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06/05/2010

Um novo Xodó

Cresce o número de estrangeiros que estudam o português do Brasil

Flávio de Carvalho Serpa
Hannah Mallinckrodt, nos jardins do King´s College, de Londres: 'Adoro dançar o forró'

Como efeito colateral da crescente exposição do Brasil na mídia internacional, o “brasileiro”, ou o “Brazilian Portuguese”, vem ganhando adeptos mundialmente. O interesse global, antigamente alimentado apenas por música e esportes, ganhou novo alento com a presença relevante do país entre os chamados Brics e pela escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e do Brasil para a Copa do Mundo de Futebol de 2014.


O Brasil, que quase só comparecia no noticiário internacional por causa de mazelas da distribuição de renda e outros males da estagnação, agora frequenta o noticiário positivamente. Os americanos não confundem mais a capital brasileira com Buenos Aires, como no passado. Até ensaiam uma familiaridade com a língua portuguesa, adotando algumas palavras sem traduzi-las, como fez recentemente o Wall Street Journal num artigo sobre o futebol brasileiro: “The paradinha (pronounced par-a-JEEN-ya) is a technique of taking a penalty kick designed to throw off the goalkeeper’s timing”. Além do interesse despertado espontaneamente pela maior presença do Brasil no noticiário, também o Ministério das Relações Exteriores busca incentivar o aprendizado do português. Atualmente, o departamento cultural do Itamaraty coordena e remunera as atividades de 53 leitorados, nome dado aos professores que recebem subsídios do ministério para trabalhar no exterior. Em 2008, eles eram 45 em 36 países (eram 30 em 2006). No ano passado, o Itamaraty registrou 27 292 estudantes matriculados em todo o mundo. A expansão da rede de leitorados é um bom exemplo do êxito dessa modalidade de promoção da língua portuguesa e da cultura brasileira. Ela atinge uma parcela qualificada das populações locais, em especial no âmbito das comunidades acadêmicas e formadoras de opinião.


Como não poderia deixar de ser, o “Brazilian Portuguese” também está presente nas redes sociais da internet, verdadeiros dínamos disseminadores de modismos – mas também de serviços muito práticos. No Facebook, a maior dessas redes, acaba de ser criado um grupo chamado Learn Brazilian Portuguese que, em poucas semanas, já conta com quase 700 membros de todas as partes do mundo. Um levantamento entre os usuários sobre as razões de seu interesse no português brasileiro revela motivações variadas. Entre os adeptos figuram garotas apaixonadas pela música ou capoeira, estudantes que se preparam para o trabalho acadêmico de campo no Brasil e profissionais em busca de oportunidades de negócio. A professora Megwen Loveless, uma das criadoras do grupo Por aqui, também dedicado à propagação do idioma, fez seu doutorado sobre forró e hoje leciona português em Princeton, em Nova Jersey, uma das universidades de elite dos Estados Unidos.


O interesse pela cultura brasileira foi captado quase que no ar pela dramaturga paulista Jhaira, nome artístico que significa “rio de mel” em tupi. “É coisa de índio mesmo, sem sobrenome”, ela brinca. Após uma temporada de imersão na dramaturgia britânica, em Londres, Jhaira passou a coordenar o projeto Com a palavra, um programa na internet que se propõe a unir plateias em países diferentes por meio do português. O projeto conta com o apoio entusiasmado do King’s College, instituição que figura entre as 25 melhores universidades do mundo e é a quarta mais antiga da Inglaterra. De fato, é no ambiente acadêmico que essa tendência pode ser notada mais claramente. Em 2002, a Universidade de Georgetown, em Washington, tinha apenas 70 alunos de português por ano. Hoje, esse número aumentou para mais de 200. De acordo com Bryan McCann, diretor do Programa de Estudos Brasileiros da universidade, a crescente presença do Brasil no cenário internacional vem aumentando o interesse pelo país. “Tivemos de nos adequar a essa demanda crescente”, diz Bryan. “Atualmente, oferecemos três cursos para estudantes de graduação e pós-graduação sobre cultura, política e história brasileira, e ainda cinco turmas de português.”


No passado, gerações dos chamados brazilianists costumavam concluir o curso sem nem ao menos dominar a língua portuguesa, pois assistiam a todas as aulas em inglês. Isso não acontece mais na Georgetown: “Somos a única universidade americana que oferece aulas de história e política brasileira em português”, gaba-se Bryan. Uma das mais destacadas universidades norte-americanas, particularmente na área de relações internacionais, a Georgetown é uma espécie de celeiro da política internacional e diplomacia norte-americanas. Tem cerca de 6 mil alunos em seus cursos de graduação e outros 1 500 matriculados em pós em relações internacionais.


O interesse por nosso idioma estende-se ao Canadá, outra ilha da excelência internacional. Andréa Pacheco Pacífico, professora de Direito e Relações Internacionais no Brasil na York University, Toronto, testemunha: “A crescente importância do Brasil nos fóruns internacionais desperta cada vez mais a vontade de estrangeiros de conhecer o país”, ela diz. São estudantes interessados em fazer negócios com o país, aprender a cultura brasileira e, especialmente, o idioma. Como há pouca informação em inglês para o estudo de determinadas áreas, os acadêmicos começam seu aprendizado pela língua, a fim de poderem ler obras publicadas em português no original. Uma das alunas de Andréa, focada em estudos de Direitos Humanos, fez um curso sobre movimentos sociais na América Latina e decidiu escrever sua monografia final sobre o Movimento Brasileiro dos Trabalhadores sem Teto (MTST). Mas não encontrou nada escrito em inglês. “Por conta dessa lacuna, ela começou a estudar o português, para aprender mais sobre os movimentos sociais no Brasil”, diz Andréa. A York University é a terceira maior universidade do Canadá, com mais de 47 mil alunos de graduação e 6 mil alunos de pósgraduação.


No outro lado do Atlântico, o epicentro do interesse pelo português está no tradicionalíssimo King’s College. Sediado no centro de Londres, a instituição tem mais de 21 mil alunos de 140 países e acaba de assinar um convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com vistas à cooperação e ao intercâmbio de pesquisas acadêmicas.


Mitchell Cutmore, 20 anos, aluno do segundo ano da licenciatura em português e alemão, namorou várias línguas estrangeiras até se deparar com sua paixão pelo português. “No tempo da escola secundária, estudei francês, alemão e até japonês”, diz. “Agora eu amo a língua portuguesa e nem consigo imaginar estudar outra coisa qualquer.” Mitchell apaixonou-se também pela cultura brasileira: “O que mais gosto na faculdade é da nossa Portuguese & Brazilian Society, uma confraria em que os estudantes do departamento dos estudos lusófonos se encontram”, afirma o estudante. “Organizamos eventos sociais. Às vezes, vamos aos bares ou restaurantes brasileiros consumir umas caipirinhas e coxinhas e, aos domingos, dançamos forró.” Mitchell já traçou seus planos para o futuro. Em 2011, pretende passar um semestre em Belo Horizonte, estudando na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Sigo alguns jornalistas brasileiros no Twitter e, às vezes, leio seus artigos em português para manter e melhorar meu nível”, ele diz.


Hannah Mallinckrodt, 19 anos, colega de Mitchell no King’s, herdou do avô o gosto pelo Brasil. “Ele mora em Belém do Pará e, no verão passado, fui lá para conhecer a nova mulher dele. Adorei a comida, a música e o país de um modo geral.” Hannah diz que aprendeu e adora dançar o forró e o brega. “Acho que o Brasil é um país que tem muito a oferecer e, no futuro, decerto terá muita influência no mundo.” Hannah segue notícias do Brasil por seu iPod.


O exótico brasileiro atrai até mesmo gente de cultura mais exótica ainda. É o caso da indiana Amee Virani, 20 anos, da mesma turma: “Gosto de ver capoeira e aprender a dançar samba. Gostaria de passar seis meses no Brasil, estudando e viajando”, diz ela. “Também tenho um amigo bonitão em São Paulo que vou visitar”




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