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Dez 2009/Jan 2010

Beleza brasileira

A indústria da beleza e da higiene começa a abrir os olhos para a infinidade de recursos da biodiversidade amazônica

Antonio Carlos Santomauro
Produtos para massagem da Natura

A indústria da beleza e da higiene figura entre os usuários mais interessados nos insumos da biodiversidade amazônica.

A inglesa The Body Shop, pioneira nas parcerias com comunidades indígenas da região, fez da procedência de seus produtos um dos alicerces da estratégia que a transformou numa empresa global.

Outras marcas internacionais de porte, como Lacroix e Aveda, também se valem da riqueza natural da Amazônia. Entre as brasileiras, a Natura utiliza insumos amazônicos com destaque para a linha Ekos, exportada para França, Argentina, Chile, Peru, México, Colômbia e Bolívia.

Mas o mote ecológico também pode despertar polêmica. A Natura sofreu uma ação movida pelo Ministério Público do Acre relativa ao uso indevido de conhecimentos de uma tribo local chamada Ashaninka, na utilização de um ingrediente de uma palmeira local denominada murumuru (o processo envolve também outras empresas).

Segundo Marcos Vaz, diretor de sustentabilidade da Natura, a companhia esclareceu em juízo que não mantém nenhuma relação com os ashaninkas e teve conhecimento das propriedades do murumuru por meio de estudos feitos por pesquisadores internos, com base em bibliografi a científica sobre as propriedades da palmeira existente desde 1941.

Vaz cita no rol dos insumos amazônicos hoje aproveitados pela Natura itens como a andiroba, a castanha-do-pará e o cumaru, além de sementes de plantas como cacau e maracujá. “Somente da andiroba, em
2008, a empresa adquiriu 8 toneladas da Cooperativa do Médio Juruá, no Amazonas”, acrescenta.

Usada em cremes e sabonetes, a andiroba compõe, com a castanha-do-pará e a copaíba, o trio de produtos amazônicos mais utilizados em produtos de higiene e beleza. No exterior, esses insumos são cada vez mais valorizados, mas os ganhos signifi cativos ainda não chegam aos produtores locais: “Na selva, o produtor recebe algo entre R$ 15 e R$ 20 por 1 litro de óleo de copaíba puro; no exterior, esse óleo é fracionado e vendido por valores superiores a US$
70”, conta Enríquez, da UFPa.


Insumo para cosmético

A copaíba é usada também pela Chamma da Amazônia, fabricante de cosméticos e perfumaria de Belém com uma rede de 13 franquias instaladas principalmente em aeroportos. A Chamma da Amazônia acaba de indicar um representante nos Estados Unidos e negocia a abertura de lojas em Portugal, Espanha, França, Alemanha e países árabes.

“A Amazônia está em alta, e os estrangeiros dispõem-se a pagar mais por produtos trabalhados com sustentabilidade”, diz Ana Sanches, supervisora comercial da empresa. De olho nesse potencial, a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos hoje investe em um projeto destinado a identificar os insumos amazônicos mais aptos ao aproveitamento em cosméticos.

A execução cabe ao Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que definirá também os processos mais adequados à produção de cada um deles. “Esperamos obter ainda este ano as primeiras informações”, afirma João Carlos Basílio da Silva, presidente da associação.

Para ele, a demanda por produtos de higiene e beleza baseados em componentes naturais se manterá crescente. Em menos de dez anos, estima, esses produtos deixarão de constituir apenas um nicho na indústria da beleza e da higiene pessoal e responderão por algo entre 15% e 20% do faturamento global do setor, hoje estimado em US$ 340 bilhões anuais.

Tal oportunidade pede atenção: “Se o Brasil não estiver bem posicionado nesse segmento, outros países o farão”, alerta João Carlos.

foto: Divulgação (interna)


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