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Mai/Jun 2009

O futuro ao celular pertence

Nelson Mattos, o único brasileiro no alto escalão da Google, fala sobre o trabalho na gigante da Internet

Suzana Camargo
Nelson Mattos, VP da Google na Europa, na sede de Zurique
Não foi difícil achá-lo. Bastou dar um google na internet com as palavras certas e lá estava o nome dele: Nelson Mattos.

O atual vice-presidente de Engenharia da Google para Europa, África e Oriente Médio é um gaúcho que deixou o Brasil em 1984, aos 25 anos, para fazer um doutorado em Ciências da Computação na Universidade de Kaiserslautern, na Alemanha.

Acabou se tornando professor da própria universidade, e logo em seguida foi convidado para trabalhar na IBM nos Estados Unidos, onde ficou 16 anos. Desde 2007, comanda, da Suíça, engenheiros que procuram criar diariamente novos aplicativos para tornar os serviços da Google mais atraentes e rápidos.

O escritório, em Zurique, mais parece um grande playground para jovens adultos. Tem salas de games, mesas de sinuca, academia de ginástica, espaço para massagens e relaxamento. Foi lá que Nelson Mattos falou à PIB sobre o futuro da internet, as diferenças entre os usuários da web no mundo e o fascínio de trabalhar na empresa que virou sinônimo de internet. Principais tópicos da entrevista:


O Brasil, o computador e a importância do celular na internet

O mercado brasileiro é importante porque tem uma quantidade muito grande de gente com acesso à internet. E é um país onde a utilização do telefone celular cresceu vertiginosamente nos últimos anos.

O celular vai ser a nova maneira de ter mais usuários utilizando os aplicativos da internet. Se você pensar na quantidade de pessoas que têm telefone no Brasil e ainda não dispõem dessa tecnologia, poderá imaginar o mercado promissor que se abre para o futuro.

Por que as pessoas vão ter um computador em casa, se elas podem simplesmente usar o telefone celular para acessar a rede mundial e seus serviços? Se houver um rápido desenvolvimento tecnológico dos celulares, eu imagino que muita gente que já usa o telefone móvel não vai precisar usar o computador.

Para isso, será necessário desenvolver celulares com teclados mais eficientes e melhor conexão. Não sei se demora um ano, dois ou cinco, mas posso antever o dia em que não vai haver vantagem em usar algo mais do que o celular para ter a internet nas mãos.


O impacto da difusão da internet via celular

Em pouco tempo, talvez o teclado já não seja mais necessário, pois bastará um comando de voz para acessar um menu no celular. Pode-se imaginar, então, que os países em desenvolvimento, que não têm um nível educacional alto, terão muito mais acesso à informação e à internet em geral.

Atualmente, é necessário ler e escrever bem para trabalhar com um computador. Para conseguir resultados, digitar corretamente é essencial. Voz, todo mundo tem e todo mundo sabe falar.


O desafio de trabalhar em regiões tão diferentes entre si quanto Europa, África e Oriente Médio

Esses três mercados têm características completamente distintas. Para mim, isso é um prato cheio, sempre tive muito interesse em usar tecnologia em lugares onde os pré-requisitos são diferentes. Só na África estive quatro vezes no ano passado.

Temos dez grandes laboratórios do Google em cinco países nessa área – Suíça, Irlanda, Inglaterra, Dinamarca e Israel. O de Zurique é o maior deles, com funcionários de 50 nacionalidades. Precisamos ter engenheiros que entendam as necessidades e restrições locais.

A consulta na internet pelo telefone celular, por exemplo, é extremamente popular em países em desenvolvimento, como Índia, China e mesmo o Brasil, mas não é utilizada em grande volume nos países desenvolvidos, onde a maioria das pessoas tem uma excelente conexão via computador a baixo custo.

O blogging é extremamente popular na França e em países do Leste Europeu, onde praticamente todo mundo tem o seu blog. Na Escandinávia, as pessoas leem mais de um jornal por dia, em média dois ou três, por isso usam a internet para consultas complementares ao que já leram.

Já na Suíça, Áustria e Alemanha, as pessoas leem, no máximo, um jornal por dia, daí o usuário fazer buscas muito mais abrangentes e usar a rede para saber o que está acontecendo no mundo.


Quais produtos da Google podem ser melhorados, e como

Todos eles podem ser melhorados. Quando o usuário utiliza algum produto, ele sempre pensa que poderia haver algo para torná-lo melhor, mais interessante ou mais fácil de usar.

Mesmo que um produto seja perfeito no sentido de rodar bem, eficiente ou responda rapidamente à consulta, o usuário sempre tem novas ideias de como aprimorá-lo. O próprio serviço de busca de informações ainda precisa ser melhorado.

Recentemente, nós criamos uma ferramenta que tenta descobrir instantaneamente o que o usuário está procurando. Quando você começa a digitar as primeiras letras da palavra, já aparecem várias opções de nomes e assuntos.

Já conseguimos também filtrar o resultado por segmentos: vídeos, imagens, notícias e páginas sobre um determinado assunto. Um dos grandes investimentos na área de busca é descobrir exatamente o que o usuário quer.

Se eu digito a palavra pizza, por exemplo, provavelmente eu quero saber o endereço das pizzarias mais próximas da minha casa, e não a origem da palavra pizza. No futuro, temos de entender o que o usuário está procurando e processar a resposta da forma mais consistente e eficiente possível.


O que é preciso para trabalhar na Google e qual é a sensação de fazer parte de uma empresa inovadora

Bem, eu não nasci na era da informática nem passo o dia todo na frente do computador. O essencial é ter um bom entendimento do comportamento do usuário e da arquitetura de um computador.

A Google é fascinante para alguém da área técnica, como eu, por todos os desafios tecnológicos que já resolveu ou está tentando resolver. Do ponto de vista empresarial, procura criar um ambiente interno extremamente estimulante para que os funcionários sejam inovadores e produtivos.

Toda a estrutura de gerência é completamente diferente da de empresas tradicionais. Confesso que depois que passei a trabalhar na Google virei o cara mais cool do mundo para meus filhos e sobrinhos.


Os atributos profissionais mais valorizados dos executivos brasileiros no exterior

Para ter sucesso nas empresas internacionais, e em particular nas empresas multiculturais e multimídias como a Google, acho que essencial é ter conhecimento técnico muito sólido, excelente base multicultural, fluência no inglês, comprometimento e dinamismo.


O futuro da Apple sem Steve Jobs

A Apple sempre foi uma empresa de inovações impressionantes. Ela revolucionou a interface com o usuário por meio do Macintosh, e faz o mesmo hoje com o iPhone. Não há dúvida de que Jobs é brilhante, mas a Apple criou um histórico e um ambiente interno que permitem resultados coletivos.


Um conselho para quem tem 22 anos, 50 mil dólares no bolso e quer começar um negócio na internet

Com a experiência que tenho hoje, eu não começaria com US$ 50 000. Iria até a Califórnia conversar com alguns investidores para ver como eles conseguiriam aumentar esse investimento.

Eu acho que a área de aplicativos e entretenimento na internet é enorme. Veja-se o exemplo do YouTube. E, como disse, quem quiser investir em celulares e torná-los mais adaptados à internet terá sucesso. O número de celulares no mundo já é três vezes maior que o de computadores.


fotos: Divulgação


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