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Mai/Jun 2009

Londres na agulha

A brasileira Daniella Helayel conquista famosos e a realeza com sua grife londrina Issa

José Ruy Gandra
Daniella Helayel: lojas no Brasil depois do sucesso londrino
Sem muito alarde e com uma intuição para os negócios, uma estilista brasileira vem conquistando visibilidade crescente no exclusivíssimo circuito londrino da moda. Daniella Helayel despontou para a mídia quando Madonna surgiu publicamente, no fim de 2006, usando roupas de sua grife, a Issa-London.

Foi um turning point na vida de Daniella. Num contágio crescente, suas criações passaram a enfeitar o corpo de outras celebridades, como Scarlett Johansson e Jennifer Lopez, milionárias como Paris Hilton e Camila Al Fayed ou membros proeminentes da nobreza.

Neste último grupo, a jovem e encantadora Kate Middleton, noiva do príncipe William e uma espécie de nova Lady Di em gestação no imaginário britânico, é a mais recente (e efetiva) garota-propaganda da marca.


Abaias para muçulmanas

Há 18 anos fora do Brasil, divididos igualmente entre Nova York e Londres, hoje Daniella exporta roupas para 35 países, com destaque para o Oriente Médio, região responsável por mais de um terço de seu faturamento anual, estimado em cerca de US$ 20 milhões.

“Até abaias nós produzimos”, diz ela, referindo-se às capas severas que cobrem por inteiro o corpo e a cabeça de muitas mulheres muçulmanas. Mas trata-se de uma exceção. Os vestidos de jérsei de seda, viva e delicadamente estampados, são o carro-chefe das coleções da Issa.

Eles hoje enfeitam vitrines de 380 lojas, entre elas as gigantes do varejo chique inglês Harrods, Selfridges, Browns e Harvey Nichols. Os modelos são desenhados no ateliê londrino da Issa, e os protótipos, enviados à China, onde são produzidos. A marca tem hoje 18 empregados.


De Niterói para Londres

A vida de Daniella Helayel é a de uma self made woman – mas com direito a capítulos de contos de fadas. Garota de classe média, nascida e criada em Niterói e formada em Direito, Daniella tinha tudo para seguir por ali mesmo, defronte à velha Guanabara. Até que, com US$ 6 000 no bolso, ela desembarcou em Nova York para estudar moda no Fashion Institute of Technology.

Deu certo. Logo trabalhava como pesquisadora, caçando tendências nas vitrines de Manhattan e enviando amostras para as grandes confecções brasileiras. Em pouco tempo, já fechava negócios bem mais robustos, como trader, adquirindo quantidades industriais de tecidos e exportando-os para vários clientes no Brasil.

“Foi uma época em que eu ganhei muito, mas muito dinheiro”, diz Daniella. Anos mais tarde, já com uma boa economia e após brigar com um ex-namorado americano, Daniella decidiu estabelecer-se em Londres e, a partir dali, flanar preguiçosamente pela Europa, em especial pelas ilhas mais concorridas do Mediterrâneo.


Noites na praia

A espanhola Ibiza, epicentro das baladas durante o verão europeu, tornou-se sua segunda casa. Ali, entre banhos de mar e muitas festas, Daniella estava, mesmo sem saber, costurando o seu futuro.

“Conheci muita gente nessa época”, ela diz. “Dançando na areia, todo o mundo é igual, mas quando voltei para Londres percebi que muitas daquelas meninas que se encantavam com as roupas que eu usava na praia eram poderosíssimas.”

Não tardou muito até que Daniella se plugasse de vez a essa turma de nobres e endinheirados. Em Londres, ela cultivou com maestria esse network, e sua vida meio que seguiu um roteiro de sonho.

 “Minhas amigas gostavam das roupas vintage que eu usava e pediam que fizesse modelos iguais para elas”, diz Daniella, que hoje vive no elegante bairro de Chelsea, no mesmo prédio de cinco andares junto ao Tâmisa onde, até pouco tempo atrás, funcionava seu ateliê. “No começo, eu fiz de graça, mas, com o tempo, surgiu a ideia de criar uma confecção.”


Biquínis brasileiros

Com tantos amigos influentes, não demorou muito até que suas peças ganhassem as páginas de revistas de moda e passassem a abastecer os guarda-roupas de mais aristocratas e celebridades. “Vestir as pessoas certas é o grande trunfo”, diz Daniella.

Madonna foi o estopim. “Por engano da produtora, ela acabou se encantando e dando uma entrevista na TV com um vestido meu, que eu já havia usado umas cinco ou seis vezes.” Pouco conhecida entre os brasileiros, a estilista fluminense se prepara para dar dois novos passos.

O primeiro é lançar uma coleção de biquínis produzidos no Brasil. “Biquíni tem de ser feito aqui”, diz. “Imagine: as pessoas vão dizer ‘uau, brazilian bikinis...’ Eu não posso responder: No, made in China, não é?”

O segundo passo é dar início à sua própria rede de varejo. “Pretendo começar a abrir lojas”, afirma Daniella. “No Brasil, inclusive. E bem em breve!”

fotos: Divulgação


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