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Dez 2008/Jan 2009

Pausa para reflexão

Depois de avanços no exterior, brasileiras estão mais reticentes em cruzar a fronteira

Armando Mendes
Loma Negra, da Camargo Corrêa: líder na Argentina
De 2002 para 2007, caiu de 82% para 26% a parcela das grandes empresas brasileiras que ainda mantêm operações somente no Brasil, mas mostram a intenção de partir para negócios internacionais, revela pesquisa da Fundação Dom Cabral(FDC) feita entre as maiores companhias de capital nacional. A disposição dos empresários brasileiros em ganhar o mundo estaria diminuindo?

O professor Álvaro Cyrino, da FDC - um dos responsáveis pela pesquisa Global Players II - Internacionalização das Empresas da América Latina - diz que os dados não permitem afirmar categoricamente o motivo da queda. Mas aponta duas hipóteses para explicar a diferença. "Pode ter aumentado a participação no universo da pesquisa, de cinco anos para cá, de empresas mais interessadas no mercado interno", diz ele; seria o caso de empresas de energia, por exemplo.

A segunda hipótese teria a ver com a própria expansão das multinacionais brasileiras nos últimos cinco anos. Apenas as empresas que ainda não têm operações externas respondem a essa pergunta nos questionários do levantamento. Elas são uma parcela decrescente dentro do universo da pesquisa - correspondiam a 27% do total das empresas pesquisadas em 2002, e a 22% em 2007.

A disposição menor de partir para a internacionalização, nas respostas de 2007, poderia indicar simplesmente que uma parcela maior das empresas interessadas em atuar fora do Brasil já concretizou sua intenção, em comparação com 2002. Em outras palavras: o universo potencial das empresas brasileiras dispostas a se arriscar no mundo estaria hoje mais perto de se esgotar do que há cinco anos.


Camargo Corrêa Cimentos à frente 

A FDC também divulgou um novo ranking das transnacionais brasileiras, calculado sobre dados de 2007 segundo os critérios da UNCTAD, a agência das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento. A maior mudança é a chegada da Camargo Corrêa Cimentos ao primeiro posto entre as empresas nacionais mais internacionalizadas, lugar ocupado no ano passado pela Gerdau.

Desta vez, a FDC classificou isoladamente empresas transnacionais integrantes de grandes grupos. Para o professor Cyrino, a mudança reflete melhor o quadro real, já que muitos grupos não chegam a ser tão internacionalizados quanto algumas de suas partes. "Quando considerávamos os conglomerados como um todo, a participação internacional de algumas empresas era diluída dentro dos grupos a que pertencem", explica ele.

Dessa forma, o braço cimenteiro da Camargo Corrêa, com presença forte na Argentina (onde controla a marca líder Loma Negra), saltou para a liderança, uma vez destacado do grupo Camargo Corrêa SA, que ficou na oitava posição. O ranking da FDC indica mesmo que as três primeiras da lista - a Camargo Corrêa Cimentos, a Construtora Norberto Odebrecht e a Gerdau - são hoje empresas maiores lá fora do que aqui, no país de origem.

Esse balanço das operações externas e internas é indicado pela pontuação no Índice de Transnacionalidade da FDC, que reflete a proporção entre ativos, vendas e força de trabalho no exterior e no Brasil. Um índice de mais de 0,5, como é o caso dessas três companhias, indica uma presença maior no exterior do que no Brasil. É uma avaliação proporcional ao tamanho da empresa - por isso, companhias relativamente pequenas podem desbancar outras muito maiores e mais conhecidas.


Manufaturas, mais do que marcas

A Lupatech (metal-mecânica) e a Artecola (adesivos industriais), por exemplo, são empresas de porte médio e marcas pouco conhecidas pelos consumidores. Mas uma boa parcela de suas atividades é feita no exterior, e por isso aparecem em 9º e 12º lugares, à frente da Petrobras (a 16ª), um gigante que tem grande parte de suas operações dentro do Brasil. Alvaro Cyrino chama também a atenção para um traço das multinacionais brasileiras revelado por esses detalhes: "São empresas cujas vantagens estão mais na eficiência fabril do que na criação de marcas e no marketing".

A Artecola destacou-se em 2007 por sua incursão na vizinhança, onde comprou indústrias locais no Chile, no Peru, no México e na Argentina. A expansão internacional por meio de aquisições, a propósito, é uma tendência. A consultoria KPMG do Brasil registrou 66 operações desse tipo em 2007 - entre as maiores estão a compra da siderúrgica Chaparral Steel pela Gerdau e do grupo agroindustrial Swift Armour pela JBS Friboi, ambas nos Estados Unidos (em 2008, esse número foi de 53 aquisições até novembro, com uma queda acentuada no quarto trimestre do ano, por efeito da crise internacional).

Quando se classifica as transnacionais brasileiras pelos ativos no exterior, as médias e pequenas não têm vez, é claro: a Vale continua a ser a maior multinacional tupiniquim em porte bruto, seguida pela Petrobras e pela Gerdau. As vinte maiores empresas somam ativos no exterior de US$ 73,8 bilhões, quase 57% do estoque de investimentos diretos do Brasil em outros países.

Em termos gerais, o fluxo de investimentos brasileiros no exterior alcançou US$ 7,067 bilhões em 2007, quase o triplo de 2005. O número é muito menor do que 2006, quando o investimento externo brasileiro atingiu US$ 28,2 bilhões. Mas 2006 foi um ano marcadamente "fora da curva", que teve os resultados engordados por uma operação única e excepcional de cerca de US$ 19 bilhões: a aquisição da mineradora canadense Inco pela Vale.



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