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05/05/2015

Pouco capital, mas muita ambição

A startup gaúcha Pandorga faz em Londres softwares sob medida

Nely Caixeta
Imagine um pintor que queira explicar por que colocou aquela cor naquele lugar e, assim, ajudar quem vê o quadro a apreciar melhor sua arte. Esta pessoa existe (infelizmente, por contrato, não pode ser identificada), mora em Londres e contratou uma empresa brasileira, a Pandorga, para desenhar o software adequado para seu, digamos, manual, na forma de aplicativo para smartphone e tablet: é só baixar a pintura, clicar sobre as partes que desafiam a imaginação e pronto, a explicação aparece.

“Nosso trabalho é esse: desenvolver programas sob medida para empresas e pessoas”, explica o gaúcho Diego Eick Moreira, 40 anos, braço londrino da porto-alegrense Pandorga.

Estabelecido há menos de três anos na capital inglesa, Moreira explica que o grosso do faturamento anual (cerca de 3 milhões de reais em 2014) ainda vem dos negócios no Brasil, mas os contratos da Inglaterra estão em alta e ele espera que este ano o país eleve de 10% para 25% sua participação no total.

A Pandorga instalou-se em Londres para isso mesmo: conseguir crescer em ritmo mais veloz. Chegou lá com muita disposição, pouco capital e o apoio decisivo do UKTI.

“Meu primeiro contato com eles foi uma conversa de duas horas na escala da minha viagem de mudança para Londres, no consulado britânico em São Paulo”, conta.

“No dia seguinte, quando cheguei, já havia uma pessoa à minha espera, que sabia perfeitamente das minhas necessidades e me levou logo para conhecer possíveis locais de trabalho.” Também tomou as providências para a inscrição da empresa na Câmara de Comércio de Londres, o que ampliou e facilitou contatos.

A Pandorga nasceu há oito anos na incubadora de startups da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Hoje, tem 35 empregados e ainda funciona no parque tecnológico da universidade.

Os sócios logo perceberam que, para conquistar clientes importantes, tinham de pôr o pé numa cidade com uma forte indústria criativa, um lugar capaz de “definir tendências”.

São Paulo? Nova York? “Eu tinha mais inclinação pela Europa, e meio que forcei a barra por Londres”, confessa Moreira. A chegada foi com um visto de estudante de inglês; ia ao curso parte do dia e, na outra parte, prospectava clientes.

Conseguiu um, importante, e começou um período de idas e vindas constantes, até os sócios chegarem à conclusão que ele deveria se mudar de vez para Londres.

Por indicação do UKTI, alugou um escritório compartilhado que custava 99 libras por mês; quando graduou para uma mesa própria, o valor subiu para 490 libras, de qualquer forma uma pechincha.

Uma vez obtido o registro da empresa em Londres, conquistou o direito de permanecer lá por um ano. Logo vieram os clientes e, com eles, um benefício extra: a mudança de status para empresa internacional.

“Hoje, todos os clientes realmente bons que temos no Brasil nos contrataram porque viram que não éramos pequenos, tínhamos negócios e presença na Europa”, diz Moreira.

No Brasil, a Pandorga faz programas customizados para órgãos do governo e, no setor privado, para agências de marketing que usam seus serviços para atender demandas de seus próprios clientes.

Na Inglaterra, encontra soluções para empresas como a e2B Logistics, especializada na promoção logística de eventos, estratégias de distribuição e soluções de armazenamento.

Para essa empresa, com 20 anos de experiência no mundo, ela desenvolveu um website descomplicado com um sistema flexível para automatizar o recebimento de pedidos via web, e-mail e telefone.

Se o pé na Inglaterra ajudou os negócios no Brasil, o pé no Brasil atrapalhou na Inglaterra. “A conversa começava pelo preço, porque eles sabiam que o custo da nossa hora, assim como na Rússia, Índia e outros mercados, é muito baixo em comparação ao deles”, explica. A solução foi se “britanizar”.

Há oito meses, a Pandorga uniu-se ao inglês Mike Staines e a empresa Images HUB, formando a HUB, uma joint venture com duas expertises – a Code HUB, especializada no desenvolvimento de projetos de software, com time em Porto Alegre; e a Images HUB, especializada em web design e e-commerce, com time em Londres.

“Deu certo; a negociação agora começa pela qualidade do serviço, e o custo só entra na hora de fechar a proposta”, comemora Moreira. “Além disso, fortalecemos nossa capacidade para entregar design e conteúdo alinhado ao mercado britânico, o que estava fazendo falta.”

No futuro, os olhos da Pandorga estarão voltados para o resto da Europa e a Ásia, mas neste ano e no próximo o foco é expandir-se no próprio Reino Unido.

A competição, segundo ele, é gigantesca, mas a situação econômica encontra-se razoavelmente estável, o mercado é muito aberto e a Pandorga possui um preço muito competitivo. Neste cenário, Moreira acredita que a empresa ainda tem espaço para crescer no Reino Unido.


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