicos Erwin Guth, de Barueri, em São Paulo. “Exportamos para Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait, e sabemos que de lá alguns de nossos produtos vão para o Iraque”, conta a diretora de exportação Karin Guth, que em 2006 participou de uma feira de negócios em território iraquiano.


Uma situação um pouco diferente é vivida pelo grupo gaúcho Randon, que lá vende autopeças da marca Frasle e já comercializou também reboques, entre outros equipamentos. A Randon desembarca suas remessas na Turquia, pois o principal porto iraquiano ainda está bastante danificado e o distribuidor iraquiano da firma brasileira localiza-se no norte do país, em região próxima do porto turco (por trabalhar com um distribuidor local, a operação não configura uma triangulação).


De acordo com Jascivan Carvalho, gerente da Randon para o Oriente Médio, logo após a segunda guerra do Golfo os negócios com o Iraque tiveram uma retração. “Mas há cerca de cinco anos foram paulatinamente retomados, e hoje apresentam crescimento considerável”, acrescenta Carvalho, hoje instalado em um escritório mantido pelo grupo em Dubai, de onde parte para visitas regulares ao Iraque.


A CCIBI, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), já promoveu a participação de empresários brasileiros em feiras de negócios no Iraque, e agora trabalha na estruturação de um showroom permanente de pro-dutos do Brasil no norte daquele país. Mas um parceiro no próprio Iraque, conhecedor dos trâmites necessários à participação nas licitações locais, pode ser interessante para quem quiser se tornar fornecedor do governo iraquiano, hoje um cliente bastante significativo, destaca Alaby, da Câmara Árabe Brasileira.Segundo Alaby, os trâmites burocráticos necessários à exportação para o Iraque não são distintos daqueles exigidos para qualquer outro país árabe. Esses trâmites incluem a necessária cer­tificação da documentação em uma das Câmaras de Comércio – no caso de carnes, também é indispensável a certificação Halal, que atesta o abate dos animais de acordo com os pre­ceitos da religião islâmica.


As Câmaras, e também o escri­tório comercial mantido desde o ano passado pelo governo iraquia­no em São Paulo, podem oferecer listas de importadores e informa­ções sobre a dimensão e o potencial do mercado iraquiano. Mas, uma vez levantadas as informações, é preciso visitar o país, ressalta Jascivan Carvalho, o executivo do gru­po Randon. “Os empresários locais querem conhecer as pessoas com quem negociam”, diz ele.


“Grandes empresas de todo o mundo hoje buscam realizar ne­gócios no Iraque”, complementa Chaya. “O país tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo, 30 milhões de habitantes, importa 98% do que consome e está recomeçan­do do zero.” O risco maior, nesse caso, é o dos competidores chega­rem antes e mais bem preparados – como em qualquer negócio



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