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Dez 2008/Jan 2009

Tesouro escondido

A Haco disputa a liderança na produção de etiquetas para roupas e faz o escudo da Seleção

Maurício Oliveira, de Blumenau
Alberto Lowndes: no comando da internacionalização

Desde 1958 é da Haco a responsabilidade de confeccionar o escudo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que compõe o uniforme da seleção nacional. Fundada há 80 anos em Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a empresa faz ainda os distintivos de praticamente todos os times de ponta do país. Seu carro-chefe, contudo, está longe de ter a mesma visibilidade dos símbolos futebolísticos. Quase 65% do faturamento da Haco advêm da fabricação de etiquetas para roupas e acessórios, itens que costumam ficar quase escondidos nos produtos.

No entanto, a lista de clientes da empresa é tão estrelada e internacional quanto a seleção canarinho: Calvin Klein, Christian Dior, Guess, Gucci, Hugo Boss, Grendene, Adidas, Nike e Victoria’s Secret... – alguns deles consomem também outros produtos que saem das 800 máquinas e teares da empresa, como tecidos em jacquard, detalhes de sapatos femininos, sacolas, cadarços e alças de bolsas.

Por ano, a Haco produz mais de 6 bilhões de peças. No Brasil, detém 75% do mercado de etiquetas. Com exportações para mais de 100 clientes em 33 países, a empresa foi durante muito tempo líder mundial do segmento. Só perdeu a condição no ano passado, quando o conglomerado norte-americano Avery Dennison concluiu a aquisição de dois concorrentes. O faturamento não é divulgado, mas a empresa afirma ter crescido 18% no ano passado e prevê outros 23% de expansão em 2008.

Para reconquistar a hegemonia global, porém, crescer aceleradamente não basta. Não há como retomar a liderança sem fincar bandeira na Ásia, principal centro global do setor de confecções. A Haco prevê que estará presente no continente dentro de um ou dois anos. “A Índia parece ser uma das melhores alternativas, mas não é a única”, diz o presidente Ricardo Lowndes. “Estamos analisando cada uma delas com muito cuidado.”

Também não está definido se o passo rumo à Ásia será dado com as próprias pernas, com a abertura de uma unidade própria, ou se haverá a aquisição de alguma concorrente. A presença física da Haco no exterior começou há 15 anos pela Europa, com a instalação uma fábrica na cidade portuguesa de Covilhã, importante pólo da indústria têxtil, localizada entre o Porto e Lisboa. “Essa unidade foi nosso quartel-general para a expansão na Europa”, compara Lowndes. “Agora pretendemos fazer o mesmo na Ásia.”

A missão de comandar o processo de internacionalização está cada vez mais nas mãos de Alberto Conrad Lowndes, 26 anos, caçula entre os três filhos de Ricardo, formado em administração de empresas pelo Ibmec do Rio de Janeiro e já designado oficialmente como sucessor do pai na direção geral da empresa.


Em família

A Haco não esconde que é mesmo uma empresa familiar e que, por ora, está convicta de que o modelo deve ser mantido. Foi fundada em 1928 pela bisavó de Alberto, a alemã Johanna Conrad, que veio ao Brasil visitar um irmão, encantou-se com o país e decidiu ficar.

Johanna comprou uma fábrica de cadarços de algodão para sapatos, com seis teares e dez funcionários abrigados em um rancho de madeira, e a rebatizou com a palavra composta pelas iniciais do nome do marido, Heinrich, que fora contra a permanência da família no Brasil. O negócio foi dirigido pelo casal de fundadores até 1960, quando Heinrich morreu e a Haco, já especializada em etiquetas, passou ao comando do filho, Carl.

Em 1976, ocorreu a primeira exportação, para a Alemanha. Em 1999, com a morte de Carl, a presidência do grupo foi assumida por seu genro, Ricardo Lowndes. Além da matriz e da unidade portuguesa, a Haco mantém fábricas em Criciúma e Massaranduba (ambas cidades catarinenses) e, desde o ano 2000, em Eusébio, no Ceará. Além de ser a segunda maior unidade da empresa, com capacidade de produção de 2 bilhões de itens por ano, a planta cearense está localizada próxima ao Porto de Pecém, o que facilita os planos de expansão internacional.


Alta tecnologia

Para seguir na trilha do crescimento, a empresa aposta na tecnologia de ponta. A Haco instalou os primeiros sistemas de informática e teares eletrônicos nos anos 1980. E não parou mais. O próximo salto tecnológico será a difusão de uma etiqueta que possibilita a identificação por rádiofreqüência – mesma tecnologia utilizada nas cabines de pedágio com passagem livre. “Ela permite que pessoas tenham a entrada automaticamente autorizada a um evento simplesmente por estar com a camisa com a etiqueta, que carrega um microchip encapsulado”, afirma Alberto.

Outro segredo da Haco está localizado na unidade de beneficiamento de fios de Massaranduba, localizada a 20 quilômetros de Blumenau: a tinturaria própria. A empresa é a única de grande porte no segmento, em todo o mundo, que dá cor à sua própria matéria- prima – as concorrentes compram os fios já tingidos. “Com isso temos a possibilidade de acertar a cor exata que o cliente deseja”, diz Alberto.

A Haco também se diferencia de suas concorrentes por não se limitar à produção de peças encomendadas. Uma equipe de 20 pessoas, entre estilistas e designers, está sempre à disposição para ajudar na criação e para sugerir eventuais ajustes nas solicitações feitas pelos clientes. A empresa ganha pontos ainda ao honrar as exigências de pontualidade da fundadora Johanna. “Isso é fundamental. Já pensou a linha de produção de uma grife parar por falta de etiquetas?”, brinca Alberto.


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Raio X da Haco 

:: Fundação: maio de 1928, em Blumenau (SC).

:: Faturamento: é dividido entre etiquetas tecidas (52%), cadarços (17%), gráfica (11%), etiquetas estampadas (11%) e sintéticos (9%). O valor não é divulgado.

:: Funcionários: 2.400.

:: Fábricas: 5, em Blumenau, Massaranduba e Criciúma (em Santa Catarina), Eusébio (Ceará) e Covilhã (Portugal).

:: Exportações: para 33 países. Metade das vendas são destinadas aos EUA, 25% à Europa e 20% à América Latina.



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