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ProSavana em Moçambique

Brasileira ajuda a implantar o ProSavana em Moçambique

Jusimeire Mourão
Jusimeire: harmonizando interesses em Moçambique

Minha primeira missão em Moçambique foi em 2009, quando recebi da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica) a coordenação do ProSavana, programa de cooperação triangular destinado a promover o desenvolvimento agrícola do norte de Moçambique. De lá para cá, as temporadas africanas foram ficando cada vez mais longas. Na segunda metade deste ano, voltei a Maputo, desta vez para morar.


O ProSavana é um programa triangular porque envolve três países: Brasil, Japão e  Moçambique. Pretende-se implantar ali uma agricultura competitiva, socialmente inclusiva e ambientalmente responsável.


Explicando de um jeito mais claro, o objetivo é transformar Moçambique em um grande produtor de alimentos para consumo interno e para exportação, assim como nós, brasileiros, aprendemos a cultivar os cerrados do Planalto Central a partir dos anos 1970 (cerrados e savanas têm solos e climas muito parecidos).


Naquela época, o Brasil teve o apoio técnico e financeiro do Japão. Agora, japoneses fazem o mesmo no país africano com o apoio dos brasileiros. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Itamaraty, coordena a participação do Brasil, que inclui também a Embrapa – com seu vasto conhecimento científico em agricultura tropical – e a Fundação Getúlio Vargas. Montamos esquemas de cooperação para fortalecer as capacidades das instituições locais, como o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique e os Serviços de Extensão Agrária no país. Por isso estou aqui: uma brasileira que trabalha para uma agência japonesa em Moçambique.


Minha missão é harmonizar as relações e os interesses para a implementação deste ousado programa. Fácil? De jeito nenhum. Era divertido vir a Moçambique – belo país de gente simples e sorridente – e ficar uma, depois duas, depois três semanas: preparar, executar, negociar, harmonizar e voltar. Agora, com o programa mais avançado, é preciso definir abordagens técnicas, superar os inevitáveis estranhamentos iniciais entre três parceiros tão diversos e cuidar das relações interpessoais com zelo e atenção. Há que cultivar a paciência estratégica. E em tempo integral: das oito às cinco, sem hora de almoço, e mais um terceiro turno em casa, depois do jantar e da checagem dos e-mails.


Vivo em Maputo e me desloco com frequência, de avião e de carro, para as províncias do norte do país. Pouco tempo resta para apreciar as belezas do lugar e desfrutar da companhia dos amigos. A piscina de casa me olha todos os dias de manhã e nas tardes quentes dos fins de semana que passo trabalhando. Mas não atendo a seus chamados. E há o lado pessoal: a saudade da família, as dificuldades de uma mulher independente numa sociedade ainda patriarcal – nos restaurantes, a primeira pergunta é sempre: “a senhora está esperando alguém?” A propósito de comida, a minha amada farinha, meu querido feijão, meu arrozinho com alho e cebola, como me fazem falta!


Mas as eu adoro tudo isto! Parece que fui picada por um mosquito chamado ProSavana. E, com o tempo, o efeito desse “veneno” só aumenta, o que é fundamental para perseguirmos o objetivo de ajudar a gente amistosa de Moçambique rumo a um futuro melhor.



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