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05/05/2015

Londres chama

Empresas Brasileiras escolhem o Reino Unido para internacionalizar seus negócios

Nely Caixeta e Armando Mendes
Um investimento brasileiro está no centro do novo skyline de Londres que ocupa esta página dupla: é o prédio de linhas curvas que parece um foguete espacial e chama a atenção entre os ângulos retos de seus vizinhos.

Conhecido pelos londrinos como o Gherkin (pepino), o edifício — cujo endereço é 30 St Mary Axe — fica em plena City, o centro financeiro da capital do Reino Unido, e foi arrematado no fim do ano passado pelo Grupo Safra, do bilionário banqueiro Joseph Safra.

O negócio, estimado em mais de 720 milhões de libras, ganhou manchetes por sua relativa raridade; um empresário brasileiro que adquire uma propriedade icônica numa das maiores capitais europeias.

Mas, na verdade, o Gherkin (um projeto de Norman Foster, o famoso arquiteto inglês) poderia servir de pôster para uma tendência que vem se acentuando nos últimos anos: cada vez mais, investidores e empresas brasileiras estão escolhendo Londres como locação privilegiada para instalar seus negócios na Europa.

Levantamento feito pelo UK Trade and Investment (UKTI) — a agência governamental responsável pela promoção comercial britânica e pela atração de investimentos estrangeiros para o Reino Unido — revelou que, no ano passado, dez empresas
brasileiras decidiram se internacionalizar usando o Reino Unido como base. Outras dez, que já estavam presentes lá, fizeram investimentos para expandir seus negócios.

Essas 20 operações de investimento direto mais que dobraram o movimento em relação a 2013 — de nove operações — e levaram o número de empresas brasileiras com presença no Reino Unido ao total de 64, um recorde histórico. Até 2007, os registros mostram que havia não mais que 20 empresas brasileiras instaladas nos quatro países que formam o Reino Unido — Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte —, à frente a joalheria H. Stern e o Banco do Brasil, pioneiros desembarcados em Londres na primeira metade dos anos 1960, em plena efervescência dos Swinging Sixties, como ficou conhecido o período de agitação cultural que tomou conta da cidade.

Até 2007, havia apenas 20 empresas brasileiras no Reino Unido; hoje são 64

Entre as brasileiras que tomaram o caminho do Reino Unido há um pouco de tudo: desde multinacionais poderosas com grandes negócios ao redor do mundo e milhares de funcionários até startups recém-saídas da incubadora, com menos sócios do que os dedos de uma mão e ousadas o bastante para buscar o mercado internacional antes mesmo de crescer no Brasil.

Na primeira turma se enquadra, por exemplo, o frigorífico Marfrig, um dos principais grupos brasileiros da indústria de alimentos. A Marfrig chegou à Europa em 2008 com a aquisição da processadora de frangos Moy Park, na Irlanda do Norte, e foi uma das brasileiras que expandiram seus investimentos no Reino Unido no ano passado (a empresa não revela o valor investido).

A Moy Park é a maior empresa de alimentos da Irlanda do Norte, com 70 anos de presença no mercado, e qualifica-se como uma multinacional por si só — tem 12 mil trabalhadores em 14 unidades espalhadas por quatro países europeus. Sua aquisição faz da Marfrig, hoje, a maior investidora brasileira no Reino Unido. Outra empresa de porte global que resolveu instalar a cabeça de suas operações europeias em Londres é a Stefanini, a consultora e prestadora de serviços de tecnologia da informação com sede em São Paulo. “A Inglaterra e Londres, especificamente, são centros muitos cosmopolitas, muito globais, fazem parte do coração da Europa”, afirma Marco Stefanini, o CEO da empresa. “Para nós, é estratégico termos presença lá.”

Para ampliar o leque de negócios representados além-mar, faltava uma marca de varejo ligada ao lado mais mundano e fashion da economia. Desde o fim do ano passado, não falta mais: a Grendene, do Rio Grande do Sul, fabricante dos onipresentes calçados plásticos Melissa (vendidos em 93 países), plantou, em outubro, uma Galeria Melissa, sua loja de topo da gama, no descolado bairro londrino de Covent Garden. A loja/galeria de 400 metros quadrados — a maior da empresa em todo o mundo — está instalada num prédio histórico de arquitetura georgiana que teve preservadas sua estrutura e fachada e recebeu uma ambientação contemporânea para servir de vitrine às criações da marca. É um passo que vale registrar: muitas empresas brasileiras se tornaram multinacionais desde o início do século 21, mas ainda são raras as marcas de consumo made in Brazil reconhecidas e admiradas no exterior. A presença da Melissa com uma loja de alto perfil no coração de Londres, portanto, tem um significado particular.

Itaú BBA e BTG escolheram Londres para sediar suas operações na Europa

Da moda para as finanças, dois pesos pesados da banca brasileira também escolheram o Reino Unido para sediar suas operações europeias. O Itaú BBA International, braço de investimentos e atacado do grupo Itaú Unibanco, mudou sua sede de Lisboa para Londres no início de 2013, com a intenção de atuar em duas mãos na intermediação de investimentos entre a América Latina e a Europa: tanto apoiando empresas europeias interessadas em investir na América Latina quanto prestando serviços para as empresas latino-americanas que tomam o caminho da Europa. Segundo informações prestadas pelo Itaú BBA à revista PIB, a mudança se justifica pela sofisticação do mercado financeiro londrino, que atrai ao Reino Unido até mesmo chefes de finanças de empresas da Europa continental. Os escritórios de Londres do Itaú BBA já abrigam quase 100 pessoas.

Já o BTG-Pactual, do banqueiro André Esteves, instalou em Londres, no fim de 2013, sua mesa de operação nos mercados mundiais de commodities como petróleo, trigo e algodão. No ano seguinte, dobrou a aposta ao sediar, também em Londres, seus negócios no mercado de equities. Esteves convidou para comandar essa área um gerente de investimentos do Fundo de Pensão dos Professores de Ontário, no Canadá, um dos maiores do mundo. Segundo informa o site do BTG-Pactual, 168 funcionários trabalham atualmente no escritório londrino situado na Berkeley Square, no bairro de Mayfair.

Para arrematar, finalmente, uma empresa brasileira de engenharia pesada também está presente no Reino Unido. A Odebrecht Óleo e Gás participa da exploração de um campo de petróleo no Mar do Norte, em parceria com o grupo dinamarquês Maersk. Trata-se de uma interessante inversão de rota. Tradicionalmente, são as empresas britânicas do setor que operam no Brasil. Nos últimos dois anos, cerca de 120 empresas britânicas deste segmento movimentaram 7 bilhões de reais no setor de energia brasileiro. A movimentação dos negócios em outras áreas foi intensa nesses dois anos. “Nesse mesmo período, vimos 35 empresas brasileiras de diferentes setores investir em solo britânico”, diz o embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis. “Contamos também 90 missões comerciais, entre os dois países, realizadas por nossa missão diplomática.”

Ainda são poucas as marcas brasileiras reconhecidas no exterior

O segundo grupo de brasileiras transplantadas — o das pequenas atrevidas — abriga empresas como a também gaúcha Pandorga, que desenvolve para seus clientes softwares sob medida para operações na internet. A Pandorga decidiu atacar o mercado europeu sem passar pelo Rio de Janeiro ou São Paulo. No começo, um dos sócios, Diego Eick Moreira, ficou seis meses em Londres como estudante de inglês em tempo parcial, enquanto buscava clientes para a startup no resto do dia. Quando conseguiu o primeiro cliente, passou a viver numa sofrida ponte aérea entre Londres e Porto Alegre até decidir se mudar de vez para a Grã-Bretanha. Hoje, a Pandorga está associada a uma parceira inglesa e tem por meta, este ano, conseguir gerar na operação internacional 25% de suas receitas.

Para a paulistana Casa Rex, um premiadíssimo estúdio de design de embalagens e identidade visual que presta serviços para empresas, foram os próprios clientes angariados no Brasil — entre eles multinacionais estrangeiras — que puxaram a internacionalização, ao encomendar aos brasileiros projetos destinados a operações em outros países. O designer Cristiano Vinciprova Machado conta: “No fim de 2009, 56% do nosso crescimento vinha do faturamento externo, então vimos que havia uma oportunidade de explorar isso mais a fundo e transferimos nossos esforços de prospecção para o Reino Unido” (leia mais sobre essas e outras empresas a partir da pág. 42).

Mas o que levou esses empreendedores a escolher pousar no Reino Unido no momento de se internacionalizar? A condição de Londres como centro global de finanças e de serviços e a arraigada cultura de negócios britânica certamente influenciaram. “É um povo com sangue mercante”, resume Marco Stefanini. Já Eduardo Navarro, da empresa de consultoria KPMG, aponta ainda a vocação global de uma ilha que sempre se apoiou no comércio internacional para prosperar. “As empresas desejam estar lá porque sabem que não estarão tendo uma exposição apenas no mercado britânico; é uma exposição para o mercado global”, diz o consultor, que trabalhou numa pesquisa da KPMG sobre as empresas brasileiras no Reino Unido encomendada pelo UKTI, a agência britânica de promoção comercial e atração de investimentos. “Vimos empresas menores abrir escritórios ali e, depois de entender o mercado — porque há uma curva de aprendizado —, passar a tocar projetos fora do Reino Unido com base nos contatos que fizeram no país.”

A maior atenção com que Brasil começou a ser visto pelos britânicos também contribuiu para azeitar o caminho. Foi por volta de 2007 que o crescimento da economia e do mercado brasileiro voltou a atrair a atenção do governo e do mundo empresarial britânico, depois de décadas em que o país quase sumiu dos radares em Londres, dirigidos prioritariamente para as ex-colônias asiáticas e africanas do antigo império. Ao mesmo tempo, já piscavam com força os sinais da crise financeira global que logo viria a eclodir. Esse conjunto de fatores levou à decisão de instalar no Brasil uma representação da UKTI com a missão de atrair investimentos para ajudar no processo de recuperação econômica do Reino Unido. Como o nome indica, o UKTI tem dois braços, o trade (comércio) e o investment (investimento). “O Brasil era um dos principais compradores de produtos britânicos”, diz Raquel Kilbrit, a representante do UKTI no Brasil — forte no trade, portanto. “Mas não havia uma área que pudesse fomentar o investimento no sentido contrário, daqui para lá” (leia mais sobre a atividade da agência na pág. 40).

Na outra mão desse intercâmbio, o Brasil também se preparou melhor para apoiar as trocas comerciais e os investimentos entre os dois países. Desde 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mantém uma subsidiária em Londres com a missão, entre outras, de reduzir os custos financeiros da internacionalização para empresas brasileiras que se estabelecem no Reino Unido e na Europa. Dessa forma, o banco pode, por exemplo, captar recursos localmente e emprestá-los a empresas brasileiras sem que esses recursos necessitem passar pelo Brasil, reduzindo os custos da operação. “A ideia de Londres é possibilitar que as captações possam ser feitas dentro de uma eficiência melhor, com custos menores exatamente por esses pontos”, explica Rafael Caminha, chefe de departamento na subsidiária londrina do BNDES. “Uma das grandes vantagens do Reino Unido é a extensa rede de tratados comerciais para não haver tributação com outros governos soberanos — uma coisa que o Brasil tem pouco desenvolvida hoje,” completa seu colega Marcelo Alves, chefe de departamento da Área Internacional no Rio de Janeiro (são 120 tratados). “Se o fluxo de captação e liberação do recurso e os pagamentos ocorrem do Reino Unido com outro país com o qual haja um tratado para reduzir ou para eliminar a tributação, acaba ficando mais barato.”

No Reino Unido são 110 horas para pagar impostos, ante 2.600 horas no Brasil

A abertura para os negócios de que fala Stefanini parágrafos acima se traduz em dois traços que costumam encantar o empreendedor recém-chegado; o primeiro é um sistema tributário e regulatório descomplicado, um bálsamo para quem está acostumado a gastar 2.600 horas por ano para pagar impostos (lá, bastam 110 horas, ou menos de cinco dias). São apenas quatro impostos: a taxa corporativa de 20% (sobre o lucro, não sobre o faturamento), que é uma das mais baixas do mundo segundo o UKTI; o imposto sobre a folha de pagamento para a Previdência Social, que vai de 8% a 14%, dependendo do salário; a Business Rate, uma espécie de IPTU que varia de acordo com o local onde o negócio será instalado; e, por fim, o VAT, ou Value Added Tax, que é o imposto sobre consumo e só incide sobre o que é comercializado internamente (o correspondente brasileiro seria o ICMS).

Além disso, a regulação trabalhista não tem a rigidez da CLT brasileira e permite contratar funcionários por hora, por mês ou por projeto. “Isso reduz os custos operacionais e traz mais flexibilidade para a operação”, diz Raquel, do UKTI. Ela também rebate a fama do Reino Unido como um país muito caro para viver e fazer negócios: no fim das contas, tudo calculado, diz Raquel, os custos de manter uma empresa no Reino Unido seriam iguais ou menores do que no Brasil. E se o investidor potencial se dispuser a abrir mão da sedução cosmopolita de Londres para instalar seu negócio em cidades como Manchester ou Birmingham, ou mesmo em outras regiões, como o País de Gales, a Irlanda do Norte ou a Escócia, os custos de operação e de moradia podem cair até 30% ou 40%, diz ela.

O segundo traço de atração é o leque de vantagens e incentivos com que o UKTI acena ao empreendedor estrangeiro em particular, e ao iniciante em geral (alguns brasileiros contam como lançaram mão desses incentivos na próxima matéria, a partir da pág. 40). Um exemplo de incentivo são as Enterprise Zones, regiões designadas para se desenvolver como clusters industriais ou parques tecnológicos que oferecem isenção por até cinco anos do imposto equivalente ao IPTU. A cidade de Birmingham foi além: em vez de relegar os parques tecnológicos e zonas industriais à periferia urbana, como é usual, ela designou toda a sua região central como uma Enterprise Zone. A sacada rendeu frutos: Birmingham tornou-se um dos destinos mais disputados por investidores no Reino Unido. O UKTI ajuda, também, o forasteiro a navegar pelos pequenos e potencialmente frustrantes detalhes da vida diária de um empresário num país desconhecido: pode ser um levantamento de custos como salários ou o valor do metro quadrado de um escritório e de galpões; ou um socorro para entender as distâncias, avaliar a qualidade de vida, matricular os filhos numa escola etc.

E quanto às dificuldades encontradas? Além dos preços altos, ainda citados de vez em quando, há diferenças de cultura de negócios às quais é preciso estar atento. Lá, prazo combinado é prazo cobrado, adverte Eduardo, da KPMG; mistura-se muito menos a vida pessoal com a profissional, e espera-se que o horário de trabalho seja usado para render o máximo. Em compensação, não é habitual esticar o expediente nem trabalhar nos fins de semana – o próprio horário do pub, que serve também para quebrar o gelo com possíveis parceiros de negócios, também está aí para ser respeitado.

Como vender um país



Nos últimos dois anos, a rotina da campineira Raquel Kibrit, gerente de investimentos da UKTI, a agência de comércio e investimentos do Reino Unido, tem sido percorrer o país para “vender” o Reino Unido como destino preferencial para investidores brasileiros interessados em internacionalizar seus negócios. A maratona de viagens para apresentar as vantagens e facilidades de instalar uma empresa em Londres e em cidades britânicas já a levou, várias vezes, ao Rio, a Belo Horizonte, a capitais do Nordeste e também a cidades de menor porte espalhadas pelo interior do país. “Estivemos em regiões onde os empresários nem sabiam muito bem o que era internacionalização”, diz Raquel, a primeira brasileira a ser contratada para o cargo justamente para fazer esse corpo a corpo com mais familiaridade.

Para vencer a barreira, a peregrinação pelo país, feita com apoio de entidades como o Sebrae e federações da indústria e comércio locais, é pontuada com exemplos de empresas brasileiras que já se instalaram, com sucesso, no Reino Unido. “Queremos gerar curiosidade e inspirar outras empresas a dar o mesmo passo”, afirma Raquel. Existem, hoje, cerca de 700 empresas em processo de consulta para se instalar no Reino Unido – outras 58 já estão operando no país com o respaldo da agência. São, em média, 25 atendimentos por mês. “Mostramos que a partir do momento que você tem apoio da UKTI, os riscos de um passo internacional são reduzidos, e muito.”

O tipo de apoio varia de acordo com o porte e as necessidades de cada empresa. Um pequeno empresário, por exemplo, consegue ter rapidamente um endereço comercial e pagar apenas 99 libras por mês durante um ano, até o negócio se firmar, por um espaço em um dos quatro escritórios virtuais disponibilizados pelo programa Touchdown em Londres. Esse serviço é oferecido pela London & Partners, agência de promoção e de atração de investimentos de Londres. Grandes corporações, por outro lado, costumam recorrer a consultorias gratuitas de especialistas do governo britânico sobre aspectos sensíveis de suas operações, como regulamentação e certificações. É o caso, por exemplo, dos serviços financeiros, que precisam de um selo da FCA, a Financial Conduct Authority, para operar como instituição bancária.

E quais são os investidores que o Reino Unido quer atrair? O interesse passa por serviços financeiros, TI, varejo, alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos, manufatura em geral e engenharia avançada. Para familiarizar o investidor com esses setores prioritários, a UKTI promove viagens guiadas ao país. Em fevereiro passado, uma delegação de empresários das áreas de construção, transportes e administração visitou o projeto de renovação da estação de metrô de London Bridge. Meses antes, outro grupo esteve na Tech City, um cluster de startups digitais em franca expansão na região leste de Londres. Para Raquel, o crescente número de empresas brasileiras que estão se instalando do outro lado do Atlântico mostra que a economia do Reino Unido engatou a terceira marcha. “É a primeira economia europeia a sair da crise efetivamente”, diz. “Existe mercado para todos os perfis de empresas.”



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