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Dez 2009/Jan 2010

Na boca do mundo

Exportadora há mais de 40 anos, a Dabi Atlante, de Ribeirão Preto, abriu caminhos no mercado mundial para a indústria brasileira de equipamentos odontológicos

Antonio Carlos Santomauro, de Ribeirão Preto
Caetano Biagi: aposta no mercado externo

Qual seria um equipamento inovador e de alta tecnologia para um consultório dentário? É possível imaginar muita coisa, mas nunca um armário. No entanto, é exatamente um armário que a Dabi Atlante, fabricante de equipamentos odontológicos da cidade paulista de Ribeirão Preto, prepara-se para lançar no mercado mundial.

Não é um móvel como qualquer outro. Trata-se de um armário “inteligente”, que combina identificação de produtos via tecnologia RFID – etiquetas lidas por radiofrequência – com pedidos de compra pela internet.

O equipamento monitora o nível dos estoques dos produtos nele armazenados e, se necessário, envia automaticamente à Dabi Atlante, pela web, os pedidos de reposição. Presta assim um serviço ao dentista e dispensa a figura do vendedor.

O lote dos primeiros 200 armários inteligentes já está sendo fabricado. O equipamento não será vendido, mas sim disponibilizado para clientes selecionados. “Eles serão nossos vendedores”, diz Caetano Biagi, diretor industrial da Dabi Atlante. Engenheiro mecânico (formado pela USP) e administrador, 28 anos, Caetano é herdeiro da família Biagi, controladora da empresa e de um dos maiores grupos produtores de açúcar e álcool do país.

A Dabi Atlante retira hoje do mercado externo – exporta para cerca de 80 países – algo entre 20% e 25% de seu faturamento, número que os controladores não revelam. Ao fazer suas primeiras exportações, na década de 1960, abriu uma oportunidade de internacionalização aproveitada mais tarde por outras empresas do ramo, caso, por exemplo, da Gnatus, igualmente sediada em Ribeirão Preto.

Como pioneira, a Dabi teve o encargo de desbravar o mercado internacional de equipamentos odontológicos para um país mais conhecido como exportador de minerais, café e outras commodities, e nem de longe visto, pelos potenciais clientes, como um produtor de tecnologia.


Patente para armário inteligente

Para conquistar o mercado externo, a empresa resolveu atuar em duas frentes. A primeira, apostar na pesquisa e no desenvolvimento de produtos capazes de combinar qualidade com preços competitivos.

A segunda, buscar compradores inicialmente em países de situação socioeconômica similar à brasileira, em particular os vizinhos da América Latina. Nos anos 1990, chegou a vender para os Estados Unidos, mas preferiu concentrar-se nos mercados em desenvolvimento. Não por muito tempo.

A partir do ano que vem, a Dabi pretende voltar ao mercado norte-americano oferecendo equipamentos de diagnóstico por imagem. Em 2004, a tornou-se a primeira empresa do Hemisfério Sul – e ainda a única – a produzir aparelhos de raios X panorâmicos para odontologia.

O processo de registro desses equipamentos está em andamento junto ao governo norte-americano. A Dabi já pediu também patente mundial para o armário inteligente.

Foi ainda a primeira empresa brasileira a fabricar um consultório no qual os dentistas pudessem trabalhar sentados – antes eles trabalhavam em pé – e produziu as primeiras versões nacionais das chamadas “peças de mão” (os famosos “motorzinhos”).

Caetano associa a busca da inovação à proximidade da empresa com pessoas que detêm as competências necessárias ao desenvolvimento de um projeto – em universidades, empresas e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior. A Dabi, segundo ele, destina 5% de seu faturamento ao investimento em pesquisa e desenvolvimento.

A pioneira brasileira concorre com países tradicionais no setor, como Estados Unidos e Alemanha, e também com os chineses, que jogam com preços mais baixos para ganhar mercado.


Armazem na Apex

A Dabi mantém uma filial em Dubai, onde utiliza o armazém alfandegário da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). O grupo levou também para o exterior sua marca D700, lançada há quatro anos para buscar os mercados de menor poder aquisitivo.

As duas linhas têm o mesmo gênero de produtos e compartilham os recursos de produção da empresa, porém contam com estratégias de comercialização e marketing separadas – a D700 começou a ser exportada para o Paraguai e para a Colômbia.

O mercado latino-americano é a maior aposta da Dabi no futuro próximo. Segundo Caetano, a empresa pretende abrir unidades comerciais próprias nos países vizinhos, dando um passo além da simples exportação. “Queremos oferecer aos clientes nossa filosofia e cultura de trabalho desenvolvida ao longo de seis décadas”, diz ele. “No máximo em 18 meses teremos uma filial no México.”



OLHAR PARA FORA
::
A Dabi Atlante exporta para cerca de
80 países
:: A empresa fatura de
20% a 25% de suas receitas no mercado externo...
:: ...e investe
5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento



fotos: Divulgação (interna e destaque)


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