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Mai/Jun 2009

Irlanda com sotaque brasileiro

Mais de 20 mil brasileiros trabalham na Irlanda, mas as empresas ainda não descobriram o Tigre Celta

Michael Hoey*
A renovada Dublin: 5% do PIB em obras de infraestrutura

Quando cheguei ao Brasil como embaixador, em agosto de 2006, pude falar aos meus anfitriões brasileiros do desenvolvimento dramático da economia da Irlanda nos últimos dez anos.

O Tigre Celta, como a economia irlandesa ficou conhecida, transformara-se numa das economias mundiais mais dinâmicas, abertas e globalizadas do mundo, com comércio exterior e conexões de investimento extensas.

Como membro da União Europeia (UE), a Irlanda é parte de um mercado único de mais de 400 milhões de pessoas e divide uma moeda comum, o euro, com 15 outros estados membros da União Europeia.

A Irlanda é agora mais bem conhecida pelos brasileiros, uma vez que, a cada ano, mais de 4 000 brasileiros escolhem o país para estudar. Outros 20 000 brasileiros mudaram-se para a Irlanda beneficiando- se do rápido crescimento da economia nos últimos anos.

Na cidade de Gort, no oeste do país, quase 40% da população é constituída por brasileiros. Muitos são de Anápolis (GO), e alguns deles, ao voltar, pintaram suas casas com as cores da bandeira irlandesa – verde, branco e laranja!


Procuram-se investidores

No último ano, a Irlanda, assim como muitos outros países, foi afetada pela crise econômica global. Estima-se que o PNB diminua 4,5% e que o desemprego cresça 9% em 2009. O governo tem tomado medidas fortes de correção, e já está gastando 5% do PIB na infraestrutura da capital. Esta medida coloca a Irlanda em sintonia com os pacotes de estímulo anunciados em outras economias.

Estamos em melhores condições de emergir de dificuldades atuais do que no passado. A inovação e o dinamismo que caracterizam tão bem a indústria brasileira também são encontrados na Irlanda. É, no entanto, frustrante que mais empresas brasileiras ainda não tenham considerado as possibilidades que o país oferece.

Pelo contrário, um pequeno número de empresas irlandesas tem agora presença no mercado brasileiro. É o caso, por exemplo, da indústria de alimentos Kerry, que emprega mais de 600 pessoas em sua fábrica em Campinas.


Porta de entrada

É importante que as empresas brasileiras descubram que a Irlanda pode ser a melhor porta de entrada ao mercado europeu. Corporações globais que se instalaram ali descobriram uma força de trabalho altamente qualificada, com grande capacidade de se aperfeiçoar, inovar e iniciar novos processos capazes de tornar o negócio mais dinâmico, eficiente e lucrativo.

Fortes parcerias de trabalho entre universidades e empresas internacionais aumentam dia a dia. Esta é a razão pela qual quase 1 000 empresas estrangeiras decidiram ter uma base na Irlanda.

Outro atrativo é o sistema de tributação irlandês – aberto e transparente. A lei de tributação sobre investimentos prevê alíquota de imposto de 12,5% sobre todos os lucros comerciais, tanto para as empresas locais quanto multinacionais. Uma alíquota de 25% aplica-se a rendimentos não comerciais.

As empresas brasileiras interessadas podem entrar em contato com a agência promocional de investimento na Irlanda, IDA Ireland - Industrial Development Agency, que tem apoio do governo.


Da Irlanda para o mundo

Hoje, muitas companhias internacionais utilizam a Irlanda como plataforma para atuar no restante da Europa e em outras regiões em setores diversos, como e-Business, Engenharia, Tecnologia da Comunicação e Informação (TCI), Ciências Humanas, Serviços de Negócios Financeiros e de Serviços Globalmente Negociados.

Os chips da Intel para o mercado do Oriente Médio Europeu e da África são feitos na Irlanda. As empresas líderes de internet têm ali suas maiores operações, entre as quais o Google, Yahoo!, Amazon, eBay, Facebook e PayPal, para citar apenas algumas.

Quatorze dos 15 laboratórios farmacêuticos líderes no mundo têm uma presença operacional na Irlanda – caso da Pfizer, Johnson & Johnson, GlaxoSmithKline, Schering-Plough e Wyeth Medica. A Irlanda também é uma das maiores exportadoras de software do mundo. Empresas como a Intel e Wyeth mantêm ali bases mundiais para algumas de suas operações com maior grau de complexidade.

Espero que os investidores brasileiros vejam que a Irlanda lhes oferece uma base estável, lucrativa e de língua inglesa para suprir os mercados mundiais.


*Michael Hoey é embaixador da Irlanda no Brasil

Representação da IDA Ireland no Brasil: Renate Buzon
E-mail: renate.buzon@ida.ie



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