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Dez 2008/Jan 2009

Classe mundial

Roberto Setúbal, do Itaú, fala sobre os planos para crescer na crise

Nely Caixeta
Setúbal e Pedro Moreira Salles, do Unibanco: juntos

Os bancos brasileiros, que cresceram num ambiente de grande volatilidade, têm chance de conquistar mercado no exterior?
Em uns dois anos, sim, creio que os bancos brasileiros vão estar numa situação privilegiada para poder pensar em expansão no internacional. O sistema financeiro internacional está muito fragilizado. O ano de 2009 será um pouco mais difícil, mas os bancos daqui vão passar pela crise muito melhor que os bancos de fora. Da mesma forma, acredito que a economia brasileira estará melhor que a economia lá fora.

O que os bancos brasileiros podem oferecer no exterior?
Os bancos brasileiros terão uma base de capital bastante forte, enquanto os estrangeiros têm graves problemas de capital, a ponto de muitos governos estarem agora fazendo aumento de capital nesses bancos. Limitados na capacidade de capital, vão perder a vantagem competitiva, muito voltados para seus próprios problemas. E nós estaremos com uma gestão voltada para aproveitar as oportunidades que vão surgir.

Os bancos brasileiros, além de bastante capitalizados e de oferecer segurança a seus clientes, têm algum diferencial particular?

O mais importante é a base de capital e a capacidade de focar mais no cliente. Em meio à crise, os bancos atribuíram-se, de certo modo, funções típicas da autoridade monetária, enxugando a liquidez dos mercados.

O que será necessário para que o Itaú volte a conceder empréstimos nos volumes anteriores à crise?
A carteira de empréstimos do Itaú vem crescendo sem nenhum tipo de restrição. O que mudou é que estamos mais seletivos no crédito, em função do aumento do risco provocado pelas condições mais difíceis da economia em 2009. Além disso, houve uma mudança muito importante: as grandes empresas passaram a tomar dinheiro dentro do Brasil, em vez de tomar no exterior, como faziam antes. A Petrobras é um exemplo vivo. Conseqüência direta do problema de liquidez internacional, isso congestiona nosso mercado, de dimensão limitada. Mas, para todos os fins, estamos operando com oferta de crédito normal. Não temos é a possibilidade de atender aos volumes que, às vezes, são demandados, pois hoje não há mais a mesma liquidez de antes.

Como o Brasil vai enfrentar a turbulência da crise em 2009? A economia vai continuar crescendo?
Estimo um crescimento da ordem de 2% a 3%, mas ainda há muita incerteza sobre o que vai acontecer no exterior. A crise vai afetar o Brasil, mas o país está bem posicionado e poderá se recuperar com um crescimento muito maior do que o do resto do mundo.

Alguns dizem que é a vez de os emergentes mostrarem sua força e que a solução da crise passará por esses países. Isso é realidade ou apenas desejo?
É desejo. A economia dos emergentes não é grande o suficiente para evitar um problema maior em sua própria economia, nem no resto do mundo. A grande diferença, agora, é que os emergentes estarão contribuindo para a solução, não são parte do problema, como foram em outras ocasiões.

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foto: Marie Hippenmeyer



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