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A vida real é diferente

A globalização é para valer, mas os países e as culturas continuam a ser muito diversos, foi o que descobriu o executivo brasileiro em seu desafio parisiense

Paulo Salvador
Salvador e família: nada é fácil para os expatriados

EM 2006, TRABALHAVA EM SÃO PAULO numa grande multinacional francesa de hotelaria e fui convidado a participar de um projeto mundial na sede do grupo, em Paris. Trabalhar no coração de uma empresa global e liderar pessoas de outra nacionalidade tudo em língua estrangeira me fez sentir como um equilibrista do circo, que gira vários pratos ao mesmo tempo enquanto transmite tranquilidade para a plateia. Por mais que o mundo dos negócios seja globalizado e as referências de gestão pareçam homogêneas, quando chegamos a um país diferente, vemos que a realidade é outra. Em casa, aprendemos sobre diferenças culturais; somente no exterior é que passamos a aprender sobre diferenças de contexto. As coisas parecem mais demoradas, cometemos equívocos sem perceber, nada é simples, trabalhamos muito mais, ninguém nos entende e não entendemos totalmente o que as pessoas dizem. Tudo parece nebuloso. Um exemplo: quando trabalhava no Brasil e participava de reuniões em Paris, nunca fui cobrado a falar outra língua que não o inglês. Ao assumir minha função na França, as mesmas pessoas com quem me reunia em inglês passaram a falar somente em francês. A influência do contexto passou a não permitir outro idioma que não o francês.


Depois de algum tempo, cada vez que falava em inglês na empresa me sentia um peixe fora d’água. Entrar no contexto leva tempo, exige mente aberta e flexível, interesse cultural, criatividade, otimismo e energia. E toda a família tem de participar do esforço. Quando chegamos, minha mulher e eu lemos sobre história e sociologia da França, e nossos filhos foram matriculados numa escola francesa. No início foi duro. Muito duro. Os velhos amigos ficaram para trás e os novos amigos não vieram tão rápido, como se tivéssemos optado por escolas e guetos de expatriados. Mas o fato é que hoje , passados quatro anos, constituímos uma rede de amigos franceses que, temos certeza, nos acompanharão pelo resto de nossa vida. E também podemos dizer que conhecemos realmente seu savoir-vivre.


O projeto que me levou a Paris terminou em 2009. Resolvi pedir demissão e interromper a carreira de executivo para realizar um sonho antigo de estudar sociologia. E na França – não há lugar melhor. Aqui na Europa todos dizem que este é o momento histórico do Brasil. Há quatro anos, as notícias nos jornais eram sobre violência e desigualdade social. Hoje leio reportagens sobre estabilidade, responsabilidade dos governantes, a riqueza do pré-sal e a explosão da nova classe média. Palestras sobre o Brasil lotam os auditórios das universidades, e os executivos brasileiros têm excelente reputação: somos vistos como simpáticos, cool, resistentes à pressão e hábeis negociadores. Para quem está de mudança, deixo dois conselhos.


O primeiro: planeje o próximo passo. Em uma experiência internacional, o executivo deve dedicar algum tempo a antever a etapa seguinte de sua carreira. O segundo: tenha confiança no fato de ser brasileiro, mas evite a arrogância. Entre fundo no contexto da cultura local (sobretudo da empresa em que vai trabalhar). O filósofo Mario Sergio Cortela diz que uma das coisas mais inteligentes que uma pessoa pode saber é saber que não sabe. Esta frase deveria seguir na mala de qualquer um que está de partida para trabalhar no exterior.


 



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