Revista PIB

Faça da Revista PIB a sua home page Sábado, 25 de Novembro de 2017

 

Mai/Jun 2009

A Índia como ela é

Consultor indiano diz o que é verdade e o que é mito na novela da Globo

José Ruy Gandra
Caminho das Índias: tem certeza que a Índia é assim?
Sócio da Jay Group, uma consultoria especializada nos mercados do bloco Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o indiano Rakesh Vaidyanathan segue com extrema atenção a novela Caminho das Índias.

Às vezes, encanta-se com a fidelidade com que seu país natal é retratado na tela. Às vezes, não. Veja os comentários de Rakesh sobre o grau de realismo de temas abordados na trama.


:: A GLOBALIZAÇÃO :: Diferentemente de Opash (Tony Ramos), um comerciante tradicionalíssimo contrário à expansão de seus negócios, o indiano moderno preza muito o dinheiro e o status - e a mobilidade social necessária para alcançá-los. O indiano adota e respeita todas as práticas que se mostram efetivas no ocidente. Essa abertura só não alcança o sistema de castas, ainda muito arraigado socialmente.


:: AS FAMÍLIAS :: Numa comparação com o mundo corporativo, a família indiana é uma espécie de sociedade limitada, sem ações na bolsa nem governança corporativa, mas com uma visão muito sólida de longo prazo, voltada à perpetuação de seus valores e atividades por muitas gerações.

Laksmi (a atriz Laura Cardoso), mãe de Opash, personifica muito bem esse espírito. Já no ocidente as famílias são como sociedades anônimas. Elas respeitam os acionistas minoritários e são mais transparentes, mas vivem focadas no curto prazo, pois têm de gerar retorno rápido aos acionistas.


:: OS CASAMENTOS :: Até poucas décadas atrás, a realidade era muito parecida com a retratada na novela. Hoje, porém, há muito mais peso pessoal e poder de veto dos noivos. Mas a família ainda apita muito mais na escolha da esposa ou marido que no ocidente. A liberdade, portanto, existe; mas a aprovação familiar ainda é um fator psicológico muito importante. Opash é um ótimo retrato, mas um tanto caricato. Ele lembra a Índia de 50 anos atrás.


:: AS MULHERES :: Primeiramente, a mulher indiana não é tão mimada. E nem fica dançando o tempo inteiro em casa. Muitas delas trabalham. É mais difícil para a mulher indiana entrar no mercado de trabalho que no ocidente; mas, depois que entra, ela é muito respeitada no ambiente corporativo.

O número de mulheres em altos cargos na Índia é, comparadas as populações, muito maior que no Brasil. Hoje sua presença é marcante nos setores financeiro, de TI, bens de consumo e biotecnologia.


:: AS CASTAS :: Na verdade, não há apenas quatro castas na Índia, e sim cerca de 7 mil. A casta é uma cota hereditária para o exercício de determinada profissão – algo muito próximo, guardadas as devidas proporções, das corporações de ofício do renascimento comercial europeu.

Com a globalização, as castas perderam muito de sua importância. Nas grandes metrópoles indianas, como Nova Déli, por exemplo, elas já não são tão relevantes. Mesmo assim, os casamentos ainda se dão predominantemente entre pessoas da mesma casta.


:: OS DALITS :: Dalit, em híndi, significa os esmagados. Gandhi combateu essa desigualdade tratando os como “filhos especiais de Deus”. A constituição indiana não faz menções específicas às castas, pois considera todos os habitantes do país seus cidadãos; mas reserva cotas na educação para os dalits.

Em suma: hoje, legalmente, todos os indianos são iguais, mas o preconceito contra os dalits persiste, e sua superação ainda parece distante. Em áreas rurais, os dalits ainda são mortos caso, por exemplo, entrem num templo.


:: OS AUSPÍCIOS :: A astrologia é algo muito presente na sociedade indiana. Há muitos astrólogos na Índia. É uma paixão equivalente ao futebol no Brasil. Mesmo grandes corporações consultam astrólogos, em busca do momento mais propício para fechar um grande negócio.

foto: Divulgação


28/06/2016 -   FIESP destaca a importância da logística para a retomada do crescimento
02/05/2016 -   Movimat divulga detalhes da feira de setembro
03/10/2015 -   Restaurantes, galerias, praias e parques de Miami
03/10/2015 -   A Ásia são muitas
03/10/2015 -   De olho no mundo
03/10/2015 -   Voando sobre o mundo
03/10/2015 -   O mundo é Azul
03/10/2015 -   O caminho da diferença
01/10/2015 -   Um Calatrava no Rio
29/09/2015 -   Hungry and with a big appetite
29/09/2015 -   A bigger share, please?
29/09/2015 -   Passage to India
Totum Editora Revista PIB - 2009 © Todos os Direitos Reservados