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Mai/Jun 2009

A hora dos ajustes

O que as multinacionais brasileiras estão fazendo para enfrentar a crise global

Secches, da Perdigão, e Furlan, da Sadia, unidos na BRF Brasil Foods: consolidação inadiável

Passado o primeiro choque da crise, com sua cota de vítimas no mundo dos negócios, começa a emergir um quadro mais claro de como várias das principais empresas brasileiras internacionalizadas foram afetadas.

Uma consolidação setorial deu-se no setor alimentar: em maio, um gigante, a Sadia, foi incorporada por outro gigante, a Perdigão. Algumas empresas, como a Petrobras, adiaram ou cortaram investimentos, mas, em geral, atravessam bem a tormenta. Outras, como Vale e Embraer, enfrentam a dura retração do mercado mundial.

Veja abaixo como algumas das múltis brasileiras foram afetadas pela crise e o que vêm fazendo para driblá-la.


 


EMBRAER

:: O IMPACTO    Em virtude da crise, que afetou fortemente o setor de aviação, em fevereiro de 2009 a Embraer demitiu 4 270 funcionários, o correspondente a 20% de seu quadro total, e teve sua previsão de produção reduzida em 30%.

:: OS INVESTIMENTOS    A empresa não anunciou nenhum novo investimento nem adquiriu novos ativos no exterior nesse período.

:: A ESTRATÉGIA    Contenção de custos compatível com a queda da demanda no mercado mundial.  



RANDON


:: O IMPACTO    Encerrou 2008 com 400 empregados a menos que durante o pico deste mesmo ano, número considerado dentro do turnover normal da empresa. Na Randon Argentina, porém, a produção foi reduzida em 60%.

:: OS INVESTIMENTOS    Mantiveram-se inalterados. O plano inclui a instalação de uma unidade em Pinghu, na China, e a aquisição de uma empresa de material de fricção nos Estados Unidos.


:: A ESTRATÉGIA    Ajuste das operações à nova realidade internacional, vigilância para a manutenção de uma liquidez saudável e atuação mais agressiva em marketing e inovações.


ODEBRECHT

:: O IMPACTO    De outubro de 2008 a março de 2009, a empresa contratou, no Brasil, 16 530 trabalhadores e desligou 13 049. No exterior, foram 18 952 contratados e 17 895 desligados. Não houve impacto negativo nos projetos, uma vez que, segundo a empresa, o funding para a realização de seu backlog (contratos em carteira) está totalmente assegurado.

:: OS INVESTIMENTOS    Nos últimos quatro anos, a Odebrecht investiu cerca de US$ 900 milhões em máquinas, veículos e equipamentos de construção, o que é suficiente para executar todas as suas obras contratadas, no valor de US$ 18 bilhões, no Brasil e no exterior. A empresa fechou recentemente grandes contratos de obras no exterior, como os do Metrover de Miami (US$ 260 milhões) e da mina de carvão da Vale em Moatize, Moçambique (US$ 750 milhões).


:: A ESTRATÉGIA    Acompanhamento mais detalhado da capacidade de investimento dos clientes e reavaliação dos programas de investimentos próprios.  


PETROBRAS

:: O IMPACTO    De outubro a dezembro, sua produção internacional ficou acima da média de 2008. Em 2009, até março, teve uma ligeira queda, mas estima seu pico de produção em 175 mil barris/dia, resultado a ser alcançado no terceiro trimestre. Até março de 2009 admitiu 1 070 funcionários e demitiu 29. Não houve dispensas decorrentes da crise financeira.

:: OS INVESTIMENTOS    O Plano de Negócios da Área Internacional da companhia foi mantido, com investimentos de US$ 15,9 bilhões entre 2009 e 2013. Os países que receberão mais investimentos serão: Estados Unidos (28%), Argentina (16%), Nigéria e Angola (12% e 5%, respectivamente). Comprou, por US$ 400 milhões, a participa-
ção da ExxonMobil na distribuidora chilena Esso Chile Petrolera e, nos Estados Unidos, negocia a aquisição de 50% da Pasadena Refining System Inc. (PRSI) e de sua trade por US$ 466 milhões.

:: A ESTRATÉGIA
    Além de otimizar seus custos e estabelecer contratos de longo prazo com fornecedores, a empresa negocia um empréstimo de US$ 10 bilhões com o banco chinês de desenvolvimento.  


VALE


:: O IMPACTO    Diante da queda na demanda siderúrgica mundial, estimada em cerca de 20%, no primeiro trimestre de 2009, a empresa diminuiu a produção de minério de ferro em volume equivalente a 30 milhões de toneladas métricas anuais (37% a menos que em igual período de 2008). Algumas minas brasileiras, de maior custo e produtoras de minérios de menor qualidade, tiveram sua produção paralisada. O mesmo ocorreu com as plantas de ferroligas de Dunkerque, na França, e de Mo I Rana, na Noruega. As operações nos segmentos de manganês, cobre níquel e caulim também foram redimensionadas. 

:: OS INVESTIMENTOS    A empresa adquiriu, da concorrente Rio Tinto, ativos nos segmentos de ferro (minas em Corumbá) e de potássio (Argentina e Canadá) no valor total de US$ 1,6 bilhão. Também foram adquiridos ativos de exportação de carvão térmico da empresa colombiana Cementos Argos S.A. (US$ 305,8 milhões) e da sul-africana TEAL Exploration & Mining Incorporated, produtora de cobre.

:: A ESTRATÉGIA
    Continuará a administrar sua produção de acordo com as condições de mercado prevalecentes no curto prazo, mas tendo em vista as oportunidades de aquisição de novos ativos geradas pela própria crise.


 VOTORANTIM

:: O IMPACTO    Desligamento pontual de 600 funcionários. A produção de algumas unidades, principalmente de metais, foi adequada à nova realidade econômica. A Votorantim Cimentos apresentou em 2008 duas situações distintas: no mercado brasileiro, bateu recordes, com a produção de 20,8 milhões de toneladas de cimento (15% a mais que em 2007), enquanto na América do Norte as vendas foram 10% menores.

:: OS INVESTIMENTOS    Todos os projetos de investimento foram revisados e adaptados à nova realidade do mercado internacional. O total de investimentos do grupo em 2008 foi de R$ 7,7 bilhões, 64% acima do ano anterior. A previsão para 2009 é de que sejam investidos R$ 5 bilhões. Não foram adquiridos ativos no exterior entre outubro de 2008 e março de 2009. Em março, o grupo inaugurou a maior fábrica de celulose do mundo com uma única linha de produção, em Três Lagoas (MS). Sua capacidade é de 1,3 milhão de toneladas de celulose anuais.

:: A ESTRATÉGIA
    Ajustes nas operações que fortaleçam a competitividade, a escala e a estrutura de custos.

fotos: Divulgação



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