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08/07/2015

São Paulo entra no jogo

A cidade desperta para a necessidade de criar uma política mais amigável aos negócios para atrair mais investimentos

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São Paulo é uma cidade global, estão de acordo observadores da urbanidade e compiladores de rankings internacionais. Isso quer dizer que a capital paulista é um nó importante — como Nova York e Xangai, Paris e Tóquio — na rede de centros urbanos que canaliza os movimentos planetários próprios da economia moderna.

São movimentos de capitais, de pessoas, de ideias e de tecnologias, numa competição sem pausa entre metrópoles pelos recursos e pelo capital humano que procuram, mundo afora, as melhores oportunidades de investimento. Como atraí-los? É a pergunta que desafia o governo do município, ao preparar São Paulo para essa competição.

Um dos caminhos passa por reforçar a competitividade econômica e institucional da cidade, o que exige melhorar o ambiente de negócios percebido pelos investidores. “Se hoje, em São Paulo, para se abrir uma empresa são necessários, em média, mais de 100 dias, nós queremos que esse prazo seja de cinco dias para, pelo menos, 80% das empresas”, diz Gustavo Faria, superintendente de negócios da São Paulo Negócios, a agência de atração de investimentos da prefeitura da cidade.

Além de intervir para reduzir os gargalos burocráticos que atazanam a vida dos candidatos a empreendedor, a agência quer desempenhar as funções típicas de organizações desse tipo, que podem ser encontradas em todas as grandes metrópoles globais: prover informações a investidores potenciais; apoiá-los no
trabalho de encontrar os melhores sítios para receber uma empresa; identificar possíveis parceiros, facilitando o contato com entidades de classe e órgãos públicos; em suma, prestar serviços que ajudem a aplainar o caminho dos investimentos em direção a São Paulo.

Tanto a cidade quanto o estado despertaram para essa necessidade. “Nunca houve, no município, uma estrutura que recebesse e acomodasse demandas de empresas que querem investir aqui”, diz Faria (o governo estadual tem sua própria agência de atração de investimentos, a Investe São Paulo). Candidatos a investir, de outro lado, não faltam: entre as cidades da América Latina, São Paulo mantém, há algum tempo, a liderança entre as mais atrativas para empresas estrangeiras.

Na edição mais recente do ranking das Cidades Latino-Americanas do Futuro, publicado pela revista britânica fDi Magazine (do grupo Financial Times), especializada em investimentos transnacionais, São Paulo ficou com o primeiro lugar — a Cidade do México e Santiago do Chile vieram em seguida. Segundo a publicação, “a cidade é um grande polo de investimento direto estrangeiro, atraindo mais de 500 projetos entre 2010 e 2014” — entre os nomes globais que escolheram São Paulo para investir, ela cita a gigante aeronáutica Boeing, a empresa alemã de logística Deutsche Post e o grupo britânico de comunicações WPP.

“O nosso exercício é em termos de competitividade”, afirma Beatriz Gusmão, diretora da SP Negócios. “É o que nós podemos fazer para que a cidade seja mais amigável a esse novo investidor.” Em outras palavras, trata-se de aliar o poder de atração que São Paulo tem por si só, em razão de seu porte e grau de desenvolvimento econômico, tecnológico e cultural — o que inclui algumas das melhores universidades
e centros de pesquisas da América Latina —, a um esforço concentrado de recepção e acolhimento de novos investidores.

Nesse aspecto, a capital paulista se propõe a emular o que outras cidades latino-americanas já vêm fazendo, mesmo sem desfrutar da mesma base econômica e produtiva. Santiago do Chile, Guadalajara, no México, e Medellín, na Colômbia, são exemplos (fora da região, Londres, a capital britânica, é uma cidade global com ambiente favorável à atração de negócios e investimentos, em particular na área das novas tecnologias e da economia criativa).

O esforço envolve outros órgãos municipais e tem alguns focos específicos: por exemplo, iniciativas que promovam a inovação e o desenvolvimento tecnológico. Para o assessor especial de relações internacionais da prefeitura, Luiz Toledo, o esforço conjunto começa a dar frutos. “Nós temos hoje consolidada uma rede entre secretarias e empresas públicas, entre os diversos setores da prefeitura que pensam conjuntamente a inovação e o desenvolvimento tecnológico”, diz Toledo.

E cita algumas iniciativas em andamento; por exemplo, a criação da ADE Sampa, uma agência voltada para o fomento do empreendedorismo no ambiente das micro e pequenas empresas, o que inclui empresas de tecnologia; e o projeto de criação de uma rede de laboratórios de fabricação digital — os Fab Labs — que lançam mão da tecnologia das impressoras em três dimensões para a manufatura de peças antes fabricadas apenas por métodos industriais.

Há, também, uma diretriz para descentralizar os novos investimentos. A zona leste da cidade, por exemplo, recebeu um conjunto de isenções e redução de impostos para incentivar a localização de algumas atividades — call centers e empresas médicas e hospitalares, por exemplo —, num perímetro ao longo da Avenida Jacu-Pêssego, em São Miguel Paulista.

“Nossa missão é ser uma porta de entrada, um ente que consiga fazer com que esses potenciais investidores percebam o ambiente da cidade como mais amigável para seus negócios”, arremata Toledo.


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