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Mai/Jun 2009

A censura, Isaura e a China

A longa marcha da Globo para conquistar mercados com novelas de sucesso mundial

Roberto Filipelli*
* Roberto Filippelli (à esquerda, com o amigo Han ao centro) é consultor de marketing internacional

A TV Globo começou a exportar programas no fim dos anos 1970, primeiro com O Bem-Amado, na América do Sul, e a seguir com Gabriela, em Portugal. O objetivo de vender em toda a Europa era complicado pelo hábito local de séries curtas, de até dez episódios.

O Boni me havia advertido: “Vai ser difícil exportar de cara novela com 160 capítulos. Se um dia tivermos de fazer um compacto, aproveite para preparar um piloto, alguns folhetos e tentar vender”.

A censura do regime militar da época deu a sua colaboração ao proibir uma novela inteira (Saramandaia, acho), e a Globo foi obrigada a editar Escrava Isaura em 20 episódios, enquanto preparava nova produção às pressas. O tapa-buraco acabou se transformando no primeiro sucesso internacional da Globo.

A oportunidade de ouro surgiu no Mercado de TV de Monte Carlo no início dos anos 1980. A TV da Suíça italiana se encantou com Isaura e produziu a versão italiana, o que permitiu que a novela fosse exibida também na emissora Retequattro para toda a Itália.

Sucesso surpreendente para todos, inclusive para mim: eu estava de férias e, quando voltei para casa, em Roma, Isaura era o programa de maior audiência na Itália. Eu, que antes mal conseguia ser recebido, agora era convidado para palestras e me mandavam jatinho para reuniões em Milão.


Rumo à nova China

Logo chegou à Globo-Rio um telex (não havia e-mail nem fax) enviado de Beijing pedindo para mandarmos alguns capítulos de Isaura. Beijing? O que é isso?

O telex passou de mão em mão até alguém mandar para mim em Roma. A China tinha mudado a grafia do nome de cidades, regiões, pessoas, quando transcritas no nosso alfabeto.

Então, Pequim virara Beijing e nem todo mundo sabia disso. Mandei os vídeos e mantive um intenso contato com a China Films, até eles comprarem os direitos de Escrava Isaura para toda a China: um sucesso histórico.

Fui quatro vezes à China num espaço de seis anos. Na primeira, todos usavam o uniforme Mao e iam trabalhar com suas bicicletas. Só havia um hotel razoável, o Beijing Hotel.

O povo, curioso, cercava os ocidentais nas ruas. Na quarta vez, fim dos anos 1980, os automóveis já dominavam o trânsito: as bicicletas tinham sido encurraladas. Meu principal interlocutor nessa época era Han Chuan Zheng, diretor do China Studios.

Quando o governo chinês decidiu reduzir o Estado se desfazendo de fábricas, imóveis etc., Han comprou seu apartamento de dois quartos e sala financiado e pagou US$ 300.

Comprou também uma linha telefônica e pagou US$ 300. Viu que precisava de um aparelho de fax e pagou outros US$ 300. Tanto casa, quanto telefone ou aparelho de fax valiam a mesma coisa na China de então.

Para terminar: depois do fenômeno chinês, a TV Globo ficou famosa no mercado internacional e as coisas ficaram mais fáceis. A ironia é tudo ter começado com a truculência da censura da ditadura militar.



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