Revista PIB

Faça da Revista PIB a sua home page Sexta, 24 de Novembro de 2017

 

Mai/Jun 2009

A nova força do etanol

Os investimentos estrangeiros começam a abrir o mercado mundial para a cana do Brasil

Marco Rezende e Eliana Simonetti
Colheita da cana: o etanol caminha para se tornar uma commodity global

A cana-de-açúcar caminha para se tornar um símbolo brasileiro tão peculiar quanto o Carnaval e o Cristo Redentor. No período colonial, foi a primeira atividade econômica organizada e sustentou a população local e a corte lisboeta por quase dois séculos.

Nos choques do petróleo dos anos 1970, fez com que o Programa Nacional do Álcool, que parecia uma curiosidade quando nasceu, se tornasse uma bem-sucedida experiência de substituição em larga escala dos derivados de petróleo.

Agora, com a Terra ainda no transe da crise, a segunda encarnação do etanol e da energia elétrica fornecidos pela biomassa canavieira está se tornando um dos principais carros alegóricos da novíssima agenda ambiental e econômica do Brasil e do mundo.

O que era uma atividade eminentemente agrícola e tipicamente brasileira está se internacionalizando em novo ritmo, com a entrada contínua de investidores estrangeiros apostando no sucesso da bionergia produzida no Brasil. É um negócio baseado agora em produtividade e fortes investimentos em tecnologia, logística e inovação.



A importância do etanol está nas ruas: hoje quase todos os carros novos produzidos no país saem da fábrica com motores flex, aptos a rodar queimando etanol puro ou misturado com gasolina. Em 2008, consumiram R$ 40 bilhões em álcool combustível.

Segundo estimativa da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que reúne as usinas do Centro-Sul do país, a produção de etanol crescerá quase 150% no Brasil nos próximos seis anos, passando de 27 bilhões de litros em 2009 para 65,3 bilhões de litros em 2015.

A importância do etanol no mundo pôde ser avaliada nos três primeiros dias de junho, em São Paulo, no Ethanol Summit, megaevento organizado pela Unica. Uma das atrações foi uma sessão plenária produzida e moderada pela equipe da revista The Economist (em inglês). Outra, uma feira chamada Brasil Ethanol Trade Show, foi dedicada às novas tecnologias e inovações na área de biocombustíveis.


Investidores estrelados

Entre os 90 palestrantes dos cinco continentes, esteve o ex-presidente americano Bill Clinton, que criou uma fundação com seu nome (em inglês) para fomentar a capacidade de pessoas nos EUA e no mundo de enfrentar os desafios da interdependência global.

Clinton é, ele mesmo, um dos que investem no etanol brasileiro. Tem uma participação, via fundo de investimentos, no grupo que constituiu em 2006 a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco, sigla do nome em inglês).

Outros sócios-fundadores da empresa incluem Stephen Case, criador da AOL; James Wolfensohn, ex-presidente do Banco Mundial; o investidor indiano-americano Vinod Khosla, profeta dos biocombustíveis e criador da Sun Microsystems; o magnata do varejo Ron Burbkle; e Steve Bing, produtor de Hollywood.

O presidente (e também sócio-fundador) é Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras. Na nova sede da Brenco, na avenida Pedroso de Morais, em São Paulo, ainda se sente o cheiro de cola para carpetes. Lá, centenas de executivos trabalham em ambientes amplos e luminosos, com televisores de plasma nas paredes mostrando em tempo real a cotação das commodities e o estado da economia no planeta.

É o quinto endereço da empresa, que cresceu rapidamente para cumprir um ambicioso plano de negócios. Está investindo R$ 5,5 bilhões para construir 12 usinas de bioenergia até 2015, quando espera ter 10% do mercado brasileiro de etanol e 5% do mundial.


Vendas futuras

A Brenco não produzirá açúcar, só bionergia – etanol combustível e 600 MW de eletricidade oriunda da biomassa da cana.

Por causa da turbulência da crise mundial, a primeira usina será inaugurada com atraso de alguns meses, no segundo semestre. Mas, mesmo antes de ligar as chaves, a Brenco já vendeu no mercado futuro R$ 2,1 bilhões em leilão de energia da Aneel por 15 anos, e 230 mil metros cúbicos de etanol para a LyondellBasell Industries, que utilizará o combustível na composição do ETBE, aditivo de gasolina a ser exportado para o mercado japonês.

Em busca de oportunidades assim, outros investimentos estão sendo feitos por grupos internacionais, quase sempre com parceiros brasileiros.

Em outubro de 2008, a gigante americana Archer Daniels Midland (ADM), produtora de etanol de milho nos Estados Unidos, confirmou a formação de uma joint venture com o Grupo Cabrera, do empresário e ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera, para finalizar duas unidades sucroalcooleiras com capacidade de moer 6 milhões de toneladas de cana em 2014 e produzir 270 milhões de litros de álcool, 417 mil toneladas de açúcar e 474 MW/hora de energia por safra.

A ADM atua em 50 países e é líder mundial em bioenergia. Outro grupo de investidores que buscou dinheiro na Bolsa de Londres foi o da Clean Energy Brazil (CEB), presidido por Marcelo Junqueira, filho e neto de usineiros.

Em 2007, o grupo trouxe para o Brasil US$ 180 milhões para comprar 49% do grupo Usaciga, que tem participação no porto de Paranaguá, cinco usinas em operação e inicia a construção de mais uma perto de Campo Grande (MS).


Guerra ao protecionismo

Outros novos investidores estrangeiros no etanol brasileiro incluem a Vital Planet, da Holanda; o grupo Pantaleón, da América Central; Noble Group, de Hong Kong; e True Energy, dos EUA. Segundo estimativas da Unica, 13% do setor canavieiro deverá estar internacionalizado em 2012 (ante 7% no ano passado).

A internacionalização do setor pode reforçar estrategicamente a defesa do etanol brasileiro no mundo – onde é vítima de barreiras tarifárias, políticas protecionistas para indústrias locais e até mistificações antiecológicas produzidas por seus adversários.

Num encontro com empresários do setor no ano passado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, chegou a incitá-los a se organizar para defender o etanol contra os ataques da indústria internacional do petróleo. “Vocês têm de se preparar para uma guerra. E, como em toda guerra, vai correr sangue”, disse ela.

Os combates, por enquanto, se dão na trincheira das tarifas aduaneiras e do uso mandatório do etanol. Na União Europeia, o etanol brasileiro paga 19 centavos de euro por litro para entrar, ou 40% do preço do produto.

Nos Estados Unidos, por regra em vigor em princípio até o fim de 2010, a taxa é de 14 centavos de dólar por litro. Mas como é difusa a convicção de que o etanol de cana é um dos biocombustíveis mais eficazes em termos de redução de gases de efeito estufa, vários países importantes estabeleceram metas obrigatórias de adição de etanol à gasolina nos próximos anos.

Assim, na União Europeia, o objetivo é adicionar 5,75% de álcool até 2015, ano em que o Japão adicionará 10%. No Canadá, 10% já em 2010.

As metas americanas levarão o país a consumir mais 57 bilhões de litros de etanol em 2015. No total, o consumo mundial dobrará em seis anos, passando dos atuais 70 bilhões para 139 bilhões de litros.


Melhor do que o milho

No início de maio, o governo americano deu novo alento ao futuro do etanol. Ao divulgar as metas para combustíveis renováveis no país, reconheceu oficialmente que o etanol de cana é mais eficiente na redução de poluentes que o de milho, o que na prática significa um veto à expansão do etanol de milho produzido nos EUA.

“O balanço energético é favorável à cana”, diz Marcos Jank, presidente da Unica. “Para cada unidade de energia fóssil, o milho produz duas unidades e a cana, nove.”

Segundo Jank, os EUA têm uma obsessão com a segurança energética e muitos setores – em particular os grandes consumidores de milho, como produtores de aves e suínos – estão convencidos de que a tarifa ainda existente contra o etanol de cana e o subsídio ao etanol de milho são um erro.

“Acadêmicos também se opõem ao etanol de milho porque ele torna o programa de bioenergia americano caro e não garante segurança energética, dificultando a entrada de produtos mais competitivos de outros lugares”, diz o presidente da Unica.

Como a expansão dos biocombustíveis no mundo está, aparentemente, garantida pela demanda dos consumidores e políticas públicas de cunho ambiental, o etanol vem atraindo também a atenção – e os investimentos – de empresas globais que atuam em áreas completamente distintas.

Têm projetos no Brasil gigantes da indústria automobilística (Toyota, Mitsubishi), petroquímica (Dow Chemical, Braskem, Solvay), agronegócio (Bunge, Cargill, Tereos) e até petróleo, como British Petroleum e a própria Petrobras, sócia em dois grandes empreendimentos na área de logística, o alcoolduto de Goiás ao porto de São Sebastião (SP), e outro de Mato Grosso a Paranaguá (PR).

Saindo de Senador Canedo (GO), o primeiro passará por território mineiro antes de atingir Ribeirão Preto e Paulínia, terá 1 150 km e custará mais de US$ 1 bilhão. O segundo, com 1 412 km, ligará Cuiabá (MT) ao porto de Paranaguá, via Campo Grande (MS) e Londrina (PR).


Concentração

“O etanol virou um negócio globalizado do ponto de vista de mercado”, diz José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, empresa do grupo Odebrecht, cujo principal negócio é a construção pesada. “A vinda de grandes grupos americanos, europeus e asiáticos mostra como o etanol brasileiro é mesmo big business e o nosso acerto em entrar no negócio.”

Esses novos ares que vêm do exterior também sopraram sobre a ETH Bionergia. A empresa tem como sócio minoritário (33%) a japonesa Sojitz Corporation, multinacional que atua na comercialização de commodities.

Grubisich prevê que, em dez anos, mais da metade da produção de etanol brasileiro deverá estar nas mãos de apenas uma dezena de grupos. A ETH começou comprando a Usina Eldorado, em Mato Grosso do Sul, e espera inaugurar suas três primeiras greenfields (construídas a partir do zero) este ano ainda.

Os planos são de crescimento acelerado: moer 13 milhões de toneladas já este ano, o dobro em 2012 e beirar os 40 milhões de toneladas em 2015. Com linhas espaciais e preocupação estética, as novas usinas da ETH, assim como as da Brenco, lembram pouco as velhas unidades industriais do setor.

Ao contrário da Brenco, exclusivamente voltada para produzir biocombustível e energia elétrica, a ETH utilizará de 20% a 30% de sua capacidade, em algumas das usinas, para produzir açúcar – um hedge contra a volatilidade dos preços ou da demanda. “Vamos extrair o máximo de valor de cada tonelada de cana, nada será deixado de lado”, diz Grubisich.


Crise e oportunidade

Com a crise mundial e seus reflexos no setor canavieiro – escassez de crédito, queda do preço do álcool, dificuldades de exportar – algumas usinas entraram em recuperação judicial. Outras adiaram momentaneamente projetos de expansão.

Ao acelerar o processo de consolidação setorial, com uma onda de aquisições e fusões, a crise criou uma oportunidade para pelo menos um grande grupo internacional. O grupo francês Louis Dreyfus Commodities (LD), que já investia no Brasil desde 2004, comprou em março a Santelisa-Vale do Rosário, empresa com passivo de R$ 2,8 bilhões.

Com essa aquisição, a Louis Dreyfus passou a ter no país 63% do total dos seus ativos, inclusive 222 mil hectares plantados com cana. Pretende processar 13,6 milhões de toneladas na safra que começou.

Os investimentos no triênio 2008/2010 chegarão a US$ 1,1 bilhão. “Mudamos de patamar e de perfil, e a Louis Dreyfus Commodities como um todo se tornou mais brasileira”, disse ao jornal Valor Kenneth Geld, presidente da empresa no país. “O foco do grupo, hoje, é o Brasil.”

Outros lances importantes motivados pela crise incluem o do grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto. Em março passado, o grupo, que já tinha 19 usinas, tornou-se talvez o maior produtor de álcool e açúcar do mundo ao assumir o controle do tradicional grupo Nova América Agroenergia.

Dona de quatro usinas, a Nova América enfrentava dificuldades financeiras desde 2008. Com a nova aquisição, o grupo Cosan passou a moer 60 milhões de toneladas de cana por ano. De quebra, tornou-se líder no varejo de açúcar no Brasil ao incorporar a tradicional marca União entre os novos ativos.

No negócio, a holding Rezende Barbosa, que controlava a Nova América, passa a ser uma das maiores acionistas da Cosan, com pouco mais de 10%. “A Cosan sempre cresceu na crise”, diz Pedro Isamu Mizutani, COO da empresa, referindo-se a outras aquisições feitas em momentos difíceis.


Crédito e retomada

Até meados de 2008, grande parte da operação e expansão das empresas era financiada com dívidas de longo prazo, dado favorável verificado por pesquisadores da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo num estudo sobre a estrutura de capital de usinas que processam cerca de 30% da cana produzida no país.

A crise afetou a maneira como o setor de cana-de-açúcar se financiava, pois os produtores buscavam recursos externos para tocar a atividade e dependiam pouco das linhas de custeio agrícola oferecidas pelos bancos nacionais.

“A crise mudou esse quadro, o crédito internacional desapareceu”, disse a PIB Henri Philippe Reichstul, presidente da Brenco. Os produtores entraram na disputa pelos créditos minguados hoje disponíveis no mercado.

Passados meses e meses de crise, muitos têm dificuldade de retomar as fontes de financiamento que usavam anteriormente. No fim de abril, ao falar na abertura do tradicional Agrishow de Ribeirão Preto (SP) – cidade considerada a capital do principal polo produtor de açúcar e álcool do país –, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pintou um quadro sombrio ao afirmar que o setor sucroalcooleiro teve um crescimento “excessivo”.

“Crescemos mais que deveríamos na expectativa de uma demanda pelo etanol futuro, mas essa demanda ficou mais distante após a queda do preço do petróleo”, advertiu Stephanes.

O boom de construção de usinas, com cerca de 100 novas unidades produtoras, ocorreu com o petróleo beirando os US$ 150 o barril, e quando o mundo inteiro falava em energia limpa. Com a crise econômica e o petróleo entre US$ 40 e US$ 50, a situação mudou.

“Agora, o mundo desenvolvido mostra que não é tão ecológico assim e fala menos na abertura do mercado de energia limpa”, disse o ministro.


Bolha de investimentos

Marcelo Vieira, sócio e diretor da Adecoagro, do investidor húngaroamericano Georges Soros, considera que o principal fato novo no negócio de biocombustíveis foi o estouro da bolha de investimentos apontado por Stephanes. Ele, no entanto, analisa o fenômeno de modo positivo.

“Foi bom que tivesse acontecido agora”, afirma. “Trouxe um aperto momentâneo ao setor, mas teria sido pior se o ajuste tivesse de ser feito mais adiante, pois muitos dos projetos especulativos, sem uma base sólida, foram cancelados com a chegada da crise financeira e o fim da alavancagem fácil.”

Como muitas grandes empresas, entre elas a Brenco e a ETH, também a Adecoagro pisou no freio quando a crise estourou, em outubro de 2008. Também como as demais, já retoma todos os seus projetos a pleno vapor.

A Adecoagro começou comprando a Usina Monte Alegre, de Monte Belo (MG), em 2006, e inaugurou sua primeira nova unidade em Angélica (MS) dois anos depois. Uma terceira unidade em Mato Grosso do Sul, projeto suspenso por alguns meses, será construída agora na região de Ivinhema.

Para Reichstul, presidente da Brenco, a agenda ambiental foi de fato esquecida no auge da crise, mas deve emergir de novo com força graças ao presidente norte-americano Barack Obama.

“A dura realidade é que os dados sobre o aquecimento global continuam se agravando”, diz Reichstul. “Quando Barack Obama começar a atuar sua agenda verde, será positivo para a indústria do etanol: já está demonstrado que o etanol de cana reduz as emissões que provocam o efeito estufa em 90%, comparado com a gasolina.”

Rogério Manso, vice-presidente e braço direito de Reichstul na Brenco, diz que a sustentabilidade ambiental faz parte dos fundamentos da indústria. Na empresa, essa questão é considerada estratégica.

“Acreditamos que será uma vantagem poder garantir aos clientes a rastreabilidade dos nossos produtos, mostrando as condições de cultivo, o estado das terras, as condições de trabalho”, diz Manso.


Petróleo e aquecimento
 
Manso afirma que o cultivo da cana já é benéfico, porque usa em geral o estoque de antigas terras de pasto, degradadas, com utilização econômica medíocre.

“Os investimentos na produção de etanol em geral são feitos em regiões pobres, sem as oportunidades das regiões industriais”, diz ele. “E invariavelmente produzem melhoria na infraestrutura de logística e energia, além de melhorar hospitais, escolas, residências.”

De fato, antes mesmo de inaugurar sua primeira usina no ano passado, a Adecoagro se adiantou, levando para as duas cidades onde opera em Mato Grosso do Sul, Angélica e Ivinhema, um projeto de capacitação de todos os professores da rede pública, usando tecnologia pedagógica fornecida pela Fundação Bradesco, beneficiando a totalidade dos alunos das escolas públicas dessas cidades.

Com credenciais tão positivas na produtividade, na sustentabilidade ambiental e no alcance social, o etanol brasileiro tem tudo para entrar rapidamente na lista das commodities globais.

As metas de uso de biocombustíveis em vários países, os investimentos em produção, as metas de redução das emissões que aquecem o ambiente e até o fato de a cana-de-açúcar ser produzida em mais de 80 países contribuem para o futuro de um negócio que foi tipicamente brasileiro e agora é cada vez mais internacional.

Ao fim e ao cabo, o uso do etanol é uma das poucas estratégias disponíveis para resolver de uma só vez dois grandes problemas na mesa mundial: encontrar um substituto para o petróleo e conter o aquecimento global.

fotos: Divulgação



28/06/2016 -   FIESP destaca a importância da logística para a retomada do crescimento
02/05/2016 -   Movimat divulga detalhes da feira de setembro
03/10/2015 -   De olho no mundo
03/10/2015 -   Voando sobre o mundo
03/10/2015 -   O mundo é Azul
03/10/2015 -   O caminho da diferença
03/10/2015 -   Restaurantes, galerias, praias e parques de Miami
03/10/2015 -   A Ásia são muitas
01/10/2015 -   Um Calatrava no Rio
29/09/2015 -   Hungry and with a big appetite
29/09/2015 -   A bigger share, please?
29/09/2015 -   Passage to India
Totum Editora Revista PIB - 2009 © Todos os Direitos Reservados