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06/05/2015

Os Encantos de Veneza

Patrícia Anastassiadis
Se tiver algumas horas...

Costumo chegar a Veneza de manhã, e para o primeiro almoço na cidade vou logo ao Monaco & Grand Canal Restaurant, que fica em frente a Punta della Dogana, numa das saídas das gôndolas (mas nada impede que seja em um começo de tarde livre no fim da viagem). Recomendo uma pasta com prosciutto na varanda do restaurante, que tem uma vista muito bacana. Programe-se para chegar antes das 14 horas, pois a cozinha fecha cedo.

De lá, iria ao Museu Correr, na Piazza San Marco, ver a exposição do momento e apreciar a coleção de arte e artefatos históricos venezianos. Ainda na Piazza, considero obrigatória uma visita à Basílica de São Marcos (o Palazzo Doge também é incrível, mas, com certeza, tomaria todas as poucas horas...). Depois, caminharia em direção ao Campo de San Stefano para tomar um sorvete na Gelateria Paolin.

Também acho gostoso, à tarde, fazer uma pausa no Caffè Florian, que fica na própria Piazza San Marco — fundado em 1720, é considerado o mais antigo café da Europa —, e comprar uma lembrança na loja Veneza La Estampa, da qual a Camila é a proprietária. Neste local existem mapas e gravuras que podem ser um presente diferente e muito legal. Mais simples e portátil é a pena de Murano — a pena colorida para escrever com nanquim, um presente muito simbólico da cidade. Acho que o mais gostoso de Veneza é você caminhar sem destino, mas, com pouco tempo, não me afastaria muito da Piazza, o local para o qual precisaria retornar.



Se tiver um dia inteiro...

Para quem fez o primeiro roteiro, sugiro dois passeios. O primeiro é ir ao Palazzo Fortuny, a antiga casa e ateliê de Mariano Fortuny y Madrazo, um artista eclético e essencial de Veneza nos séculos 19 e 20 — foi pintor, fotógrafo, figurinista, criou tecidos e revolucionou a cenografia e a iluminação teatral. Para mim, é um dos museus mais bonitos da cidade (está fechado desde março para a montagem de uma exposição sobre Luca Pacioli e a “proporção divina” na arte, que vai abrir em maio). Minha segunda opção seria ir do Campo de San Stefano em direção à Ponte dell’Accademia e à Punta della Dogana, o museu que abriga a coleção de François Pinault, o magnata francês dono da loja de departamentos Printemps e de marcas famosas, como Gucci e o vinho Chateau Latour.

Na volta, atravessando a Ponte dell’Accademia, em direção ao Rialto, o visitante vai encontrar lojinhas que valem uma parada. Elas vendem máscaras venezianas, joias e papelaria. Passando a ponte, seguimos pelo Mercado Municipal e chegamos ao novo resort Aman, no Palazzo Papadopoli. Eles fizeram uma reforma maravilhosa — a forma como recuperaram todo o palácio, os afrescos e a arquitetura interna é linda. Faria uma parada lá mesmo para tomar um drinque especial chamado Papadopoli
(trata-se de um licor feito da flor de sabugueiro, muito difícil
de encontrar). Olhar o canal no fim da tarde, ouvindo um
violino, é uma bela experiência.

Na volta do Papadopoli tem um mercadinho – na esquina da Calle Donzella 394 com a Ruga dei Spezieri – onde achei o próprio licor da flor de sabugueiro, o Saint Germain. É gostoso levar essa lembrança para o Brasil. Ainda ali, você pode comprar um funghi maravilhoso, uma pasta com tartufo... Já vou fazendo o meu mercado para trazer para casa. No fim do dia, iria ao Da Ivo, um restaurante excepcional cujo dono é o sr. Giovani. Ou jantaria o camarão ao curry con riso pilaf no lendário Harry’s Bar, acompanhado de um bellini.



Se tiver um fim de semana inteiro...

Acrescentaria ao roteiro o aluguel de um barco ou uma lancha para fazer um passeio a Murano, onde é possível encontrar o vidro soprado, e também a Burano, para ver as rendas típicas de Veneza. Aproveitaria, ainda, para visitar a oficina onde são construídas as gôndolas. É um lugar muito bonito, bem próximo, e achei muito especial fazer esta visita. Caminharia, então, em direção ao Arsenale e aos jardins da Bienal, um trajeto fantástico. Passando pelo Hotel Danieli, subiria para tomar um café com aquela vista linda, típica de Veneza. Na caminhada para o Arsenale — os antigos estaleiros onde eram construídos os navios da poderosa frota veneziana —, vale atentar bem à arquitetura. Em época de exposição, eles trabalham nos Giardini e no Arsenale, que é magnífico. Mesmo fora do período de exposições, vale a visita para conhecer o espaço, muito belo com todos os galpões de tijolos.

Descendo pelo canal, logo antes do Arsenale, você encontra a loja Il Mercante Veneziano. O proprietário é o Roberto, que produz cadernos com as capas de couro e papéis feitos a mão e costurados. É muito lindo! Ali você encontra, também, uma coleção de máscaras venezianas do artista Stefano Barnabe, que utiliza a massa das máscaras e faz intervenções a mão. Com o passar dos anos, fui comprando essas belas máscaras. Para quem veio andando desde a Piazza até os Giardini (uma caminhada razoável), vale sentar e apreciar a incrível vista nesta região. É justamente o cenário de uma das obras do Turner, na qual ele retratou toda a orla– por si só, já uma pintura. Na entrada da Bienal tem um barzinho chamado Paradiso, para tomar um spritz bem em frente à água. Encontramos por lá os pavilhões de todos os países que participam das mostras, livrarias, café etc.

Com tempo, aproveitaria para ir ao Palazzo Grassi, outro museu mantido pela Fundação François Pinault. Na rua, fica o Teatrino do Palazzo, um projeto do arquiteto japonês Tadao Ando. O Teatrino ficou pronto há um ano. Eles mostram filmes, palestras, têm um calendário muito bom. Como associada à Punta della Dogana (cuja transformação em museu é também projeto do Tadao Ando), recebo toda a programação, tanto do Palazzo Grassi como do Teatrino.

Para finalizar, uma dica de hospedagem é o Palazzina Grassi, um hotel de que gosto muito — Philippe Starck fez a sua reformulação. Não é tão próximo da Piazza San Marco, mas adoro o trajeto do hotel até a praça, cheio de coisas interessantes. Uma das minhas favoritas é a loja de guardanapos bordados de Chiarastella Cattana, uma designer muito bacana. Ao lado, tem uma loja bárbara com vidros, um trabalho mais contemporâneo e, na frente, fica a loja de perfumes Santa Maria Novella. Veneza não é só a Bienal. Tem um calendário muito rico, com cinema, arte e arquitetura o ano todo, numa série de eventos que a tornam uma das cidades mais fascinantes do mundo.


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