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Ago/Set 2009

Denim a jato

A Vicunha Europa aposta na geografia, no planejamento e na agilidade para encarar a concorrência asiática

Suzana Camargo, de Genebra
Gisele Bündchen na passarela: brim brasileiro

A moda sempre foi determinada pelas passarelas e pranchetas dos estilistas europeus. De países como França, Itália e Espanha saem os cortes, padrões, lavagens e tendências para os tecidos que logo estarão nas prateleiras do resto do mundo.

Para ficar mais perto desse mercado estratégico, a brasileira Vicunha Têxtil, uma das maiores fabricantes mundiais de índigo, brim, malhas, filamentos e fibras, mantém uma base de operações na Suíça, na pequena cidade de Gland, entre Lausanne e Genebra.

É de lá que Thomas Dislich, um brasileiro descendente de alemães, atende clientes de toda a Europa e tenta ganhar mercado na ainda incipiente retomada econômica pós-crise.

Sua arma é a agilidade na resposta aos pedidos. A recessão global fez com que os compradores se retraíssem e deixassem de tomar as decisões de compra no momento certo. “Mas, agora, estão vendo as prateleiras vazias e precisam fazer pedidos com rapidez”, diz ele.


Entrega rápida

A Vicunha Europa trabalha fortemente o marketing da entrega rápida aos clientes – Denim and flats in three days (brim e algodão/sarja em três dias) – para competir com os concorrentes asiáticos, especialmente chineses e indianos.

O prazo curto também é importante para conquistar clientes inovadores como a Zara (uma das marcas do grupo espanhol Inditex). A cadeia de lojas, fenômeno de crescimento internacional nas últimas décadas, criou um modelo de negócios ancorado nas coleções de moda renovadas constantemente, em cima das tendências do momento.

“Se algo está vendendo bem, eles começam a produzir mais rapidamente”, afirma Dislich. “Para isso, precisam de um fornecedor que também seja rápido.”


Geografia a favor

Como a Vicunha Europa consegue entregar os pedidos com a agilidade prometida? Para come çar, ela explora a vantagem geográfica de produzir na América do Sul.

Todo o tecido vendido no mercado europeu é embarcado no porto cearense de Mucuripe, em Fortaleza, a última parada brasileira dos navios que têm como destino a Europa. A produção exportada para lá concentra- se nas fábricas da Vicunha no Ceará e no Rio Grande do Norte – a empresa tem unidades também em São Paulo e, mais recentemente, no Equador.

A viagem entre o Nordeste brasileiro e o porto de Rotterdam, na Holanda, leva de 9 a 12 dias, enquanto os tecidos dos fabricantes asiáticos precisam de 40 dias, em média, para chegar ao mesmo destino.

Em Rotterdam, o centro logístico da Europa, a Vicunha tem um armazém central que recebe carregamentos duas vezes por semana. Com um estoque regular de 3 milhões de metros de brim e 1 milhão de metros de algodão no local, a empresa consegue atender rapidamente às demandas de qualquer cliente.


Real forte

Exportadora desde o começo da década de 80, a Vicunha Têxtil tem subsidiárias nos Estados Unidos, Argentina, China, além da Europa. Fatura anualmente R$ 1,38 bilhão e vende no mercado externo cerca de 30% de sua produção.

O escritório suíço de Gland controla o braço europeu dessa rede complexa de distribuição. Com Dislich, fluente em seis idiomas, trabalham dez pessoas de várias nacionalidades e 40 colaboradores terceirizados.

“É preciso falar a língua e, principalmente, conhecer a cultura do país dos seus clientes para poder atender bem e oferecer o produto mais adequado”, diz ele.

Ainda assim, os dois últimos anos foram difíceis para a Vicunha Europa. Com o real supervalorizado, os tecidos brasileiros ficaram caros, e as vendas caíram de 2007 para 2008.


Esforço em dobro

Neste ano, com a retração da economia, está sendo necessário um esforço de venda maior. “A crise atinge todo mundo e a gente hoje luta o dobro por qualquer pedido”, diz o diretor da empresa. “O clima de consumo está afetado, mas, pelo que sei, nossas fábricas são as únicas do setor que ainda estão trabalhando com 100% da capacidade.”

Na crise, a qualidade também é arma fundamental. Além da Inditex (da Zara), a Vicunha fornece tecidos para marcas como H&M, Benetton, Mango, Replay, Tommy Hilf iger, Calvin Klein, Diesel e DKNY.

Para se diferenciar dos competidores asiáticos, a empresa procura oferecer padronagens especiais e cortes inovadores a cada estação. Seus designers e engenheiros têxteis estão trabalhando agora com tecidos para o inverno de 2011.

“Procuramos ser criadores, e não copiadores de moda”, afirma Dislich. Os novos produtos serão lançados em junho do ano que vem no Denim by Première Vision, o megaevento que apresenta em Paris as novidades do mercado têxtil mundial.


Desbravando o Oriente

A Vicunha Têxtil tem capacidade de produção de 12 milhões de metros de índigo e brim por mês, sem falar em outros tecidos, o que, segundo Dislich, a torna uma das poucas fabricantes do mundo com porte para abastecer diversos mercados.

E, ainda que as vendas no continente europeu representem apenas 7% do faturamento do segmento denim da Vicunha Têxtil, o negócio se mostrou uma fórmula promissora para a empresa.

Dislich assumiu recentemente o comando da filial asiática da Vicunha, em Xangai, na China. Pretende implementar lá o modelo operacional utilizado na Europa, mas reconhece que a Ásia tem um mercado interno muito complexo.

“A China, por exemplo, é imensa, pujante, atraente, mas completamente diferente de qualquer coisa que a gente conheça”, diz ele. Trata- se do segundo dos oito maiores produtores têxteis no mundo hoje – Brasil, China, Egito, Índia, Itália, Coreia do Sul, Turquia e Estados Unidos.

O executivo quer ter na Ásia uma capacidade de resposta tão rápida como na Europa, de maneira a oferecer às filiais asiáticas das grandes marcas e às cadeias de varejo o mesmo produto vendido nas lojas europeias. “O futuro da Vicunha é ser uma empresa global, atendendo clientes globais”, resume Dislich.

fotos: Márcia Vasoli (Gisele Bündchen) e Divulgação (home)


CRESCENDO NA CRISE

Assim como outros setores de negócios, o mercado de fios e tecidos também foi atingido pelo terremoto econômico do ano passado. Segundo levantamento da Federação Internacional dos Fabricantes Têxteis (ITMF), no quarto trimestre de 2008 a produção caiu acentuadamente em comparação com os dois trimestres anteriores do mesmo ano. Mas o golpe não foi igualmente distribuído – o mercado se retraiu na Europa e na América do Norte, mas cresceu na Ásia e na América do Sul. Saiba mais sobre o setor:

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Em 2008, a produção de fi os teve uma queda de 19,9% nos Estados Unidos e de 14,6% na Europa. A América Latina, ao contrário, registrou um aumento de 5,4% no ano.

:: Já a produção de tecidos fechou 2008 com alta de 23,3% no Brasil, mesmo tendo caído 4,7% no último trimestre. Os países europeus amargaram queda de 9,6% no ano.

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Com capacidade para produzir 400 milhões de metros do tecido por ano – cerca de 6% do total mundial –, os fabricantes brasileiros de denim exportaram US$ 104 milhões* em 2008. As fábricas da Ásia ainda respondem por mais da metade da produção mundial de denim.

* Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT)



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