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Munique

Natural de Santa Catarina, Cristiano Zen vive desde 2002 em Munique, a metrópole do sul da Alemanha. Após trabalhar para o BMW Group, Cristiano abriu sua própria consultoria financeira para atender brasileiros interessados em oportunidades de investimento na Europa (www.loyalpartners.eu). Ele admira a qualidade de vida da Bavária, a região alemã cuja capital é Munique, cidade que oferece um turismo de qualidade e grande originalidade cultural a preços mais que justos. A seguir, o roteiro sugerido por Cristiano:

Cristiano Zen
Festa na Marienplatz: o coração da cidade

Se tiver algumas horas...


Você achava que la dolce vita é algo exclusivamente italiano, muito distante do espírito germânico? Pois quero convidá-lo a fazer uma curta caminhada da Marienplatz – a praça da prefeitura, referência e coração de Munique – até o Viktualienmarkt, um mercado de especialidades europeias. Lá, você terá o prazer de experimentar a maior instituição da Bavária: o biergarten, a cervejaria ao ar livre caracterizada por grandes e idosas castanheiras, mesas e bancos de madeira, copos de cerveja a partir de 500 ml e verdadeira devoção ao prazer de comer, beber e conviver. Você entenderá por que os próprios italianos amam a dolce vita de Munique e a consideram uma cidade "italiana" mais ao norte.


Depois da primeira cerveja no Viktualienmarkt, caminhe pela cidade velha, preferencialmente pela Orlandostrasse. Ao chegar à Maximiliamstrasse, aprecie as lojas e as vitrines da rua de comércio supostamente mais cara e sofisticada da Alemanha. Siga para o norte e você logo estará na Odeonsplatz, em frente à Residenz, sede da antiga monarquia bávara, com um maravilhoso pátio. Neste palácio viveram os reis da Bavária até o início do século 20. Cruzando o belo jardim do pátio, pergunte a direção do Englischer Garten (Jardim Inglês) e não deixe de dar uma olhada nos surfistas (!) que se arriscam no Eisbach (o riacho gelado). Você está diante do maior parque urbanodo mundo e pode ver algo único: surfistas aos montes invadindo uma cidade a centenas de quilômetros do mar para pegar onda num canal gélido, alguns carregando suas pranchas em bicicletas velhas – mesmo em dezembro e janeiro, com temperaturas negativas. É a disciplina alemã.



Se tiver um dia inteiro...


Com um dia livre pela frente, recomendo fazer o roteiro anterior com mais calma. Depois de apreciar o surfe germânico, entre no Englischer Garten e tome a direção de outro cartão-postal da cidade, o biergarten Chinesischer Turm. No caminho rumo norte, faça um desvio para oeste (seu lado esquerdo) e tente encontrar a Milchhaeusl, a Casinha do Leite. É um quiosque-bar que vende produtos bávaros orgânicos, ao lado da principal entrada do parque. Em dias de sol, é impressionante a quantidade de turistas, estudantes e bicicletas que passam por aqui. Chegando ao Chinesischer Turm, faça como os alemães: jogue conversa fora e beba relaxadamente um mass de cerveja – o caneco de vidro de 1 litro. Nas refeições, sugiro pedir obazda de entrada: uma mistura de queijos servida com o pão  bávaro – o bretz – rabanete, cebola e pepino. A propósito, você sabia que uma tradição de dois séculos lhe permite levar a própria comida a um biergarten e pagar apenas a bebida?


A parada seguinte deve ser Schwabing, o bairro mais boêmio da cidade. Vá a pé até a Leopoldstrasse, a avenida principal do bairro, pulsante e cosmopolita. No extremo sul da rua, você avistará novamente a Odeonsplatz por entre as colunas da Siegestor (Torre da Vitória). Neste ponto, sugiro tomar um táxi para o Castelo Nymphenburg. Peça ao motorista para passar pelo Petuelring (um dos anéis viários), de onde poderá apreciar o Parque dos Jogos Olímpicos de 1972 (Olympiapark) e seus estádios – entre eles os de hóquei, natação, o poliesportivo e o Estádio Olímpico, casa do Bayern de Munique até a migração para a Allianz Arena em 2006. Construído há 41 anos, o Parque Olímpico continua em pleno uso. Em frente, outro ícone da Bavária: a sede da BMW, com seu museu e o BMW Welt (centro de exposições).


Por fim, ao chegar ao Castelo Nymphenburg, visite o jardim nos fundos e conheça um pouco mais da curiosa história da monarquia bávara e do rei Ludwig (para muitos, louco). Pegue um tram (bonde moderno) na volta: você gastará menos e passeará pela cidade e os locais. Ao fim desse ambicioso roteiro, seu jantar depende da estação do ano: em um dia de primavera ou verão, corra para o biergarten mais próximo (consulte a lista de Munique). No outono ou inverno, recomendo visitar o Kaisergarten (Kaisergartenstrasse 34), a 5 minutos de táxi do Odeonsplatz. Lá, você conhecerá a comida bávara preparada e servida de forma contemporânea e fina.



Se tiver um fim de semana inteiro...


Munique não é exatamente uma cidade pequena e, com mais tempo para absorver seu caráter único, sugiro para o segundo dia um passeio no Sightseeing Bus, que percorre bairros diversos e ruas pitorescas. Depois, é tempo de desbravar com mais vagar as ruas do centro e seu comércio exuberante, caracterizado pelo maior poder aquisitivo da Alemanha, mas não só: também chama a atenção a engenhosidade dos alemães e sua fixação por manufatura de alta qualidade. Visite Glockenbachviertel, bairro de muitos cafés, pequenos negócios e estilo alternativo, dominado por artesãos, intelectuais e profissionais criativos. Conheça a Sendlingerstrasse e suas pequenas ruas transversais, com edifícios genuinamente bávaros. Na Sendlingerstrasse 62, visite a Asamkirche, uma pequena igreja e verdadeira pérola barroca ornamentada em ouro. Atrás da Marienplatz, visite, ainda, a Manufaktum (a loja de manufatura de qualidade no nome) e ao lado o Dallmayr Cafe, um empório incrível.  


Hora de pensar de novo num restaurante? Sugiro o Sankt Emmeramsmuehle, para muitos o biergarten mais charmoso de Munique, a aproximadamente 15 minutos de carro da Marienplatz, no extremo norte do Englischer Garten. Sobrando tempo, sugiro uma ida ao distrito dos museus (Pinakotheken), atrás da principal universidade de Munique. São três grandes pinacotecas e o Museu Brandhorst, que abriga uma coleção privada de arte dos séculos 20 e 21, com destaque para obras de Cy Twombly e Andy Warhol. Finalmente, algumas dicas para quem pode se programar e chega com disposição:


:: Não esqueça que a cidade promove a maior festa popular do mundo, a Oktoberfest: uma experiência fantástica quando experimentada com locais (não subestime este detalhe).


:: Assistir a uma partida do Bayern de Munique no ultramoderno Allianz Arena (o pneu iluminado) é realmente inesquecível para os amantes de futebol. Na minha opinião, o Bayern dominará o esporte europeu nos próximos cinco anos.


:: Evite o carro e alugue uma bicicleta. Poucas cidades do mundo com mais de 1 milhão de habitantes oferecerão a você tal segurança e comodidade para explorá-la inteira em duas rodas. Esqueça o preconceito: aqui o milionário, o médico e o artista andam de bicicleta, dividem a mesa nos biergartens, deitam no chão do parque e tomam banho de rio. Munique é muito democrática.


1 Museu Brandhorst: arte dos séculos 20 e 21


2 Chinesischer Turm: biergarten no Jardim Inglês


3 Dallmayr Café: empório e comidas finas


4 Nymphenburg: palácio de verão dos reis da Bavária


5 Allianz Arena: a casa do Bayern de Munique



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